Inovação digital

Não. Antes que me questionem, já aviso que não recebi nada por este post. Decidi escrever porque fiz o curso “Ações inovadoras em Comunicação Digital” na ESPM e achei uma excelente opção para quem deseja entender melhor o cenário desse novo mundo virtual e ter contato com pessoas que valem a pena.

Quando participei como ouvinte, tive a oportunidade de assistir palestras sensacionais. Além da própria Sandra Turchi e do Gil Giardelli, só para ficar em alguns outros nomes: Martha Gabriel, Hernani Dimantas, Paris Neto, Andrea Orsolon, Ricardo Cavallini, entre outros. Vale a dica. A próxima turma começa dia dois de junho.

Anúncios

Dúvidas do mercado sobre a relevância dos blogs

Tem algo que ainda permanece uma incógnita para a maioria dos assessores de imprensa e relações públicas. Como determinar a relevância de um blog para propor ao seu cliente uma ação, o envio de release ou de um convite para a coletiva de imprensa? A popularização do meio blog incentivou diversas agências a partirem para o ataque, até mesmo sob a ferrenha pressão de clientes. Virou febre.

Essa discussão se aproxima muito daquela de qualidade de clipping para apresentar ao cliente. Como determinar também a importância de uma nota ou reportagem sobre a companhia publicada nos jornais, revistas e emissoras de televisão? A centimetragem por coluna – que compara o espaço da matéria com o de um anúcio para dizer ao cliente o quanto ele está “economizando” continua sendo usado.

Outros modelos surgiram. Máquina da Notícia e CDN criaram novos recursos. Daqueles que consideram os resultados de pesquisas feitas com formadores de opinão, jornalistas, políticos, economistas, sociólogos. Mas se eu atendo uma empresa em Salvador, sem filiais espalhadas pelo Brasil, mas tem grande potencial para comunicação localmente. Pra que esse ranking que joga Valor Econômico e Estadão lá pra cima na pontuação quando uma notícia no *Diário de Salvador, que circula em alguns bairros específicos teria um efeito muito melhor para a companhia?

Não sei se há uma resposta exata para isso e, claro, vai depender muito do que se pretende, da estratégia que a empresa pretende seguir, do tipo de ação ou divulgação. E essa discussão sobre relevância dos blogs esquentou nos últimos dias com as mudanças promovidas em um site que se tornou referência: Blogblogs.

Usado por muitos para identificar alguns dos principais blogueiros, sofreu com a estratégia de um meme intitulado “Mamãe eu quero subir no Blogblogs”. Com uma campanha grande em que uns ofereciam links aos outros, alguns blogs até então desconhecidos ou considerados irrelevantes ocuparam posições importantes e chegaram a tirar o Interney da liderança. Isso mexeu com o ego de tanta gente. Basta dar uma olhada nos comentários postados sobre o assunto no Twitter.

O próprio criador do Blogblogs admitiu que há falhas que permitem espertinhos aumentarem suas posições. Artimanhas para isso não faltam, é verdade. Mas, qual é mesmo o motivo que levaria uma empresa a se comunicar com um blog? O número de visitantes? O número de comentários para cada post? Talvez, mas isso é métrica de mídia tradicional. Volume. É isso que a empresa quer? Quantidade?

Para se ter uma idéia, estava vendo uma reportagem sobre as enchentes em Santa Catarina. Essa é a principal pauta dos telejornais da TV. Ao navegar por milhares de blogs, verá que uma grande maioria publicou algo sobre o tema. Muitos dos textos são sem sentido, escritos às pressas, muito provavelmente com o intuito de atrair visitantes, nada mais. Os blogs acabaram se tornando mainstream então? Acredito que sim e por isso muitos deles estão perdendo o encanto que tinham, quando foram criados anos atrás.

