O conteúdo das agências

Há alguns anos tornou-se algo comum as agências de comunicação e assessoria de imprensa oferecerem serviços de produção de conteúdo para seus clientes. Afinal, boa parte das informações relevantes passam pelas mãos dos atendimentos. Mais um serviço, mais faturamento, pronto, segue o jogo.

Aí apareceram as mídias sociais. Mais um produto para as agências de comunicação. Administrar os perfis oficiais de clientes nas redes sociais exige uma grande produção de conteúdo. Além disso, temos de considerar as diversas plataformas. É vídeo, é foto, é texto, é microtexto.

O difícil, porém, é vender toda essa história para o cliente. O mercado precisa compreender melhor esse universo de comunicação que se abriu. Então vamos “evangelizar”, certo? Exato. E não é ironia nem crítica, acho que é o caminho certo mesmo.

Reparem. As agências passaram a produzir muito conteúdo proprietário. Não vou listar aqui para não parecer injusto, mas acesse o site de algumas das principais assessorias de imprensa do País. Dê uma vasculhada em seus perfis no Twitter. Você pode se surpreender. Tem muito conteúdo de qualidade e dados preciosos, especialmente sobre redes sociais.

Quer uma ajudinha?

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Quanto vale a produção intelectual?

Nas últimas semanas sem querer tem surgido com muita freqüência um tema que me faz perder muito tempo pensando: a cultura do “almoço grátis”. Sim, aquela mesma criada pelo Google, em que tudo que se refira à internet é muito barato ou praticamente de graça. Pensei muito em escrever sobre isso talvez porque esse assunto sempre gera polêmica e já cheguei a falar disso outras vezes.  De qualquer forma, resolvi arriscar.

Falar sobre conteúdo (eu diria produção intelectual) fechado é quase um crime hoje em dia. É o mesmo que dizer em uma rodinha de gente da classe média alta que funk carioca é melhor que Chico Buarque.

Não sou nenhum defensor do Andrew Keen e suas teorias até porque ele está no mesmo nível daqueles gurus que pregam o apocalipse. Mas quanto realmente vale a produção intelectual? Qual é o valor dela hoje? Quanto você está disposto a pagar por uma música, uma reportagem, um filme, um livro? Admito. Também gosto de baixar um disco inteiro na web sem gastar um centavo ou de ler uma boa matéria na íntegra sem desembolsar um centavo. Mas pensei no outro lado (até porque faço parte deste outro lado).

E não digam que sou um ferrenho defensor da propriedade intelectual. Só acho que não há mais qualquer limite e ainda estou bastante confuso. Não há meio termo. Mesmo a flexibilidade – Creative Commons – cabe a alguns modelos, mas não a todos. Como funcionaria na música? Medo? Talvez. Justamente por integrar e viver com base na produção de conteúdo/intelectual.

Abusos há de lado a lado. Do povo que baixa tudo de maneira indiscriminada aos barões da produção intelectual, gananciosos e loucos por lucros estratosféricos.

A estratégia do magnata Rupert Murdoch é condenável? A França também busca alguma alternativa. Manter uma estrutura de produção intelectual de qualidade pode custar bem caro. Mas fico me perguntando se o público realmente quer coisa de qualidade. O sucesso do Youtube e seus vídeos simplificados, o jornalismo objetivo e sem profundidade, o estouro de músicas moldadas para tocar em rádios e mp3 players – aos meus olhos – andam provando que a qualidade talvez não seja o fator essencial para atrair o público.

Além disso, há o lado do venha a mim e ao vosso reino nada. Em conversa no Twitter com o @ibere surgiu algo interessante: já repararam que todo mundo defende o gratuito da coisa quando exerce seu lado consumidor? Em contrapartida, quando a pessoa exerce o lado produtor de conteúdo a história é outra. Acho que vale pensar nessa discussão.

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