A coletividade dos blogs

Falei há pouco sobre o fenômeno do blogcídio. Ainda neste nicho, outro movimento interessante é o da colaboração. A internet é um ambiente extremamente colaborativo. Foi sob esse cunho que ela conquistou o mundo, permitindo interações entre pontos antes completamente distantes. E essa é, talvez, a maior vantagem da rede.

Preste atenção. Espaços que antes eram mantidos apenas por uma, no máximo duas pessoas, ganharam novos escritores e participações. Isso ocorreu, inclusive, com alguns dos blogs de grande relevância e alto volume de visitas na web brasileira. Foi o caso do Brainstorm9, especializado no mercado de comunicação e publicidade, antes mantido apenas por Carlos Merigo.

Com Alex Primo, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS, não foi diferente. Conta com o apoio de Mariana Oliveira e mesmo Gilberto Consoni também já escreve por lá. Isso apenas para ficar em dois exemplos básicos. Se vasculharmos este ambiente digital específico, certamente encontraremos mais uma dezena de exemplos do gênero.

A valorização do blog como ferramenta importante de comunicação – e de voz ativa das pessoas e seus pensamentos – exigiu uma produção maciça de conteúdo independente e opinativo. Logo, os autores começam a ser encarados como mainstream. Têm uma espécie de obrigatoriedade em manter e ampliar seus públicos.

Soma-se a isso, o fato de ganharem mais relevância em seus mercados, tornando o pouco tempo ainda mais escasso. Com um time maior, é possível manter a frequência de conteúdo.  Não acho isso ruim. Ao contrário, são mais vozes com opiniões diversas a serem analisadas. Ganha o público, desde que a produção de conteúdo não fique banalizada ou distorcida, algo que vem acontecendo com grande assiduidade na grande imprensa.

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Home office: cultura que pesa

Lançamento de novas pistas nas marginais em São Paulo. Promessas de novas linhas de metrô na capital. Muita, mas muita discussão sobre o trânsito caótico de uma metrópole. Basta um pouco de chuva e tudo fica parado. O maior problema dos grandes centros urbanos está no excesso: de gente, de carro, de lojas, de obras, de opções. É tudo muito.

É preciso ter disciplina

Em uma das manhãs, em meio à baderna que tomou conta da cidade, trabalhei de casa. Liguei para a agência e avisei que estaria conectado. Aproveitei e mandei uma frase no twitter: “Ótimo dia para as empresas discutirem e pensarem melhor no home office como futuro nas grandes metrópoles não?”.

Para minha surpresa, essa mensagem foi replicada 18 vezes. E isso representa alguns sinais. O primeiro é que hoje os profissionais precisam ter mais liberdade de locomoção e horário. Esperam por isso. Mas esbarram ainda na cultura empresarial voltada para a presença física ou nos entraves jurídicos trabalhistas na legislação.

Algo, para mim, completamente relativo. Sempre digo que uma pessoa pode passar entre 8 e 12 horas em uma empresa sem fazer absolutamente nada. E o pior: os companheiros podem achar que estou produzindo horrores. Afinal, o que garante a produtividade? Qual a melhor forma de medi-la. Vendo o funcionário trabalhando ou acompanhando a evolução da entrega de seus projetos e jobs, do relacionamento dele com os clientes, do desenvolvimento de ideias e soluções? Isso tudo, claro, exige a presença física para reuniões, alinhamentos, entre outras definições. Mas é necessário estar fisicamente o tempo inteiro?

O segundo é a amplitude do tema. Já citei aqui sutilmente um post de Steve Rubel apontando uma lista com 10 trabalhos que podem ser realizados de qualquer lugar. Isso é de julho do ano passado. Esse número certamente cresceu. Sem contar o volume de ferramentas disponíveis que colaboram e permitem o trabalho remoto.

Outro dia mesmo participei de uma reunião virtual utilizando uma ferramenta free, que permite compartilhar até uma apresentação em ppt ou o que você estiver visualizando na sua tela com as demais pessoas penduradas na conferência (a versão gratuita tem limitação para 3 pessoas). E essa é apenas uma das tantas que estão disponíveis na web.

É bem verdade também que ainda temos sérios problemas de conectividade e instabilidade nos serviços web. Mas essa é apenas uma das pontas da questão e, óbvio, precisa ser considerada.  Há, ainda, a liberação das redes privadas virtuais (VPNs), algo bastante temido pelos profissionais de tecnologia da informação. Soma-se a isso a estrutura (ou falta dela) de que dispõe o colaborador em sua casa.

A questão que fica é: será que os colaboradores já estão preparados para esta realidade? Esse modelo de trabalho remoto exige muita disciplina do profissional. A cama parece chamar o tempo inteiro. A geladeira ao lado repleta de guloseimas que podem ajudar a ganhar alguns quilos. A TV tirando a atenção rapidamente.

Ajustar-se a essa rotina não é nada fácil. Em determinados casos, isso pode ser mais prejudicial do que realmente produtivo. Ficar sozinho, isolado, não é fácil. As pessoas precisam de contato pessoal. Lembro de um período de problemas de saúde. Fiquei três meses em casa e, por vários momentos, senti muita falta daquele papo com os colegas, cafezinho, etc.

De quaquer forma, está mais do que na hora das empresas repensarem o modelo “eu quero os funcionários aqui todos os dias”. Nos Estados Unidos principalmente, o tema vem ganhando muita força. Por aqui ainda estamos engatinhando quando falamos sobre trabalho remoto. Apenas algumas multinacionais, com cultura americana, já utilizam esse recurso, citando, inclusive essa possibilidade no processo de admissão.

As organizações devem fazer alguns testes e garanto que sentiriam grande diferença na produtividade e nos resultados finais – inclusive de custos fixos. Os resultados podem ser surpreendentes. É bem provável que haja um ganho para os dois lados: a empresa reduz custos e ganha um funcionário mais produtivo. O colaboradore terá mais qualidade de vida. Sem testar, fica difícil descobrir. Mas essa é uma boa equação, não?

Ah, quase esqueci. A mídia bem que podia comprar essa “pauta” com mais empenho, não?

Vozes da informação

Nesses dias de férias coletivas aproveitei para descansar. Principalmente a cabeça, pesada com tantas atividades ao longo do ano. Achar algo que realmente valha a pena na televisão anda bem complicado. Nem mesmo com um bom pacote de TV à cabo. Mas fui dar uma vasculhada no site do Canal Brasil – que gosto bastante – e fiquei feliz ao encontrar algo que eu já havia procurado: o programa Vozes da Informação. São entrevistas com grandes figuras da comunicação.

E compartilho aqui uma das conversas que mais gostei, com Tárik de Souza. Ele faz algumas boas colocações, como as que reproduzo abaixo:

“O trabalho do jornalista ficou mais díficil. Ele trabalha muito mais. Era industrial onde os escravos eram os operários. Hoje os escravos da nova era tecnológica são os produtores de conteúdo, infelizmente. Você paga o computador, você paga qualquer programa e as pessoas que criam ferramentas para que o conteúdo seja gratuito – Google – são os novos milionários. A internet é uma grande concentradora de renda.”

Só para variar, tentei “embedar” o vídeo aqui, mas não consegui. De qualquer forma, você pode vê-lo aqui. Para encontrar outras entrevistas, visite o site do Canal Brasil.