Dúvidas do mercado sobre a relevância dos blogs


Tem algo que ainda permanece uma incógnita para a maioria dos assessores de imprensa e relações públicas. Como determinar a relevância de um blog para propor ao seu cliente uma ação, o envio de release ou de um convite para a coletiva de imprensa? A popularização do meio blog incentivou diversas agências a partirem para o ataque, até mesmo sob a ferrenha pressão de clientes. Virou febre.

Essa discussão se aproxima muito daquela de qualidade de clipping para apresentar ao cliente. Como determinar também a importância de uma nota ou reportagem sobre a companhia publicada nos jornais, revistas e emissoras de televisão? A centimetragem por coluna – que compara o espaço da matéria com o de um anúcio para dizer ao cliente o quanto ele está “economizando” continua sendo usado.

Outros modelos surgiram. Máquina da Notícia e CDN criaram novos recursos. Daqueles que consideram os resultados de pesquisas feitas com formadores de opinão, jornalistas, políticos, economistas, sociólogos. Mas se eu atendo uma empresa em Salvador, sem filiais espalhadas pelo Brasil, mas tem grande potencial para comunicação localmente. Pra que esse ranking que joga Valor Econômico e Estadão lá pra cima na pontuação quando uma notícia no *Diário de Salvador, que circula em alguns bairros específicos teria um efeito muito melhor para a companhia?

Não sei se há uma resposta exata para isso e, claro, vai depender muito do que se pretende, da estratégia que a empresa pretende seguir, do tipo de ação ou divulgação. E essa discussão sobre relevância dos blogs esquentou nos últimos dias com as mudanças promovidas em um site que se tornou referência: Blogblogs.

Usado por muitos para identificar alguns dos principais blogueiros, sofreu com a estratégia de um meme intitulado “Mamãe eu quero subir no Blogblogs”. Com uma campanha grande em que uns ofereciam links aos outros, alguns blogs até então desconhecidos ou considerados irrelevantes ocuparam posições importantes e chegaram a tirar o Interney da liderança. Isso mexeu com o ego de tanta gente. Basta dar uma olhada nos comentários postados sobre o assunto no Twitter.

O próprio criador do Blogblogs admitiu que há falhas que permitem espertinhos aumentarem suas posições. Artimanhas para isso não faltam, é verdade. Mas, qual é mesmo o motivo que levaria uma empresa a se comunicar com um blog? O número de visitantes? O número de comentários para cada post? Talvez, mas isso é métrica de mídia tradicional. Volume. É isso que a empresa quer? Quantidade?

Para se ter uma idéia, estava vendo uma reportagem sobre as enchentes em Santa Catarina. Essa é a principal pauta dos telejornais da TV. Ao navegar por milhares de blogs, verá que uma grande maioria publicou algo sobre o tema. Muitos dos textos são sem sentido, escritos às pressas, muito provavelmente com o intuito de atrair visitantes, nada mais. Os blogs acabaram se tornando mainstream então? Acredito que sim e por isso muitos deles estão perdendo o encanto que tinham, quando foram criados anos atrás.

Então devemos abandoná-los da estratégia de comunicação? Claro que não. É mídia, é meio e deve ser considerado como tal. Alguns inclusive, conhecem muito bem o mercado sobre o qual escrevem. Melhor até que boa parte dos jornalistas do setor. Não conhecem a Bia Kunze, por exemplo? Ela é dentista por formação, mas tenham certeza que ela entende muito mais de mobilidade do que a maioria dos jornalistas de tecnologia e telecom que conheço. Por qual razão não considerá-los se até mesmo relacionamento com celebridades, esportistas, entre outros públicos a empresa quer fazer ou manda a assessoria fazer, como bem lembrou minha amiga e guru Martha Funke?

Minha crítica, na verdade, está exatamente no processo de seleção de cada um deles para criar um relacionamento com a empresa. O autor do Dois Expressos escreveu um excelente texto sobre a questão de relevância dos blogs que resume bem o meu ponto de vista sobre o tema.

Ao contrário do que escrevi há muito tempo aqui, esqueçam estes rankings. Eles não dizem nada e só ajudam a confundir e gerar burburinho sem efeito prático algum para o seu cliente. Sempre surgem outros. Se fossem levados realmente a sério e contassem com métricas e metodologias incorruptíveis, os blogs com fotos de pornografia liderariam qualquer um deles.

Se tiver que buscar blogs para se que seu cliente se relacione com ele, analise a qualidade do conteúdo, conhecimento do autor sobre o tema, nível que ele tem de interatividade com seu público, quem são as pessoas que visitam e comentam cada post publicado, relação direta que ele e o público dele tem com seu produto ou serviço, exposição em outros blogs que realmente interessam. Pensar nisso vale muito mais a pena e dar um resultado positivo para o que se pretende. Relevância quem dá é conteúdo e qualidade. Quantidade é sempre bom, mas não significa o melhor negócio.

4 thoughts on “Dúvidas do mercado sobre a relevância dos blogs

  1. Excelente análise.

    Infelizmente, a quantidade ainda prevalece sobre a qualidade. Mas este não é apenas um erro das assessorias de imprensa e das agências de comunicação. Observe os kits de mídia de muitos blogueiros. A audiência e a posição em diversos rankings prevalecem sobre o perfil dos leitores – que muitas vezes nem mesmo existem.

    Se o blogs conversam com um público segmentado, é importante que eles saibam para quem estão falando. Esta é a carta na manga, o diferencial para os grandes portais e outros veículos.

    Claro que os números são importantes. Mas eles não resolvem tudo.

  2. Ale, valeu pela visita e comentário. É bem por aí mesmo. Se a proposta é ter um meio segmentado, de nicho, etc, quem é o público? Por isso vivo questionando ações realizadas por algumas assessorias. Se é pra fazer oba oba e chamar os “famosos”, ok, mas não precisa esconder o jogo de que está fazendo isso.
    Abraço

  3. Acho que é preciso análisar caso a caso. Não há um modelo 100% perfeito e funcional para todos. Ainda mais em se tratando de comunicação digital. O fundamental é que cliente a agência consigam se integrar em um só e a partir disso decidam qual é a ação mais correta.

    Sim, a audiência é importante, mas ela não é a única forma de se medir o sucesso de uma ação. As vezes é melhor atingir 10 blogueiros com pouca audiência, mas que falam para um público qualificado do que um blogueiro top em audiência mas que tem um público que não interessa para aquela empresa.

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