Então devemos abandoná-los da estratégia de comunicação? Claro que não. É mídia, é meio e deve ser considerado como tal. Alguns inclusive, conhecem muito bem o mercado sobre o qual escrevem. Melhor até que boa parte dos jornalistas do setor. Não conhecem a Bia Kunze, por exemplo? Ela é dentista por formação, mas tenham certeza que ela entende muito mais de mobilidade do que a maioria dos jornalistas de tecnologia e telecom que conheço. Por qual razão não considerá-los se até mesmo relacionamento com celebridades, esportistas, entre outros públicos a empresa quer fazer ou manda a assessoria fazer, como bem lembrou minha amiga e guru Martha Funke?

Minha crítica, na verdade, está exatamente no processo de seleção de cada um deles para criar um relacionamento com a empresa. O autor do Dois Expressos escreveu um excelente texto sobre a questão de relevância dos blogs que resume bem o meu ponto de vista sobre o tema.

Ao contrário do que escrevi há muito tempo aqui, esqueçam estes rankings. Eles não dizem nada e só ajudam a confundir e gerar burburinho sem efeito prático algum para o seu cliente. Sempre surgem outros. Se fossem levados realmente a sério e contassem com métricas e metodologias incorruptíveis, os blogs com fotos de pornografia liderariam qualquer um deles.

Se tiver que buscar blogs para se que seu cliente se relacione com ele, analise a qualidade do conteúdo, conhecimento do autor sobre o tema, nível que ele tem de interatividade com seu público, quem são as pessoas que visitam e comentam cada post publicado, relação direta que ele e o público dele tem com seu produto ou serviço, exposição em outros blogs que realmente interessam. Pensar nisso vale muito mais a pena e dar um resultado positivo para o que se pretende. Relevância quem dá é conteúdo e qualidade. Quantidade é sempre bom, mas não significa o melhor negócio.

Mais uma campeã

Uma amiga escreveu contando algo muito bizarro que aconteceu com ela na semana passada. Convidada para um evento de uma grande empresa a ser realizado no interior de São Paulo, com presença do chairman global da companhia, aquele auê todo com a “gringaiada”, foi para cobrir. Seguem os fatos:

Do lado jornalístico da história: os jornalistas tiveram que ficar por duas horas andando atrás do cidadão gringo. Na hora em que a sala especial equipada com produtos da empresa foi apresentada, somente o tal executivo teve acesso. Os jornalistas não ouviram necas do que foi mostrado.

O almoço começou a ser servido, porém, teve de ser interrompido no meio. Isto porque o Sr. Gringo decidiu que voltaria para São Paulo meia hora antes, de modo que ele teria tempo para apenas três perguntas dos jornalistas.

Neste ponto começa mais uma pérola. Essa amiga jornalista deixou a sala às pressas para a entrevista e, quando voltou, o casaco e o celular dela que estavam na cadeira simplesmente desapareceram. Ninguém sabe, ninguém viu. Para não atrasar o resto do pessoal ela decidiu vir embora junto com todo mundo, mas pediu que o pessoal da assessoria procurasse. Isso foi na quarta-feira passada.

Na quinta-feira, à tarde, a assessoria de imprensa entrou em contato para avisar que a pessoa que poderia saber onde estava (que cuida lá dos achados e perdidos do local da coletiva) só estaria lá na sexta-feira. No dia seguinte, então, ligaram para dizer que a tal pessoa que poderia resolver o problema não havia sido localizada ainda. Mais para o fim da tarde, minha amiga jornalista ligou para a assessoria para saber o que poderia ser feito. A resposta foi: “não sabemos o que dizer”.

Sem contar que quando essa amiga chegou ao escritório (redação) direto do evento, já havia um release que tinha sido enviado duas horas antes com todos os detalhes do evento – inclusive aqueles que ela não conseguiu ouvir na tal sala com o Gringo.

Recapitulando: ficou sem o casaco, sem o celular e sem a notícia, já que o pessoal que não topou o evento ficou na redação recebeu um release com mais informações do que as que foram obtidas por quem estava no evento. Ah, uma última informação: o celular ela ganhou de presente do marido cinco dias antes do fato.

