Profissões vêm e vão. Eu tenho para mim, por exemplo, que vamos enfrentar sérios problemas com algumas delas. Já pensaram nos marceneiros e serralheiros? Levam uma vida dura e certamente farão de tudo para que seus filhos não sigam o mesmo caminho. Fazem seus filhos estudarem, buscarem um meio melhor de sobrevivência. Em poucos anos, haverá uma escassez desses profissionais. Aliás, quando foi a última vez que você encontrou uma alfaiataria, daquelas de bairro, com um velhinho que sabe fazer um terno como ninguém?
No universo da comunicação não será muito diferente. Mas creio mais na transformação do que no extermínio de determinadas funções. Por outro lado, muitas outras funções vão surgir. Melhor, já foram criadas. Até outro dia ninguém conhecia o posto de analista de mídias sociais. Hoje, boa parte das agências já conta com um profissional que atue nessa área.
E muitas outras profissões serão criadas. Já ouviu falar em “diretor de mídias sociais” ou “digital communication manager”? Esta seria uma nova habilidade a ser desenvolvida por diretores de comunicação das empresas? Poderia ser uma função terceirizada com uma agência de comunicação? O problema não está aí.
Qual a melhor forma de buscar este conhecimento? O buraco, na verdade, está na capacitação dos profissionais. Teremos gente preparada para dar suporte a tudo isso? Na pesquisa que realizamos no grupo de estudos de RP digital da Abracom, todos os profissionais das agências gostam e se interessam pelo tema. Mas trabalhar com ele, efetivamente, poucos conseguem.
Uma amiga que faz um curso de uma instituição bastante renomada ouviu o professor dizer: “vocês precisam olhar para as mídias sociais, dedicar uma pessoa para cuidar disso”. Ficou feliz até a frase seguinte do mesmo professor: “podem deixar isso com o estagiário, que é mais jovem e entende dessas coisas”. Oi? Mas não é a reputação da sua empresa que está em jogo?
Sei que é difícil mensurar o que ou não conhecimento sobre o mercado digital. Afinal, a tecnologia continua sendo uma ferramenta. Eu mesmo sempre faço questão de ressaltar que RP é RP, não importa o meio. As portas que se abrem para quem trabalha com comunicação são excelentes. Nem tudo, porém, é tão lindo. Na prática, a história é outra.
A utilização dos canais é essencial para conhecê-los. É preciso entender sua dinâmica, suas características, a abordagem com públicos variados e de nicho, comportamentos diversificados. Será que a universidade dá conta do recado? Ainda mais quando temos uma das mais conceituadas sobre o comunicação digital, a Facamp, encerrando seu curso de jornalismo.
O professor Andre de Abreu coloca muito bem a questão da indisciplina acadêmica em sua apresentação e trata do tema com muita propriedade. Reparem que ele pertence ao mundo acadêmico. Rodrigo Cogo, que fez uma excelente cobertura do encontro da ABRP-SP, também passa pelo tema: “o ingresso das organizações neste universo interativo pressupõe a contratação de equipes especializadas em tempo integral, numa ação qualitativa que gera necessidade de orçamento, ao contrário dos sistemas e plataformas que estão disponíveis gratuitamente.
Outra reportagem, da Brand Republic, também alerta para este problema, dizendo que a falta de profissionais especializados vai frear os investimentos nos meios digitais. Se o ritmo se mantiver, certamente vamos ter ainda muitos problemas de gente que entenda desse mundo.
Se há essa boa perspectiva, está na hora de aprendermos cada vez mais a trabalhar com este cenário. Vale lembrar que a atualização exigida por este universo é tão frequente quanto a mutação desses ambientes/meios digitais.
O povo fala