O conteúdo das agências

Há alguns anos tornou-se algo comum as agências de comunicação e assessoria de imprensa oferecerem serviços de produção de conteúdo para seus clientes. Afinal, boa parte das informações relevantes passam pelas mãos dos atendimentos. Mais um serviço, mais faturamento, pronto, segue o jogo.

Aí apareceram as mídias sociais. Mais um produto para as agências de comunicação. Administrar os perfis oficiais de clientes nas redes sociais exige uma grande produção de conteúdo. Além disso, temos de considerar as diversas plataformas. É vídeo, é foto, é texto, é microtexto.

O difícil, porém, é vender toda essa história para o cliente. O mercado precisa compreender melhor esse universo de comunicação que se abriu. Então vamos “evangelizar”, certo? Exato. E não é ironia nem crítica, acho que é o caminho certo mesmo.

Reparem. As agências passaram a produzir muito conteúdo proprietário. Não vou listar aqui para não parecer injusto, mas acesse o site de algumas das principais assessorias de imprensa do País. Dê uma vasculhada em seus perfis no Twitter. Você pode se surpreender. Tem muito conteúdo de qualidade e dados preciosos, especialmente sobre redes sociais.

Quer uma ajudinha?

Anúncios

Desejos profissionais para 2011

Faz um bom tempo que não passo por aqui. E realmente anda bem difícil manter esse espaço. Ainda insisto e já pensei várias vezes em matá-lo de vez. Afinal, nenhum leitor gosta de acompanhar um blog que não se presta a sua função principal.

De qualquer forma, preparei uma listinha com alguns desejos para o ano que se inicia. Tem outros vários, mas que precisariam de contextualização para serem publicados. Seguem sem nenhuma ordem específica. Apenas anotei os que surgiram na cabeça:

– Que os conceitos de métricas qualitativas se consolidem;
– Que o conteúdo relevante seja reconhecido pelas empresas e pelo público em geral;
– Que muitos profissionais de internet deixem de ludibriar seus clientes com febres de mercado;
– Que as empresas entendam que mídias sociais não são comunicação de massa;
– Que as organizações entendam o posicionamento e valor de sua marca antes de usarem as mídias sociais e compararem com uma Starbucks, por exemplo;
– Que retirem de seu vocabulário corporativo as expressões “vamos fazer um viralzinho” e “vamos criar um perfilzinho no Twitter”;
– Que os “especialistas” sejam desmascarados;
– Que blogs com excelente conteúdo ganhem ainda mais força em detrimento do besteirol espalhado por aí;
– Que o Home Office finalmente se torne uma realidade;
– Que a produção intelectual seja reconhecida e valorizada – a um preço justo, claro!
– Que o trabalho em mídias sociais seja integrado a um contexto maior de comunicação corporativa.

Um 2011 cheio de conquistas e realizações para todos nós!

 

A coletividade dos blogs

Falei há pouco sobre o fenômeno do blogcídio. Ainda neste nicho, outro movimento interessante é o da colaboração. A internet é um ambiente extremamente colaborativo. Foi sob esse cunho que ela conquistou o mundo, permitindo interações entre pontos antes completamente distantes. E essa é, talvez, a maior vantagem da rede.

Preste atenção. Espaços que antes eram mantidos apenas por uma, no máximo duas pessoas, ganharam novos escritores e participações. Isso ocorreu, inclusive, com alguns dos blogs de grande relevância e alto volume de visitas na web brasileira. Foi o caso do Brainstorm9, especializado no mercado de comunicação e publicidade, antes mantido apenas por Carlos Merigo.

Com Alex Primo, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS, não foi diferente. Conta com o apoio de Mariana Oliveira e mesmo Gilberto Consoni também já escreve por lá. Isso apenas para ficar em dois exemplos básicos. Se vasculharmos este ambiente digital específico, certamente encontraremos mais uma dezena de exemplos do gênero.

A valorização do blog como ferramenta importante de comunicação – e de voz ativa das pessoas e seus pensamentos – exigiu uma produção maciça de conteúdo independente e opinativo. Logo, os autores começam a ser encarados como mainstream. Têm uma espécie de obrigatoriedade em manter e ampliar seus públicos.

Soma-se a isso, o fato de ganharem mais relevância em seus mercados, tornando o pouco tempo ainda mais escasso. Com um time maior, é possível manter a frequência de conteúdo.  Não acho isso ruim. Ao contrário, são mais vozes com opiniões diversas a serem analisadas. Ganha o público, desde que a produção de conteúdo não fique banalizada ou distorcida, algo que vem acontecendo com grande assiduidade na grande imprensa.

