Home office: cultura que pesa

Lançamento de novas pistas nas marginais em São Paulo. Promessas de novas linhas de metrô na capital. Muita, mas muita discussão sobre o trânsito caótico de uma metrópole. Basta um pouco de chuva e tudo fica parado. O maior problema dos grandes centros urbanos está no excesso: de gente, de carro, de lojas, de obras, de opções. É tudo muito.

É preciso ter disciplina

Em uma das manhãs, em meio à baderna que tomou conta da cidade, trabalhei de casa. Liguei para a agência e avisei que estaria conectado. Aproveitei e mandei uma frase no twitter: “Ótimo dia para as empresas discutirem e pensarem melhor no home office como futuro nas grandes metrópoles não?”.

Para minha surpresa, essa mensagem foi replicada 18 vezes. E isso representa alguns sinais. O primeiro é que hoje os profissionais precisam ter mais liberdade de locomoção e horário. Esperam por isso. Mas esbarram ainda na cultura empresarial voltada para a presença física ou nos entraves jurídicos trabalhistas na legislação.

Algo, para mim, completamente relativo. Sempre digo que uma pessoa pode passar entre 8 e 12 horas em uma empresa sem fazer absolutamente nada. E o pior: os companheiros podem achar que estou produzindo horrores. Afinal, o que garante a produtividade? Qual a melhor forma de medi-la. Vendo o funcionário trabalhando ou acompanhando a evolução da entrega de seus projetos e jobs, do relacionamento dele com os clientes, do desenvolvimento de ideias e soluções? Isso tudo, claro, exige a presença física para reuniões, alinhamentos, entre outras definições. Mas é necessário estar fisicamente o tempo inteiro?

O segundo é a amplitude do tema. Já citei aqui sutilmente um post de Steve Rubel apontando uma lista com 10 trabalhos que podem ser realizados de qualquer lugar. Isso é de julho do ano passado. Esse número certamente cresceu. Sem contar o volume de ferramentas disponíveis que colaboram e permitem o trabalho remoto.

Outro dia mesmo participei de uma reunião virtual utilizando uma ferramenta free, que permite compartilhar até uma apresentação em ppt ou o que você estiver visualizando na sua tela com as demais pessoas penduradas na conferência (a versão gratuita tem limitação para 3 pessoas). E essa é apenas uma das tantas que estão disponíveis na web.

É bem verdade também que ainda temos sérios problemas de conectividade e instabilidade nos serviços web. Mas essa é apenas uma das pontas da questão e, óbvio, precisa ser considerada.  Há, ainda, a liberação das redes privadas virtuais (VPNs), algo bastante temido pelos profissionais de tecnologia da informação. Soma-se a isso a estrutura (ou falta dela) de que dispõe o colaborador em sua casa.

A questão que fica é: será que os colaboradores já estão preparados para esta realidade? Esse modelo de trabalho remoto exige muita disciplina do profissional. A cama parece chamar o tempo inteiro. A geladeira ao lado repleta de guloseimas que podem ajudar a ganhar alguns quilos. A TV tirando a atenção rapidamente.

Ajustar-se a essa rotina não é nada fácil. Em determinados casos, isso pode ser mais prejudicial do que realmente produtivo. Ficar sozinho, isolado, não é fácil. As pessoas precisam de contato pessoal. Lembro de um período de problemas de saúde. Fiquei três meses em casa e, por vários momentos, senti muita falta daquele papo com os colegas, cafezinho, etc.

De quaquer forma, está mais do que na hora das empresas repensarem o modelo “eu quero os funcionários aqui todos os dias”. Nos Estados Unidos principalmente, o tema vem ganhando muita força. Por aqui ainda estamos engatinhando quando falamos sobre trabalho remoto. Apenas algumas multinacionais, com cultura americana, já utilizam esse recurso, citando, inclusive essa possibilidade no processo de admissão.

As organizações devem fazer alguns testes e garanto que sentiriam grande diferença na produtividade e nos resultados finais – inclusive de custos fixos. Os resultados podem ser surpreendentes. É bem provável que haja um ganho para os dois lados: a empresa reduz custos e ganha um funcionário mais produtivo. O colaboradore terá mais qualidade de vida. Sem testar, fica difícil descobrir. Mas essa é uma boa equação, não?

Ah, quase esqueci. A mídia bem que podia comprar essa “pauta” com mais empenho, não?

Os veículos começam a aprender

Quem atua como jornalista – ou é formado em – percebe que o negócio está feio. O que vem pela frente não é nada animador. Não vou repetir aqui o que todos já falam, sobre a crise da mídia. Os profissionais (jornalistas especialmente) começam a entrar em pânico. Mas há algumas saídas se houver disposição em aprender. Já falei de gestores de mídias sociais nas empresas. Agora vou para o outro lado.

Os jornalões e grande veículos de comunicação foram muito criticados pela postura que incorporaram ao adotar tardiamente a web em suas estratégias. Com as mídias sociais não foi diferente. Agora, correm atrás do prejuízo. Renovar, reciclar conceitos e metodologias em uma redação não é nada fácil. Reunir profissionais mais velhos (pouco habituados a novas tecnologias) e jovens hiperconectados não é um processo que se constrói do dia para a noite. Rodrigo Savazoni e Andre Deak sabem bem do que estou falando a partir da experiência que tiveram na EBC.

Mas, convenhamos, é melhor arriscar do que ficar esperando. E confesso que fiquei surpreso com a pesquisa que fiz rapidamente. Alguns dos principais veículos do País resolveram criar/contratar a figura do editor de mídias sociais. É interessante ver esse movimento e demonstra que pode ser um campo importante para os comunicadores nas redações.

O Estadão já tem o seu. O Terra ampliou o conceito e levou Ana Brambilla para coordenar esse modelo na América Latina. O Zero Hora também anunciou um profissional com essas características, bem como a RBS. A informação que tenho é a de que Marcela Tavares exerce função semelhante no iG. O R7 conta com uma equipe coordenada por Diego Maia. Na Veja, Rafael Sbarai é o responsável por essas iniciativas.

E você, conhece mais algum? Indique. Quem sabe dentro desse processo não seja possível construir um novo NewsCamp ou uma oficina em breve? Reunir esses profissionais para a troca de experiências seria importante e, creio, renderia ótimas conversas e ideias.