Concorrência digital

Para quem está de olho, neste momento acontecem dois eventos bem interessantes que dizem respeito aos meios digitais e seus rumos. Um deles é o da Now Digital, com gente famosa, gurus gringos etc. É #digitalage08. É possível acompanhar em tempo real o que esta acontecendo por aqui. O outro, #spdigital, trata de uma discussão realizada em um lan house de São Paulo para falar sobre política pública de inclusão digital e nuvem de conexão na cidade. Também pode ser acompanhado (com áudio e vídeo) aqui.

Reclamação geral

Em várias ocasiões coloquei aqui a discussão sobre a real necessidade de uma coletiva de imprensa. Todos sabemos que nada substitui o presencial, a conversa pessoal com os executivos, perguntas diretas. Mas a presença anda cada vez mais complicada. Nas últimas das quais participei conversei com vários colegas, na chegada e na saída, e fiquei surpreso com a falta de paciência generalizada.

Os atrasos para o começo do evento são habituais. Mas vou fazer as contas porque acho que a maioria das assessorias não contabiliza partes importantes na realização de uma coletiva. Em um dia de sorte, saí do Pacaembu e cheguei em 15 minutos no Itaim (normalmente levaria meia hora). Ok, isso foi atípico para São Paulo. A coletiva, marcada para 12h, começou por volta das 13h. Tudo transcorreu normalmente, apresentações seguidas de perguntas e respostas. Considerem que o evento foi encerrado por volta das 14h45, já com as sobremesas na mesa. Pedi o táxi. Resumindo, cheguei na redação 15h35. Ou seja, mais de três horas. Não vou dizer perdidas porque foi interessante, tinha conteúdo. Mas é muito tempo gasto.

Táxi e trânsito consomem um tempo importante dos jornalistas hoje em dia e isso precisa sim ser considerado. “Deviam usar mais a teleconferência ou coletiva via web”, confessou um jornalista que também aguardava o carro na saída há alguns minutos.

Compromisso

Um ponto que eu queria ressaltar é o fato de fazer o evento começar no horário. Convencionou-se que a coletiva sempre tem início uma hora depois da combinada. Até mesmo os jornalistas atrasam porque já sabem disso, portanto, também são culpados por isso. Quem chega cedo, como é o meu caso, sempre é prejudicado e vê uma hora passar e a bexiga encher de tanto copo de água na espera.

Uma dica? Comecem no horário previsto. Os colegas que atrasarem para chegar que se expliquem com seus editores, com seu público leitor, que paguem mico de ficar fazendo perguntas já respondidas pelos executivos. Ele vai perder um pedaço da coletiva um dia, mais uma parte em outro e vai começar a se policiar para chegar no horário. Chega de perder três ou quatro horas em uma coletiva de imprensa. Depois tem gente que me pergunta porque ando sumido.

Apenas um clique

Chavões à parte, é muito comum assessores de imprensa ligarem para fazer follow com online sem antes dar uma olhada no portal da publicação. E, claro, a nota já foi publicada! Vejam a peripécia pela qual passou o amigo Vinicius Cherobino:

Executivo norte-americano, da maior empresa de software como serviço do mundo, uma das que mais crescem em TI, etc, etc, etc. Exclusiva antes com veículo “de negócios”, palestra, exclusiva depois para veículo “de TI”. Apesar desse tipo de entrevista ser meio roleta-russa, por várias vezes volto para a redação com apenas o trânsito do caminho, lá vamos nós.

“Um pequeno probleminha de atraso. Tem problema?”. Não, nenhum, assisto a palestra feita em fast foward. “Olha, outro probleminha. Só pode falar 10 minutos ou ir no táxi. Você pode ir no táxi?”. (Já repararam como o diminutivo é usado para atenuar uma declaração? Notaram tbm que simplesmente não adianta?)

Opa, veja bem, não era bem isso o combinado… “Mil perdões. Acontece” e coisa e tal… Ah, ok, vamos. Não tenho mais nada para fazer mesmo, ia ficar dormindo sobre o teclado… E vai q tem algo interessante a dizer. Bastante simpático, o executivo me chama por um apelido e vai desfiando a ladainha da comunicação corporativa… Uma informaçãozinha aqui, outra acolá, e vamos conversando no trânsito parado da Pinheiros.

