Publicado por: Eduardo Vasques | Julho 3, 2009

Jornalista = marca?

Vi essa nota outro dia no BlueBus e fiquei pensando. Na prática, esse modelo já acontece no Brasil com alguns jornalistas, principalmente com especializados que se tornaram colunistas ao longo do tempo. Não deixam de ser uma marca própria forte e levar seus leitores para qualquer canal ou veículo que trabalhem. Basta ver a nova propaganda da Folha de São Paulo:

Conheço muitos fãs do José Simão, por exemplo, que não começam o dia sem passar pela coluna dele. E fariam isso estando ele ou não na Folha. No atual cenário do jornalismo, acho que esse é um bom caminho para os profissionais que estão em redação.

Mas não é tão simples quanto parece. É um caminho longo e difícil. Construir uma marca de qualidade e confiança leva tempo – e porque não um pouco de sorte também. Conquistar leitores é uma tarefa árdua. Algo que alguns blogueiros têm feito com grande maestria.

Acho que há, porém, uma questão que torna essa tarefa muito mais difícil. Os jornalistas não estão habituados a interagir com leitores. Não são ensinados a lidar com isso. A “superioridade” da profissão, o conceito de quarto poder, enfiados goela abaixo dos consumidores de conteúdo por anos a fio ainda predomina em boa parte dos veículos de comunicação.

E de nada adianta abrir espaço para comentários, criar um perfil no Twitter só para dizer que interage. É preciso conversar mesmo com o público, responder aos comentários, usar as ferramentas digitais para relacionamento e não como meras replicadoras de conteúdo. O povo de redação ainda vai penar bastante para se adaptar aos novos tempos. Talvez por isso também a crise do jornalismo seja tão complexa.

Publicado por: Eduardo Vasques | Junho 18, 2009

A queda do diploma

Fiquei um tempão pensando se publicaria algo sobre a votação do supremo Tribunal Federal (STF) pela queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. Especialmente depois de ter lido milhares de posts, matérias, pontos de vistas, etc, na internet. E vou dizer: quanta besteira. Tanto de quem defende a manutenção da exigência – com argumentos rasos – como daqueles que vibraram com a queda da “regulamentação”, também com colocações e sem muita fundamentação.

Não sou dono da verdade, mas ninguém é. Certo? Radicalismos à parte, confesso que ainda não consegui ter uma opinião concreta em relação ao tema. Desde que essa discussão tomou mais forma eu tento digerir as idéias, mas só consigo preparar maçaroca. Ainda estou confuso e só consigo analisar, também de maneira simplória, alguns pontos.

1) A banalização da categoria já acontece faz muitos anos. Não sejamos hipócritas, a maior parte dos jornalistas não sabe o que é um regime CLT há anos, e anda se matando por frilas mal pagos. Então, esse discurso de que “ai, vou perder o emprego para um cozinheiro, uma diarista, um mecânico” não cola mais. E não digo isso por ser convencido ou por menosprezar as duas profissões. Ao contrário. Peçam para que eu faça uma boa faxina ou que eu cozinhe um belo prato e verão a desgraça que vai ser. É simples. Eu não vejo relação alguma entre uma coisa e outra. Minha habilidade e minha capacitação são diferentes das destes profissionais. E, também, nada impede que eles criem seus blogs e passem a fornecer boas informações. Certamente vão produzir conteúdo que tenha ligação com suas áreas com maior qualidade do que eu faria;

2) Não creio também que as empresas vão contratar quem não tem capacidade e qualidade, quem não teve mínima formação. Aliás, as exigências de qualificação para a entrada no mercado de trabalho só aumentam com o passar dos anos. Nada contra também, mas em pouco tempo teremos empresas exigindo motoboys que falem inglês, espanhol e mandarim;

3) Tomadas as devidas proporções, a falta de critérios na contratação também já acontece em vários casos. Quantos estagiários conhecemos que são tratados e têm de desenvolver suas tarefas como profissionais experientes, em substituição (inclusive no salário) aos profissionais já consolidados.

4) Boa parte dos não-jornalistas já são muito mais bem pagos do que os próprios jornalistas (colunistas, apresentadores, etc). Basta ligar a TV e ler colunas de “diversão” para verificar isso;

5) A tecnologia já impôs desafios suficientes para a comunicação em todas as suas esferas. É a partir daí que o caminho a ser analisado, estudado, refeito. O modelo de negócios da comunicação se perdeu e até agora não encontrou um novo rumo e, sinceramente, vai penar ainda muito mais para achar. Precisamos conquistar um novo jornalismo, diferente do que se faz hoje. E, na boa, isso também não é uma discussão que começa com a queda da exigência do diploma.

