A profissionalização da blogosfera

Há pouco participei de um evento, o ExpoY, em um painel para tratar sobre a profissionalização da blogosfera. Eu gosto desse tema, mas sei que minha visão confronta muito o pensamento dos chamados pró-bloggers. Não tenho nada contra esses profissionais. Estão fazendo seu papel. A minha crítica, entretanto, recai sobre o modelo, a forma como isso vem acontecendo. Melhoramos? Sem dúvida, mas ainda estamos longe de dizer que temos um mercado profissional.

É óbvio que há gente trabalhando com categoria, transformando o que seria um simples blog em um negócio. O Papo de Homem, criado por Guilherme Valadares, por exemplo, deixou de ser há muito tempo um blog para se transformar num verdadeiro portal. Seu mídia kit já se tornou referência para o mercado. O Tecnoblog, de Thiago Mobilon, também já está em um outro patamar. Infelizmente, são casos raros ainda no Brasil.

Gosto de usar como exemplo o nicho de blogs que tratam de tecnologia nos Estados Unidos. Possuem hoje estruturas semelhantes ás de redações. Furam, produzem especiais, faturam. Contam com padrões estruturados de comercialização de espaço para anunciantes. Estão prontos para assumir a brecha de comunicação deixada de lado nos últimos anos pelos jornais, revistas e grandes portais.

Precisamos entender que muitos dos blogs estão se tornando mainstream, ou seja, alcançam em vários casos até mais audiência do que veículos tradicionais de comunicação. Então, qual é a razão para não evoluir e trasformar isso tudo em oportunidade? Afinal, há dinheiro, as empresas querem participar dessa conversa.

Aqui, as agências de publicidade continuam alimentando formatos arcaicos de posts patrocinados, participação patrocinada em eventos, envio de mimos para blogueiros. Sim, agências de publicidade, relações públicas e mídias sociais. Temos de olhar a outra ponta. É a mesma relação da corrupção, que só existe enquanto houver corruptores. Elas continuam alimentando esses modelos. Aí, fica difícil de mudar.

A mistura de conteúdo editorial com comercial não é novidade. E, acredito, há até modelos inteligentes e discretos, que não são um tapa na cara de quem busca apenas conteúdo relevante. O problema é a banalização e falta de valorização das plataformas comerciais como válidas e justas. Se você trabalha em uma agência de comunicação (seja ela de RP, publicidade ou mídias sociais), gosta de determinado blog e de seu conteúdo, ajude o autor a se manter. Ajude-o a manter o padrão de qualidade. Ajude-o a criar uma estrutura comercial, material comercial, valorizar a sua produção. Não precisa ser na forma como é hoje.

Dessa forma, ganha a empresa (cliente), ganha a agência e ganha o blogueiro. Será possível padronizar o mínimo possível nessa relação comercial e editorial, facilitando o dia a dia e o negócio para todas as pontas. Vai ser bom para todos.

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Mudança de geração

Costumo sempre entrar nesse assunto de gerações quando falo sobre adoção de redes sociais nas empresas. Já disse por aqui algumas vezes que os responsáveis pela tomada de decisão nas empresas ainda são reticentes na hora de “comprar” essas novas mídias e tecnologias. Com certo sentido. Foram criados e se tornaram profissionais em um momento completamente diferente do que vivemos hoje.

Se é difícil comprrender esse universo digital – até para nós, que crescemos nele – imagina para os mais experientes (para não dizer idosos). As mudanças são brutais. E vêm acontecendo de forma muito mais rápida. Tudo está se movendo e acontecendo muito rápido. E uma propaganda me fez refletir ainda mais sobre isso.

Sou um crítico ácido em relação à publicidade. Mas o melhor exemplo do que estou falando vem do comercial recente do Itau. Assistir é o suficiente. Não há necessidade de explicações.

O conteúdo das agências

Há alguns anos tornou-se algo comum as agências de comunicação e assessoria de imprensa oferecerem serviços de produção de conteúdo para seus clientes. Afinal, boa parte das informações relevantes passam pelas mãos dos atendimentos. Mais um serviço, mais faturamento, pronto, segue o jogo.

Aí apareceram as mídias sociais. Mais um produto para as agências de comunicação. Administrar os perfis oficiais de clientes nas redes sociais exige uma grande produção de conteúdo. Além disso, temos de considerar as diversas plataformas. É vídeo, é foto, é texto, é microtexto.

O difícil, porém, é vender toda essa história para o cliente. O mercado precisa compreender melhor esse universo de comunicação que se abriu. Então vamos “evangelizar”, certo? Exato. E não é ironia nem crítica, acho que é o caminho certo mesmo.

Reparem. As agências passaram a produzir muito conteúdo proprietário. Não vou listar aqui para não parecer injusto, mas acesse o site de algumas das principais assessorias de imprensa do País. Dê uma vasculhada em seus perfis no Twitter. Você pode se surpreender. Tem muito conteúdo de qualidade e dados preciosos, especialmente sobre redes sociais.

Quer uma ajudinha?

Provocação – e não é que ele voltou?

Na época – e isso já faz um bom tempo – muitos boatos surgiram sobre o autor (ou os autores) desse blog. Pouco importa, mas ele está de volta. Acesse e confira por si só: http://jabanao.wordpress.com/

Apesar do anonimato, as informações são bastante preciosas. O blog conta um pouco dos bastidores de algumas redações e da relação entre o jornalismo e as companhias. E não me venham com acusações. Sim. Eu já fiz parte do time do jabá quando estava em redação. Se por vontade ou por obrigação é outra discussão!

