Mimimi sobre o Facebook

Sim, é mimimi meu. Quem me conhece sabe que sou um heavy user de Twitter. Tenho lido vários artigos nos últimos dias defendendo o posicionamento do Facebook em limitar o alcance do conteúdo das marcas a 1%, 2% do público. Estimulados por histórias como a da Eat24 (http://blog.eat24hours.com/breakup-letter-to-facebook-from-eat24). São textos de pessoas que trabalham para a rede de Mark, de sites que analisam o mercado. Não sou um profundo conhecedor das estratégias desta rede social, mas há alguns pontos que não vi em discussão ainda. Entre as argumentações de defesa podemos encontrar:

a. O volume de dados cresceu, então, temos mais competição por espaço. Por isso o filtro é mais forte e você vê menos conteúdo. Aqui, dizem, é a fórmula usada para ordenar o conteúdo entregue a você (http://techcrunch.com/2014/04/03/the-filtered-feed-problem/);

b. O Facebook precisa se mostrar rentável aos investidores, especialmente depois do IPO;

c. O Facebook criou filtros mais fortes para o conteúdo exibido para privilegiar o usuário, para evitar que os anunciantes tomem a timeline do público;

Para a alternativa “a” tenho minhas dúvidas, mas faz sentido até certo ponto. O volume de conteúdo produzido e distribuído cresceu absurdamente nos últimos anos. E não estou falando só do conteúdo das empresas, mas dos próprios usuários. O que me incomoda é o Facebook dizer o que vai ser exibido para mim e não deixar que eu faça este filtro. Aliás, eu já fiz o teste de curtir todos os posts da página do meu cliente e nem sequer estes são exibidos para mim. Sem contar que sou administrador da página do cliente e seu conteúdo não aparece na minha linha do tempo. Mas eu aceitei os termos e eles mudam a regra do jogo a hora que bem entenderem.

Já no segundo caso, “b” a profissionalização traz isso. E deve ter muito investidor sedento, no cangote do Facebook para trazer resultados e cada vez mais encontrar formas de ganhar mais dinheiro. Certeza que vão explorar o máximo possível no menor espaço de tempo. Basta ver que até outro dia “a rede” era uma, depois virou outra. E ninguém pode garantir que o Facebook não vá para o limbo em poucos anos.

A “c” é, para mim, é o pior dos argumentos. Explico: ao passo em que dizem que não querem flodar a timeline dos usuários com uma porção de posts patrocinados. E qual é a ação? Reduzir o alcance para estimular as marcas a patrocinarem seus conteúdos. Estimulam a investir para atingirem uma base que já foi conquistada com muito investimento em publicidade. Posso estar errado, mas acho isso tão incoerente. Cada vez mais teremos conteúdo patrocinado na linha do tempo, considerando que, além de atingir a própria base de fãs, eu posso aumentar a segmentação para trazer novos usuários para minha página.

E aí criamos outro problema. Quando eu decido seguir uma marca, escolhi isso porque tenho uma relação com ela, já passei por uma experiência (positiva ou negativa), admiro esta marca/empresa. No caso da marca patrocinar e definir o target, eu não escolhi receber seu conteúdo. Eu recebo seu conteúdo porque ela está pagando para que ele chegue até mim. Se alguém encontrou um artigo falando sobre isso, por favor, compartilhe.

Talvez este seja o caminho do Facebook: http://www.wired.com/2014/04/this-is-the-end-of-facebook-as-we-know-it/?mbid=social_twitter

Jornalismo: aquele que existiu um dia

Fazia tempo que eu não via uma pataquada dessas. Não desse tamanho. Impressionante como a qualidade praticamente inexiste hoje no jornalismo. Ou os erros são grotescos ou há um baita interesse político. Sem mais, segue uma bela pérola:

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Como não sei quem originou a distribuição disso nas redes sociais, vou dar o crédito para o canal no qual me deparei com isso.

A profissionalização da blogosfera

Há pouco participei de um evento, o ExpoY, em um painel para tratar sobre a profissionalização da blogosfera. Eu gosto desse tema, mas sei que minha visão confronta muito o pensamento dos chamados pró-bloggers. Não tenho nada contra esses profissionais. Estão fazendo seu papel. A minha crítica, entretanto, recai sobre o modelo, a forma como isso vem acontecendo. Melhoramos? Sem dúvida, mas ainda estamos longe de dizer que temos um mercado profissional.

É óbvio que há gente trabalhando com categoria, transformando o que seria um simples blog em um negócio. O Papo de Homem, criado por Guilherme Valadares, por exemplo, deixou de ser há muito tempo um blog para se transformar num verdadeiro portal. Seu mídia kit já se tornou referência para o mercado. O Tecnoblog, de Thiago Mobilon, também já está em um outro patamar. Infelizmente, são casos raros ainda no Brasil.

