A coletividade dos blogs

Falei há pouco sobre o fenômeno do blogcídio. Ainda neste nicho, outro movimento interessante é o da colaboração. A internet é um ambiente extremamente colaborativo. Foi sob esse cunho que ela conquistou o mundo, permitindo interações entre pontos antes completamente distantes. E essa é, talvez, a maior vantagem da rede.

Preste atenção. Espaços que antes eram mantidos apenas por uma, no máximo duas pessoas, ganharam novos escritores e participações. Isso ocorreu, inclusive, com alguns dos blogs de grande relevância e alto volume de visitas na web brasileira. Foi o caso do Brainstorm9, especializado no mercado de comunicação e publicidade, antes mantido apenas por Carlos Merigo.

Com Alex Primo, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS, não foi diferente. Conta com o apoio de Mariana Oliveira e mesmo Gilberto Consoni também já escreve por lá. Isso apenas para ficar em dois exemplos básicos. Se vasculharmos este ambiente digital específico, certamente encontraremos mais uma dezena de exemplos do gênero.

A valorização do blog como ferramenta importante de comunicação – e de voz ativa das pessoas e seus pensamentos – exigiu uma produção maciça de conteúdo independente e opinativo. Logo, os autores começam a ser encarados como mainstream. Têm uma espécie de obrigatoriedade em manter e ampliar seus públicos.

Soma-se a isso, o fato de ganharem mais relevância em seus mercados, tornando o pouco tempo ainda mais escasso. Com um time maior, é possível manter a frequência de conteúdo.  Não acho isso ruim. Ao contrário, são mais vozes com opiniões diversas a serem analisadas. Ganha o público, desde que a produção de conteúdo não fique banalizada ou distorcida, algo que vem acontecendo com grande assiduidade na grande imprensa.

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O fenômeno do blogcídio

Já escrevi aqui – ou será que apenas pensei algo? – sobre a possibilidade de encerrar este espaço. E isso ainda continua vivo na minha cabeça. A velha desculpa da falta de tempo. Mas é a pura verdade. A cada dia fica mais difícil manter esse espaço atualizado, acompanhar todas as novidades e assim por diante.

Não, não se desespere. Ainda não será dessa vez. Vou resistir um pouquinho mais e ver até quando consigo levá-lo. Mas o tema deste post é justamente esse. Depois daquela onda enorme do que se chamou de orkuticídio, chegou a vez do blogcídio. Não sei se isso é um fenômeno causado essencialmente pelo Twitter, mas está pegando gente grande, importante e de qualidade.

Mas só para termos ideia, nos últimos tempos o movimento foi grande. Alguns fechados por problemas processuais mesmo, como é o caso do Nova Corja. Mas a grande maioria vem morrendo porque seus criadores conquistaram um lugar ao sol e/ou não estão conseguindo dar a devida atenção a seus espaços. Só para termos uma ideia:

O jornalismo morreu” foi assassinado por Jorge Rocha.
Garotas que dizem ni também foi pro beleléu.
Ao Mirante, Nelson! deixou a vela cair.
Por dentro das empresas, da Exame, também baixou as portas.
SimViral se despede do mundo.

E a lista não pararia por aí. Tem muito mais que não consegui me lembrar. E o público – que não era pequeno – ficou órfão! Como resolver essa equação?