Os sindicatos e federações? Ah, agora saem gritando aos quatro cantos pelo absurdo feito pelo STF. Mas, desculpem-me, qual foi mesmo o papel exercido por essas entidades nos últimos anos? Qual a relevância e conquista desses “representantes” na última década? Se os sindicatos dos bancários e dos metalúrgicos estão enfraquecidos há algum tempo, que dirá o dos jornalistas. Aliás, qual será a função delas daqui em diante?

Enfim, é isso. Tirem suas conclusões. Eu ainda estou pensando nas minhas!

Publicado por: Eduardo Vasques | Junho 8, 2009

O blog da Petrobras

Uma saída interessante. É assim que eu encaro a iniciativa da Petrobras de criar um blog para tentar se defender da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). A administração desse canal tem “furado” a imprensa na apuração de fatos. Antes mesmo de ver as reportagens publicadas nos grandes jornais, a companhia chega a divulgar os questionamentos feitos por jornalistas (inclusive revelando que os jornalistas apuram via e-mail) com as respectivas respostas.

O blog, no geral, não está agradando a mídia e vem sendo criticado pelos grandes veículos, o que me parece um posicionamento bastante óbvio. Basta ver o título de reportagem publicada pela Folha de São Paulo sobre o caso. Consigo ver alguns pontos muito positivos do ponto de vista de comunicação:

- Comunicação direta com o público;
- Exposição de maneira clara da versão dos fatos da empresa, sem possíveis distorções da mídia;
- Possibilidade de interessados ou simplesmente qualquer um interagir com a companhia e demonstrar a opinião;
- A simples adoção do canal e a importância dada a ele;
- Um pouco mais de transparência ao processo de comunicação (algo que sempre comento por aqui).

E tem mais. A comunicação da companhia também está usando o Twitter: aqui e aqui.

Vale lembrar que essa postura certamente vai causar grandes inimigos e desavenças na imprensa. O modelo adotado pela Petrobras não só tira o controle da informação das mãos desses meios como expõe a falta de capacidade e de apuração de muitos deles, para não dizer outras coisas. O Azenha coloca essas questões em seu blog. Enquanto isso, a mídia continua batendo forte na iniciativa.

Meu papel não é defender a Petrobras. Nem a imprensa. Trata-se de um bom caso a ser estudado por quem lida com comunicação. Vale observar o que vai acontecer.

Atualização: por conta da repercussão em torno do blog da Petrobras, separei mais alguns links interessantes que podem “ajudar” nas conclusões sobre o caso.

Sylvia Ferrari
Rogério Christofoletti
Daniel Miura
Expressão de Idéias
Sergio Leo
Pedro Doria
Luis Nassif
Idelber Avelar
Claudio Abramo

Publicado por: Eduardo Vasques | Maio 29, 2009

O fim da Gazeta Mercantil

A notícia pegou muita gente de surpresa. Para outros, é apenas o fim de uma agonia que dura alguns anos. O encerramento das atividades da Gazeta Mercantil, que já foi o mais respeitado jornal do País, ainda é incerto e aguarda definições do ex-dono da publicação.

Enquanto isso, alguns jornalistas de lá se manifestam e estão prontos para contar os bastidores da decadência. Recebi um e-mail com o texto abaixo. Claro, não posso revelar o nome da pessoa que enviou:

“Agora é real! Depois de muitos anos de agonia, a Gazeta Mercantil chegou ao fim de forma triste. São anos de trabalho e dedicação ao jornalismo,  muitos amigos e a experiência ganha na cobertura de economia. Mas acabou! Deixo meus contatos para quem quiser bater um papo ou saber das últimas peripécias de Tanure, Levy e cia.”

Publicado por: Eduardo Vasques | Maio 20, 2009

Inovação digital

Não. Antes que me questionem, já aviso que não recebi nada por este post. Decidi escrever porque fiz o curso “Ações inovadoras em Comunicação Digital” na ESPM e achei uma excelente opção para quem deseja entender melhor o cenário desse novo mundo virtual e ter contato com pessoas que valem a pena.

Quando participei como ouvinte, tive a oportunidade de assistir palestras sensacionais. Além da própria Sandra Turchi e do Gil Giardelli, só para ficar em alguns outros nomes: Martha Gabriel, Hernani Dimantas, Paris Neto, Andrea Orsolon, Ricardo Cavallini, entre outros. Vale a dica. A próxima turma começa dia dois de junho.

Publicado por: Eduardo Vasques | Maio 18, 2009

Sugestão de pauta 3

Sei que a tarefa é difícil como muitos comentaram no post anterior. Mas continuo na batalha de encontrar alguns caminhos que melhorem o processo de “venda” de pauta para os veículos, quais os melhores exemplos de pauta, e assim por diante. Quem fala agora é o Paulo Toledo Piza, ex-G1 e atualmente freelancer do canal Cotidiano da Folha Online.