Lição de casa

Como bem sabem – se é que ainda há alguém acompanhando este blog – está difícil manter uma atualização freqüente. E vou ser sincero: não esperem que, prestes a entrarmos no Natal, eu passe a publicar mais coisas por aqui :-).

Enfim, deixo aqui para esse período de férias coletivas alguns links bacanas que encontrei e que podem ser lidos e analisados. São vários artigos e papers com conteúdo bem bacana. A maioria, claro, foi feita por gringos:

Não gostou? Pode meter o pau ou, então, complementar a lista!

A dificuldade das métricas em RP Digital

Trabalhar a comunicação digital é algo ainda bastante novo e, por mais que haja bastante profissionalismo, pesquisa e esforço, a maioria das empresas e agências ainda está em busca de padrões e modelos de atuação eficientes. Assim como na mídia tradicional, a parte mais complicada está na mensuração dos resultados.

Em assessoria de imprensa, a velha estrutura de centímetros por coluna continua sendo utilizado. E é realmente difícil encontrar novos modelos, afinal, na prática estamos falando de algo intangível (imagem/reputação/capital social). Quais são, então, as métricas ideais?

Não tenho a resposta correta e, creio, ninguém tenha com muita convicção. Acho até que já falei algumas vezes sobre isso por aqui, mas o tema vem martelando na cabeça nos últimos dias. Como criar padrões que definam a relevância de um blog, ainda mais se considerarmos que boa parte dos blogs chamados grandes – pelo volume de acessos – está se tornando mainstream? E no twitter, como determinar a importância dos seguidores de uma pessoa, o número de cliques é mais importante que o de retweet?

Outro dia mesmo vi um executivo que estava analisando um projeto em mídias sociais comparar quanto ele gastaria para atingir um consumidor ou prospect por meio das redes estimadas para a campanha e quanto ele teria de desembolsar para atingir o público no ponto de venda. Fiquei me perguntando até que ponto esta comparação é válida. São canais completamente diferentes, a forma de abordagem é diferente, um está mais consolidado que outro, o volume de consumidores em um e outro ainda é desproporcional.

Por mais que falemos de imagem e marca, as empresas continuam em busca de resultados mais palatáveis, relatórios completos e concisos que contenham cruzamento de informações e provem por A + B que aquela ação, de alguma forma, trouxe mais consumidores e, por consequência, mais vendas. E é em busca disso que todo o mercado está.

Há algumas boas estratégias, como a descrita no vídeo abaixo (em inglês) por Amy Martin, da Digital Royalty:

O IAB (Internet Advertising Burear) também já divulgou um documento falando sobre a definição de métricas nestes novos canais. Andre de Abreu também passa bem pelo tema neste post do Intermezzo. Edney Souza oferece uma boa apresentação sobre o assunto, vale conferir.

O negócio é continuar pesquisando até acharmos um modelo que possa ser aplicado e replicado.

Porque os guias corporativos de mídias sociais não pegaram no Brasil?

iconesocialmedia

Eu e minhas perguntas. Vou começar o post logo com uma. É possível delimitar a utilização das mídias sociais em favor da comunicação? A primeira resposta que vem à cabeça e parece bem clara: seu estúpido, claro que não!

Concordo. Em partes. Quando falamos de gestão de reputação, valor de marca, percepção do mercado em relação à empresa, produto ou serviço, o buraco é mais embaixo. Cuidar da reputação de uma organização ou marca é um negócio bastante complicado. E tudo isso pode ser destruído em apenas poucos minutos e, porque não, por um próprio funcionário.

Entendam que não estou dizendo que as empresas precisam coibir a livre expressão de opinião. Mas é preciso separar um pouco as coisas. Nem sempre a visão da empresa é a mesma de um colaborador e vice-versa. Isso pode causar conflitos extremos e prejuízos enormes para uma corporação. Aliás, como sempre, Mauro Segura – da IBM, que inclusive é uma das empresas mais conectadas e que mais estimula a comunicação – escreve muito bem sobre isso aqui e aqui.

Sempre que me questionam sou enfático: sou contra o bloqueio de ferramentas de comunicação digital – inclua aí MSN, Twitter, etc. Acho que a orientação e treinamento podem ser muito mais vantajosos e proporcionarem resultados mais surpreendentes do que o cerceamento (tá, já sei, os diretores de tecnologia me odeiam por conta disso).

Um material bem produzido para demonstrar o que é, como funciona e, principalmente, maneiras éticas e transparentes de utilizar a comunicação seria algo que ajudaria bastante. E isso é chamado lá fora de Social Media Guide, mas é melhor mesmo um guia de mídias sociais, dedicado exclusivamente aos colaboradores/funcionários.

Como de costume neste mercado digital, não existe receita de bolo pronta. Montar este guia não é tão simples como parece. É preciso entender primeiro como funcionam os processos de comunicação da empresa, de que forma os colaboradores estão inseridos neste contexto, qual a relação deles com as mídias sociais e assim por diante. Mas acho que vale a pena pensar nisso. As empresas deveriam apostar mais nesse tipo de conteúdo.

Separei alguns links que podem ajudar:

Guia preparado pela Intel
Guidelines da IBM
Material da BBC sobre o tema
Conteúdo excelente de Brian Solis

Conhece mais algum bacana? Indique nos comentários.