Gosto de usar como exemplo o nicho de blogs que tratam de tecnologia nos Estados Unidos. Possuem hoje estruturas semelhantes ás de redações. Furam, produzem especiais, faturam. Contam com padrões estruturados de comercialização de espaço para anunciantes. Estão prontos para assumir a brecha de comunicação deixada de lado nos últimos anos pelos jornais, revistas e grandes portais.

Precisamos entender que muitos dos blogs estão se tornando mainstream, ou seja, alcançam em vários casos até mais audiência do que veículos tradicionais de comunicação. Então, qual é a razão para não evoluir e trasformar isso tudo em oportunidade? Afinal, há dinheiro, as empresas querem participar dessa conversa.

Aqui, as agências de publicidade continuam alimentando formatos arcaicos de posts patrocinados, participação patrocinada em eventos, envio de mimos para blogueiros. Sim, agências de publicidade, relações públicas e mídias sociais. Temos de olhar a outra ponta. É a mesma relação da corrupção, que só existe enquanto houver corruptores. Elas continuam alimentando esses modelos. Aí, fica difícil de mudar.

A mistura de conteúdo editorial com comercial não é novidade. E, acredito, há até modelos inteligentes e discretos, que não são um tapa na cara de quem busca apenas conteúdo relevante. O problema é a banalização e falta de valorização das plataformas comerciais como válidas e justas. Se você trabalha em uma agência de comunicação (seja ela de RP, publicidade ou mídias sociais), gosta de determinado blog e de seu conteúdo, ajude o autor a se manter. Ajude-o a manter o padrão de qualidade. Ajude-o a criar uma estrutura comercial, material comercial, valorizar a sua produção. Não precisa ser na forma como é hoje.

Dessa forma, ganha a empresa (cliente), ganha a agência e ganha o blogueiro. Será possível padronizar o mínimo possível nessa relação comercial e editorial, facilitando o dia a dia e o negócio para todas as pontas. Vai ser bom para todos.

Ainda sobre a audiência em jornalismo

Há diversas discussões – todas inconclusivas é verdade – sobre para que direção caminha o jornalismo. As incertezas, a queda da publicidade, a drástica diminuição da qualidade geram debates acalorados. Mas tem um em especial que, acredito, pode gerar um grande desconforto nas redações se for para a frente: métrica. Faça o teste. Digite “métricas+jornalismo” no Google e veja quais resultados relevantes e que falam especificamente do tema você encontrará.

Sempre tratado como algo intangível, o jornalismo começa a encontrar alguns rumos que conseguem demonstrar mais claramente seu sucesso. Claro, com a internet. A capacidade de construir a trilha, o perfil de pessoas que acessaram determinado conteúdo e assim por diante, permite repensar os modelos. A adoção de técnicas de SEO – muito bem tratada nesse artigo do Webinsider – não deixa de trazer o conceito ao jornalismo.

Mas o pessoal do USA Today está analisando uma possibilidade mais ousada, conforme relata nota do Jornalistas da Web. A ideia é simples e não deixa de ser boa por trazer mais realidade à produção de conteúdo. Seria, no mínimo, uma experiência interessante – já que começaria, segundo os rumores, com a editoria de esportes. O modelo pode estimular os jornalistas, fazê-los até a repensar a construção das informações, em como disseminar esse conteúdo via redes sociais. Algumas dúvidas, porém, ainda não ficaram claras: até que ponto isso pode influenciar na qualidade? Que critérios serão usados? Como medir o debate gerado por determinada reportagem – ou serão apenas os cliques considerados?

Além disso, outra questão tão importante surge. Especialmente se um projeto como esses chegar às redações brasileiras. Como cobrar isso de jornalistas jovens, inexperientes, sem infraestrutura e já explorados o suficiente pelos meios? Entendem agora as razões pelas quais eu disse o começo do texto que isso deve gerar revolta nos colegas?

Jornalismo ou cinema?

Esses dias estava conversando com a Juliana sobre jornalismo – ah vá, dois jornalistas falando sobre isso? Ela me mandou uma foto de um grande portal sobre a tragédia de Realengo. Como de costume, olhei com certa desconfiança. Sempre tento olhar dessa forma, ainda mais quando se trata do jornalismo de hoje.

Lembro exatamente, da frase que disse: “Isso parece foto preparada”. Não estava me referindo a recursos de Photoshop ou coisa do gênero. Achei que era coisa armada, circo. E a coluna do Mauricio Stycer só confirmou a minha tese do que acontecia no retorno às aulas depois do massacre.

Entendo a pressão que os jornalistas sofrem, especialmente televisivos. Precisam sempre voltar com uma imagem, com uma boa declaração para não serem exorcizados pelos editores mais tarde. Mas chegar a ponto de “dirigir cenas” é algo tão deprimente que nos faz sentir vergonha da profissão. E tem gente ainda que tenta retomar a discussão sobre o diploma de jornalismo (minha opinião final está aqui sobre esse tema).

Sabemos que TV é difícil. Alto custo, infraesturutra grande para qualquer mísera matéria, combinações com o entrevistado de respostas curtas – às vezes até ensaiada – em chamadas ao vivo. Apesar disso, nada justifica tal contexto relatado pelo blogueiro do UOL.