“Para mim, uma boa sugestão de pauta é aquela que tem a ver com a editoria em que trabalho. Recebo quase que diariamente e-mails com sugestões de pauta sobre lançamentos de livros, CDs, DVDs, cabines de cinema, e até de buffet de casamento; tais pautas seriam muito interessantes se eu fosse repórter de cultura, mas trabalho na editoria de Cotidiano. Quando vejo que é algo muito interessante, aviso meus colegas de Ilustrada. Mas geralmente deleto o e-mail, para limpar a caixa de entrada. No caso de Cotidiano, me interessa muito pautas ligadas a saúde, trânsito, segurança, tempo, entre outros assuntos relacionados à editoria.

As sugestões de pauta devem seguir aquela regra tão importante do jornalismo que diz que “quanto menos, melhor”. Dessa forma, a boa sugestão de pauta tem de ser bem enxuta, contendo apenas as informações relevantes e respondendo as perguntas básicas: o que, quem, quando, onde, como e por quê.

E, assim como uma reportagem, a sugestão de pauta prende minha atenção a partir do título. No caso dos e-mails, acho ótimo quando o assessor de imprensa coloca no campo “assunto” uma breve descrição do que se trata a pauta. Um exemplo: “CET interdita trecho da Av. Paulista durante o feriado de Tiradentes”. Simples e direto. Bem melhor do que “CET interdita avenida no feriado”.

Depende do tipo de sugestão de pauta. Se for uma chamada para coletiva, acho que o telefone e o e-mail devem funcionar em conjunto – o primeiro para alertar o jornalista e o segundo para lembrá-lo da pauta. Em casos de pautas menos urgentes, como sugestões de entrevistas com especialistas, o e-mail basta. Apenas o telefone acho ruim, pois, além de atrapalhar o repórter quando este está fazendo uma matéria, corre-se o risco de ele esquecer e/ou não repassar a pauta para seus colegas de editoria.

A sugestão tem de ter relação com a editoria. Pautas sobre crimes, acidentes de trânsito, interdições de vias, mudança de tempo na cidade, epidemias, entre outras, sempre atraem a atenção. Pequenos assuntos, como curiosidades sobre a cidade, personagens diferentes, lugares pouco conhecidos também são interessantes.

Sempre uso o olhar de leitor para avaliar as sugestões de pauta. Leio e penso: clicaria numa reportagem sobre isso? Compraria um jornal/revista para ler a respeito desse assunto? Também uso os critérios de noticiabilidade, como notoriedade do assunto, proximidade com o leitor e relevância social. Um crime tão comum em São Paulo, como o roubo de um carro, por exemplo, será noticiado por mim somente se o veículo levado for um modelo raro (como uma Ferrari), se a vítima for famosa ou se o ladrão tiver cometido algum deslize durante a ação (como dormir dentro do carro).

Veja também:
Sugestão de pauta 2 – por Fábio Barros, editor-executivo do Computerworld
Sugestão de pauta – por André Borges, repórter do jornal Valor Econômico
Exemplo de sugestão de pauta
Exemplo de sugestão de pauta, ou não

Publicado por: Eduardo Vasques | Maio 11, 2009

O que aprendo ao trabalhar com as mídias sociais

Tenho passado por experiências interessantes nos últimos tempos, quando passei a lidar mais diretamente com mídias sociais no meu trabalho. Também venho estudando e tento acompanhar algumas das principais ações das empresas nesses novos canais. Não é muita surpresa, mas aprendi coisas interessantes nessas empreitadas.

Vale lembrar que isso não é uma opinião fechada e a lista não se encerra por aí. Afinal, estamos na internet, o melhor canal para conversação. Posso estar enganado, até porque não sou dono de verdade alguma, mas são algumas percepções:

1) Por mais bacana que seja uma ação, sempre haverá alguém para criticá-la. Algo, porém, chama a atenção. A impressão que tenho é que algumas pessoas nasceram apenas para descer o pau em tudo. Nunca acham nada bem feito, inovador. São os conhecidos “corneteiros de plantão”. Alguns chamam isso de inveja, outros afirmam que é porque os “críticos” acham que poderiam fazer um trabalho melhor. Realmente não sei o motivo, mas que isso é fato, ah é!

