As agências de comunicação e as mídias sociais

Já está disponível a segunda edição do levantamento que avalia o uso e a percepção das agências de comunicação – e seus profissionais – em relação às mídias sociais.

A base é quase a mesma do número de participantes do ano passado, mas a pesquisa traz alguns dados complementares e novas informações como, por exemplo, a empresa com presença digital que é considerada referência para quem atua nas assessorias de imprensa.

Houve, sem dúvida,  uma grande evolução do conceito e dos modelos de mídias sociais dentro das agências. Apesar disso, a justificativa do ROI – como já acontece com assessoria de imprensa – continua sendo uma das maiores dificuldades desse mercado, assim como demonstrar o real valor do trabalho.

Enfim, estas são apenas algumas informações. Confira os principais resultados, participe e comente:

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Pesquisa – RP Digital

Sim, está bastante atrasada a pesquisa deste ano. Em breve, porém, teremos a análise completa. Enquanto isso, deixo aqui algumas considerações que já foram percebidas:

  • Em 2009 realizamos uma pesquisa para identificar o perfil do profissional de comunicação nas redes sociais e como ele utiliza esses recursos. Dessa vez, além de retomar o tema, a meta foi ampliar o volume de informações sobre este segmento;
  • Um longo questionário foi desenvolvido e distribuído apenas no ambiente digital;
  • Na edição 2010, 197 profissionais liberais de comunicação e de diversas agências participaram voluntariamente, base muito semelhante a do ano passado;
  • A maioria dos participantes é do sexo feminino (60%), do estado de São Paulo (57%) e formado em jornalismo e RP (71%);
  • Nesta edição houve uma grande participação – quase 50% com até 20 colaboradores – de agências de pequeno porte (47%). No total, mais de 114 agências participaram.
  • Até por conta dessa informação, é possível perceber que os donos/presidentes (15%) aparecem em volume grande;
  • A maior parte dos respondentes tem entre 18 e 30 anos (59%), o que demonstra um público bastante jovem.

Mídia alternativa? Talvez…

Gostei muito do texto escrito por Thais Pontes para o Yahoo! Posts. Em poucas linhas ela resumiu bem o que vem se tornando o mercado de blogs no Brasil. Ela levanta um ponto crucial do modelo/mercado de mídia social atualmente.

Sim, tudo é novo ainda para as empresas. Sim, é um mercado sem consolidação suficiente que gere metodologias padronizadas. Os blogs estão se transformando em mídia tradicional? Não sou contra – nem nunca fui – ao modelo de post pago. Aliás, nem sei porque retomei essa já batida discussão. Assim como em diversos mercados, se há produção de conteúdo relevante, creio que ela precise ser remunerada. Ninguém trabalha de graça. O ditado “tempo é dinheiro” continua mais válido do que nunca.

Mas é perceptível que muitos blogs perderam a espontaneidade e a liberdade editorial/criativa por conta de suas amarrações comerciais. Parecem muito mais próximos de veículos de comunicação do velho mundo do que imaginam. E teimam em dizer que não, não assumem esse processo como mídia.

O trabalho de RP Digital deve incorporar esse processo de publicidade – se considerarmos que o post ou tweet pago é mídia?

Na teoria sim. Afinal, o conceito puro de RP vai além da assessoria de imprensa, apesar do mercado brasileiro não trabalhar dessa forma. Já trabalhei com empresas que se recusam a fazer post patrocinado porque não querem forçar a barra ou enfiar sua marca guela abaixo do público do blogueiro.

Há milhares de argumentações contra e a favor, mas é algo a se considerar. Em pouco tempo, esse processo será engolido pelos departamentos de mídia das agências de publicidade e fim de papo.

E-book de RP Digital

Confesso que tive esta ideia faz algum tempo. Neste mesmo formato, inclusive, distribuído em PDF de forma gratuita, produzido de maneira colaborativa. Mas o pessoal já fez o trabalho e pelo pouco que li, parece bem interessante.

“Relações públicas digitais – O pensamento nacional sobre o processo de relações públicas interfaceado pelas tecnologias digitais”.

O conteúdo foi construído pelas professoras mestres Carolina Terra (USP), Daiana Stasiak (UFSM) e Judy Tavares (UFAM), do especialista Aurélio Favarin (UEL), dos relações-públicas Laís Bueno e Robson Ferreira, e do acadêmico de relações públicas Mateus Jesus Martins. Enquanto ainda não terminei de ler, #ficadica!

Política de uso de mídias sociais? Código de conduta?

O título é sugestivo mesmo e minha intenção é provocar uma nova discussão. Temos visto uma proliferação considerável do uso das redes/mídias sociais – de nicho ou não – em todas as camadas da população. O monitoramento constante é essencial, mas existe algo que me preocupa ainda mais. Na web há uma liberdade pouco comum ao mundo corporativo e suas características de controle, o que pode trazer alguns problemas.

E quando falo em uma política a ser direcionada aos colaboradores para o uso consciente das mídias e redes sociais, não estou dizendo para engessar o processo e impedir a liberdade de expressão de ninguém. Não vivemos a época de censura. Ao contrário. São apenas algumas recomendações e orientações que podem e devem ser passadas a todos.

Nem sei até se “política de uso” ou “código de conduta” são as expressões ideais. Creio que iniciativas desse gênero nem precisam ser tão formais. Aliás, a formalidade ao extremo pode, inclusive, transmitir uma intenção de controle o que, sabemos, não existe. Boa parte das organizações ainda bloqueia o acesso a esses meios. Mas e quando o funcionário está fora da empresa? E a conexão que eles podem obter via celular?

Por mais que pareça esquisito nesse novo cenário de comunicação distribuída em diversas plataformas, algo precisa ser feito pelas empresas para que possam proteger suas reputações. E não há nada demais nisso. Antes que os corneteiros de plantão atirem as primeiras pedras, gigantes como a Coca-Cola e a IBM já mantêm “códigos de conduta nas redes sociais” para seus colaboradores.

Querendo ou não, em boa parte dos casos, é a marca da empresa que está em jogo. Exemplos negativos não faltam para ilustrar o que atitudes simples podem causar. Anteontem, por exemplo, dois colaboradores com um simples vídeo publicado no Youtube mancharam de maneira significativa a imagem e reputação da rede de fast-food norte-americana Dominos. Eles gravaram cenas em que enfiam partes ingredientes no nariz e passavam os alimentos em outras partes do corpo na hora de compor os lanches.

Em outra história, uma professora de uma escola foi demitida por publicar suas fotos suas de nudez no Flickr. Claro, os alunos descobriram rapidamente. Em outra oportunidade, uma jovem inglesa foi mandada embora por postar em seu perfil no Facebook um comentário de insatisfação com o atual emprego.

E quando a empresa não sabe exatamente o que fazer com comentários em seu blog? A reação pode ser bastante prejudicial. Um especialistas encontrou uma brecha no site de uma companhia aérea e avisou os administradores via blog. E não é que ainda recebeu uma resposta mal educada?

Todos temos direito de dizer o que pensamos e minha intenção nem é estimular as empresas a cercarem ou pressionarem seus colaboradores. Mas também devemos arcar com as possíveis conseqüências, conforme diz a advogada especializada Patricia Peck, nessa entrevista concedida ao IDGNow! Um simples ato, uma frase perdida, entre outras situações que a internet e as redes sociais permitem, podem reduzir a pó reputação, marca e imagem construídas ao longo de muitos e muitos anos.