Dúvidas do mercado sobre a relevância dos blogs

Tem algo que ainda permanece uma incógnita para a maioria dos assessores de imprensa e relações públicas. Como determinar a relevância de um blog para propor ao seu cliente uma ação, o envio de release ou de um convite para a coletiva de imprensa? A popularização do meio blog incentivou diversas agências a partirem para o ataque, até mesmo sob a ferrenha pressão de clientes. Virou febre.

Essa discussão se aproxima muito daquela de qualidade de clipping para apresentar ao cliente. Como determinar também a importância de uma nota ou reportagem sobre a companhia publicada nos jornais, revistas e emissoras de televisão? A centimetragem por coluna – que compara o espaço da matéria com o de um anúcio para dizer ao cliente o quanto ele está “economizando” continua sendo usado.

Outros modelos surgiram. Máquina da Notícia e CDN criaram novos recursos. Daqueles que consideram os resultados de pesquisas feitas com formadores de opinão, jornalistas, políticos, economistas, sociólogos. Mas se eu atendo uma empresa em Salvador, sem filiais espalhadas pelo Brasil, mas tem grande potencial para comunicação localmente. Pra que esse ranking que joga Valor Econômico e Estadão lá pra cima na pontuação quando uma notícia no *Diário de Salvador, que circula em alguns bairros específicos teria um efeito muito melhor para a companhia?

Não sei se há uma resposta exata para isso e, claro, vai depender muito do que se pretende, da estratégia que a empresa pretende seguir, do tipo de ação ou divulgação. E essa discussão sobre relevância dos blogs esquentou nos últimos dias com as mudanças promovidas em um site que se tornou referência: Blogblogs.

Usado por muitos para identificar alguns dos principais blogueiros, sofreu com a estratégia de um meme intitulado “Mamãe eu quero subir no Blogblogs”. Com uma campanha grande em que uns ofereciam links aos outros, alguns blogs até então desconhecidos ou considerados irrelevantes ocuparam posições importantes e chegaram a tirar o Interney da liderança. Isso mexeu com o ego de tanta gente. Basta dar uma olhada nos comentários postados sobre o assunto no Twitter.

O próprio criador do Blogblogs admitiu que há falhas que permitem espertinhos aumentarem suas posições. Artimanhas para isso não faltam, é verdade. Mas, qual é mesmo o motivo que levaria uma empresa a se comunicar com um blog? O número de visitantes? O número de comentários para cada post? Talvez, mas isso é métrica de mídia tradicional. Volume. É isso que a empresa quer? Quantidade?

Para se ter uma idéia, estava vendo uma reportagem sobre as enchentes em Santa Catarina. Essa é a principal pauta dos telejornais da TV. Ao navegar por milhares de blogs, verá que uma grande maioria publicou algo sobre o tema. Muitos dos textos são sem sentido, escritos às pressas, muito provavelmente com o intuito de atrair visitantes, nada mais. Os blogs acabaram se tornando mainstream então? Acredito que sim e por isso muitos deles estão perdendo o encanto que tinham, quando foram criados anos atrás.

Então devemos abandoná-los da estratégia de comunicação? Claro que não. É mídia, é meio e deve ser considerado como tal. Alguns inclusive, conhecem muito bem o mercado sobre o qual escrevem. Melhor até que boa parte dos jornalistas do setor. Não conhecem a Bia Kunze, por exemplo? Ela é dentista por formação, mas tenham certeza que ela entende muito mais de mobilidade do que a maioria dos jornalistas de tecnologia e telecom que conheço. Por qual razão não considerá-los se até mesmo relacionamento com celebridades, esportistas, entre outros públicos a empresa quer fazer ou manda a assessoria fazer, como bem lembrou minha amiga e guru Martha Funke?

Minha crítica, na verdade, está exatamente no processo de seleção de cada um deles para criar um relacionamento com a empresa. O autor do Dois Expressos escreveu um excelente texto sobre a questão de relevância dos blogs que resume bem o meu ponto de vista sobre o tema.

Ao contrário do que escrevi há muito tempo aqui, esqueçam estes rankings. Eles não dizem nada e só ajudam a confundir e gerar burburinho sem efeito prático algum para o seu cliente. Sempre surgem outros. Se fossem levados realmente a sério e contassem com métricas e metodologias incorruptíveis, os blogs com fotos de pornografia liderariam qualquer um deles.

Se tiver que buscar blogs para se que seu cliente se relacione com ele, analise a qualidade do conteúdo, conhecimento do autor sobre o tema, nível que ele tem de interatividade com seu público, quem são as pessoas que visitam e comentam cada post publicado, relação direta que ele e o público dele tem com seu produto ou serviço, exposição em outros blogs que realmente interessam. Pensar nisso vale muito mais a pena e dar um resultado positivo para o que se pretende. Relevância quem dá é conteúdo e qualidade. Quantidade é sempre bom, mas não significa o melhor negócio.