A audiência é o fundamento do negócio de mídia. Mas não há necessidade de apelar de tal forma. A busca pelo furo (odeio essa expressão) está acabando com a qualidade da produção de conteúdo. O objetivo passou a ser única e exclusivamente numérico e não mais qualitativo. É o volume de expectatores, a quantidade de cliques, o número de visualizações. O resto é resto. Não importa o impacto – em termos de transformação de algo na sociedade ou no público. Parecemos todos em buscas de robozinhos que fiquem clicando, zappeando. Qual será o próximo passo?

O jornalismo virou lista?

Quem trabalha com comunicação sabe que o negócio não anda fácil. Sim, os processos estão consolidados, os
modelos já são conhecidos pela maioria e algumas poucas experiências vingam com novos formatos por conta
das possibilidades trazidas pela internet. Mas no fundo nem é essa a minha crise. Creio que em pouco tempo
outras excelentes maneiras de apresentar conteúdo surjam – que não paremos somente nos infográficos (já que
tudo agora é infográfico).

O meu problema está efetivamente no conteúdo. Chega a ser um dilema pessoal. Já falei algumas vezes aqui que
produzir conteúdo de qualidade custa caro. É preciso ter uma infraestrutura bacana, profissionais experientes
(e mesmo os jovens com bastante vontade), ousadia, tempo. Esse último é algo que os jornalistas não conhecem
mais. Também sabemos que é difícil bancar tudo isso. Aí entra a segunda parte da história: será mesmo que o
público quer qualidade, conteúdo profundo, análise? Tenho minhas dúvidas.

Então, pra ficar mais fácil e barato, o jornalismo hoje anda com um raciocínio simplório: vamos seguir a
boiada. Apelemos para as técnicas de SEO (Search Engine Optimization no texto e na programação, atraímos os
que caem de paraquedas e, claro, como não poderia deixar de ser, listas. Muitas listas. As 10 mais disso, as 50
mais daquilo, as 20 menos de qualquer treco ou tema por aí.

Eu gosto de uma listinha. Atire uma pedra quem não curte. Elas geram debate e esse é um dos princípios do jornalismo. Gosto tanto que participo de um podcast coletivo de músicas em que tratamos listas. Até por aqui já usei esse recurso e, confesso: o resultado foi positivo. O problema é que tudo está virando lista no jornalismo.

Entendo que, com os meios digitais, o processo de construção de pauta mudou. O editor hoje deve ser o cara capaz de fazer cruzamento de informações, integrá-las, encontrar novos caminhos para assuntos já desgastados. Não tenho visto muito isso. Levantar dados nesse universo de petabytes (ou seja ló o nome que estejam dando), é uma tarefa cruel. Mas não estamos abusando do formato? Não seria a preguiça de consultar fontes – e fazer o trabalho em cima do que já existe mesmo – conversar com especialistas sobre o assunto, abordar ângulos diferentes?

Imagino que a audiência conquista justifique a produção do conteúdo nesse formato. Posso estar engando, mas corremos o risco de nos prendermos demais ao meio e esquecermos de alguns pontos principais do jornalismo: a apuração e a qualidade do conteúdo.

O conteúdo das agências

Há alguns anos tornou-se algo comum as agências de comunicação e assessoria de imprensa oferecerem serviços de produção de conteúdo para seus clientes. Afinal, boa parte das informações relevantes passam pelas mãos dos atendimentos. Mais um serviço, mais faturamento, pronto, segue o jogo.

Aí apareceram as mídias sociais. Mais um produto para as agências de comunicação. Administrar os perfis oficiais de clientes nas redes sociais exige uma grande produção de conteúdo. Além disso, temos de considerar as diversas plataformas. É vídeo, é foto, é texto, é microtexto.

O difícil, porém, é vender toda essa história para o cliente. O mercado precisa compreender melhor esse universo de comunicação que se abriu. Então vamos “evangelizar”, certo? Exato. E não é ironia nem crítica, acho que é o caminho certo mesmo.

Reparem. As agências passaram a produzir muito conteúdo proprietário. Não vou listar aqui para não parecer injusto, mas acesse o site de algumas das principais assessorias de imprensa do País. Dê uma vasculhada em seus perfis no Twitter. Você pode se surpreender. Tem muito conteúdo de qualidade e dados preciosos, especialmente sobre redes sociais.

Quer uma ajudinha?

Provocação – e não é que ele voltou?

Na época – e isso já faz um bom tempo – muitos boatos surgiram sobre o autor (ou os autores) desse blog. Pouco importa, mas ele está de volta. Acesse e confira por si só: http://jabanao.wordpress.com/

Apesar do anonimato, as informações são bastante preciosas. O blog conta um pouco dos bastidores de algumas redações e da relação entre o jornalismo e as companhias. E não me venham com acusações. Sim. Eu já fiz parte do time do jabá quando estava em redação. Se por vontade ou por obrigação é outra discussão!