2) Algumas máximas das mídias tradicionais ou de massa, por mais contestáveis que sejam, continuam sendo importantes nas redes sociais. Em qualquer meio digital – mesmo os mais novos, como o Twitter – há sempre uma briga por quantidade de seguidores. Não interessa se a pessoa tem conteúdo ou não, o que vale é quantos simpatizantes ela consegue movimentar e trazer para debaixo de sua saia. Interessa quantidade, não qualidade. Claro que não devemos deixar de lado as velhas práticas totalmente, mas isso funciona nesses modelos novos?

3) Mesmo com o crescimento das mídias sociais como canais informativos, é muito difícil achar conteúdo relevante e interessante sobre diversos temas na internet. Na verdade não é conteúdo o que falta, mas sim leitores e gente disposta a comentar posts que simplesmente fujam de brincadeiras. Tente procurar blogs que tratem de estratégia e negócios de tecnologia que não sejam vinculados a revistas segmentadas. Os blogs e comunidades de maior sucesso nas redes sociais, em geral, tratam de futilidades e banalidades, piadas, humor. Seria um efeito do público que mais freqüenta a internet e utiliza com mais vontade as redes sociais, os mais jovens? Em determinados momentos sinto um deslumbramento em relação às mídias sociais. Estou totalmente errado?

4) Por ser um nicho muito novo, boa parte das iniciativas ainda são muito experimentais. Não estou negando as ações de sucesso desenhadas e colocadas em prática por diversas empresas no Brasil, muito menos dizendo que não há profissionalismo. Existem métricas, rastreamento dos visitantes, estratégias e apresentação de resultados. Mas a imaturidade e falta de padrões ainda deixam este mercado instável em relação aos objetivos alcançados.

5) A vivência dos jovens com as redes sociais é muito mais ampla e positiva do que a proporcionada pelos profissionais que atuam como tais no mercado. Mas isso inclui também riscos pela falta de experiência. Não sou contra o estágio, só acredito que a orientação para a criação e manutenção de perfis corporativos precisa ser profissional. Mais: será que estes jovens, alçados ao comando e poder de decisão dentro das companhias, vão tomar atitudes tão diferenciadas de seus antecessores? Será que vão assumir os riscos impostos pela liberdade da internet? Ou vão ser apenas um pouco mais abertos a novas idéias e vão seguir as tendências de negócios daqueles “mais velhos” que até outro dia ocupavam a gestão das companhias?

Publicado por: Eduardo Vasques | Maio 8, 2009

Sugestão de pauta 2

Ainda em busca de referências que ajudem os assessores a abordarem melhor os jornalistas, consegui mais algumas dicas sobre sugestões e exemplos de pauta. Quem dá a opinião agora é Fábio Barros, editor-executivo do Computerworld, veículo especializado em notícias sobre tecnologia da informação.

“Esse negócio de sugestão de pauta é enjoado, porque não tem receita pronta, mas eu acho que algumas coisas ajudam.

Por exemplo, se a pauta for quente mesmo, história boa, basta o assessor telefonar, falar do que se trata e já passar o telefone da fonte. Isso funciona para executivos recém-contratados, contratos recém-fechados, aquisições, coisas que geralmente exigem apuração rápida.

Quando é uma pauta atemporal, aí é legal o assessor tomar alguns cuidados:

1 – Checar a pertinência do assunto para o veículo. No caso do Computerworld, que é voltado para o usuário corporativo de TI, não é raro a gente receber sugestão de lançamento de produto para usuário final, por exemplo. Aí é perda de tempo.

2 – Uma boa sugestão de pauta não precisa ser um release. A gente não precisa da matéria pronta. Faz um briefing de duas ou três linhas explicando do que se trata, enumera alguns tópicos com dados que sustentem a história e manda por e-mail. Se quiser ligar antes para checar se o assunto interessa e já mandar a sugestão com certeza que será aproveitada, melhor.

Sobre o que é uma boa sugestão, a gente avalia sob o olhar do nosso leitor. Mais uma vez, no caso do CW, a pergunta é: este assunto é bacana para o usuário de TI que está dentro das empresas? Vai ajudá-lo a trabalhar melhor, a evoluir, a usar melhor as ferramentas de trabalho? Se sim, a pauta é legal. Se não, não.

Basicamente é isso. Você viu que eu não falei de follow, né? Pois é, melhor não falar e melhor ainda será se ele não for feito, a não ser que se trate de um assunto que foi oferecido com exclusividade (o assessor precisa saber se vai ser usado ou não) ou de confirmação em eventos, viagens, coletivas e almoços. Se bem que mesmo isso pode ser feito por e-mail, mas tudo bem. Fora desses casos, liga não.”

Veja também:
Sugestão de pauta – por André Borges, repórter do jornal Valor Econômico
Exemplo de sugestão de pauta
Exemplo de sugestão de pauta, ou não

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