Pergunto sobre a dificuldade dessa companhia em adentrar o segmento de grandes corporações. Seus olhos brilham. Viu, no Brasil, um cliente grande, duas mil licenças, “Implementamos em sete dias!”. Teve alguma dificuldade em falar Camisa*, esse /a/ aberto antes de sílaba tônica é mortal para americanos.

Que legal, eu penso. Exatamente o caso de sucesso que eu pedi há semanas. Sou informado, pela assessora, que esse mesmo caso foi passado com exclusividade para o entrevistador anterior. Que legal, eu penso. Vocês poderiam ter avisado o executivo…

Não fica tão legal qdo eu penso q o case q me passaram – com exclusividade – tem 40 licenças e um suposto viés mais técnico. Que não existe o tal viés, o case é só muito menor. Ah, pra lembrar, é de 2005. Nada contra prioridades nas assessorias, ninguém é ingênuo, mas façamos o mínimo…

Volto pra redação, subo a nota, vou para um almoço com outra fonte. Meu celular toca algumas vezes, imagino q na redação já tenha recados. De fato, tinha mesmo. Post-it na tela, voice-mail, etc… Paciente, ligo.

“Ah, Vinícius, queríamos q vc falasse com o outro executivo antes de publicar qualquer coisa”. Que legal, eu penso. Não se deram ao trabalho nem de entrar no site. O site tem 200 mil visitantes únicos por mês e eles não se deram ao trabalho de olhar o site. Bacana.

“Outros mil perdões, sabe, vcs são muito importantes para nós”, etc, etc… Ah sim, claro, cheguei a notar. Só conseguia pensar como o discurso era parecido com gravação de call center.

As coletivas

Já publiquei várias histórias interessantes de coletivas. Conversando dia desses com um amigo que está morando em Los Angeles e frilando de lá, ele me passou um link ótimo de seu blog. Ele conta algumas das peripécias de jornalistas em coletivas de famosos. Vale a pena dar uma lida enquanto não consigo mais tempo para colocar coisas novas por aqui.

O nervosinho na coletiva de imprensa

Colaboração de Patrícia Lisboa. A história é real, ok?

Estava tudo muito bem, tudo muito bom. Era apenas mais um almoço de fim de ano com o lançamento de mais produto que mudaria os rumos da humanidade. Fora o mega atraso dos porta-vozes, a coletiva parecia normal.

Infelizmente não havia muitos colegas presentes, então eu e mais dois jornalistas começamos a fazer as perguntas. Em uma sala pequena, com todos em volta de uma mesa, a entrevista se tornou, aparentemente, um bate-papo.

Eis que, em certo momento, percebe-se que o produto novo já havia sido lançado há algum tempo e que dali não sairiam muitas coisas boas. Naturalmente, questionamentos sobre números da empresa foram surgindo.Virado para nós três, o CEO da companhia respondia algumas coisas e se esquivava da maioria delas.

Foi então que um ser, até então não percebido (pelo menos por mim) na sala, se levanta, bate na mesa e grita: “Que sacanagem!!!!! O produto é mó bom, vocês ficam pressionando o executivo pra saber números que ele não dirá e no final acabarão saindo daqui e não escrevendo nada”.

Frente ao nervoso e descontrole do rapaz, tentamos argumentar que aquilo era uma coletiva de imprensa e que qualquer pessoa poderia fazer perguntas. A tentativa foi em vão e o rebelado não parava de nos acusar de coagir o CEO.

Nesse momento, não me contive e comecei a rir. Muito. Os colegas ao meu lado também. A assessora achou melhor encerrar o evento por ali e nos levar até o restaurante onde íamos almoçar.

Escoltado pelos executivos da empresa, o jornalista foi na frente de todo mundo, parecendo ser consolado. Chegando ao restaurante, era hora de pedir as bebidas. Eis que surge a piada infame e alguém diz: “Pede um suquinho de maracujá pro moço que está tenso”. Caí na risada de novo, o moço se estressou de novo e o almoço continuou. Em silêncio, mas continuou.