Jornalismo X publicidade

Eu estava em casa outro dia conversando com a minha esposa – que também é jornalista – sobre as notícias ridículas que vimos em portais. Aquela história de Tostines (o público lê porque é o que tem – ruim – ou é ruim porque é o que o público lê). Então me veio na cabeça o “a publicidade que sustentou o jornalismo durante quase toda sua existência está matando o jornalismo”. Especialmente no online. Posso estar falando uma grande asneira porque não é uma pesquisa, uma avaliação aprofundada. E isso é uma discussão muito mais complexa do que um post de Facebook. Publicitários não me matem. Mas vocês discordam?

O que efetivamente paga as contas de um veículo? A publicidade, correto? Os demais meios de faturamento (assinatura, venda em banca, online, etc) não são suficientes para bancar a estrutura de um veículo. Quando falamos de online, principalmente, é uma apelação sem fim no conteúdo produzido. E cada vez mais apelação.

Há disputas e brigas sérias entre tipos de conteúdo, por exemplo, que vão para entretenimento e esporte. Ambos editores brigam pra colocar “Neymar leva o filho para a praia” porque precisam bater suas metas de audiência. E, sim, isso é um tipo de informação que vai trazer muitos cliques. Mas isso é esporte (por se tratar de um craque do futebol) ou é entretenimento porque traz uma informação de lazer do jogador?

E qual o motivo da apelação? Trazer audiência, cliques, número de páginas vistas. E o que é vendido para as marcas? A mesma audiência, cliques, número de vistas. Então, no fim, é sempre a busca sem freios (e sem pudores) pela audiência para, lá na frente, apresentar para as agências de publicidade e trazer anunciantes que pagam a conta. E assim temos o jornalismo que é feito hoje e tão criticado por quem faz parte disso tudo, mas também precisa pagar suas contas em casa.

Um momento para o comercial

Quem acompanha esse blog sabe que não gosto, mas vou aproveitar. Queria falar sobre a participação em dois cursos especiais que falam sobre comunicação digital. Gostaria, inclusive, de contar com sugestões de temas que podem ser abordados com o pessoal por lá. Enfim, lá vão.

O primeiro veio a partir do convite de Rodrigo Capella. É da Escola de Comunicação, do Comunique-se, e acontece a partir de 25/5, permanecendo até 14/9. O tema: “Comunicação Corporativa na Web 2.0”. Realizado em dezesseis aulas, conta com a presença de diversos profissionais do mercado e tem como meta oferecer embasamentos de planejamento, atuação e mensuração de ações digitais. Estarei por lá no dia 29/06.

O segundo acontece no próximo dia 26/05. Vou participar a convite do amigo Felipe Morais. Esse trata da construção das marcas no ambiente online, apresentando como pensá-la, estruturá-la e agir nesse contexto, entender como se relacionar com o consumidor para geração de bons resultados no ambiente digital.

Anotem aí:
1. Curso – Comunicação Corporativa na Web 2.0
Quando – de 25/05 a 14/09
Informações: Telefone: (11) 3897-0860 e cursos@comunique-se.com.br

2. Curso – Redes sociais voltadas para negócios
Quando – 25 e 26/05
Informações: (11) 3138.5200 e edexecutiva@trevisan.edu.br

Apareçam!

Provocação – e não é que ele voltou?

Na época – e isso já faz um bom tempo – muitos boatos surgiram sobre o autor (ou os autores) desse blog. Pouco importa, mas ele está de volta. Acesse e confira por si só: http://jabanao.wordpress.com/

Apesar do anonimato, as informações são bastante preciosas. O blog conta um pouco dos bastidores de algumas redações e da relação entre o jornalismo e as companhias. E não me venham com acusações. Sim. Eu já fiz parte do time do jabá quando estava em redação. Se por vontade ou por obrigação é outra discussão!

A nova sugestão de pauta

Andei consultando alguns profissionais de comunicação – jornalistas, professores, entre outros – para que falassem um pouco sobre o processo de sugestão de pauta dentro desse novo contexto virtual. Apenas uma pergunta e liberdade para dissertar.

O primeiro a participar é Gilberto Pavoni Junior, com quem tive o prazer de trabalhar e considero um dos jornalistas mais gabaritados quando o tema é internet. Jornalista especializado em tecnologia e em tudo que gira em torno dela. Atualmente colaborador da Information Week e consultor de algumas agências e empresas. Ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo em 2009 e está entre os finalistas de 2010. Usa redes sociais há anos, mas já vislumbra uma distopia chegando.

A pergunta: com o avanço dos canais digitais de comunicação, o que mudou (ou deveria mudar) no modelo/conceito de sugestão de pauta?

O que mudou é que os contatos são mais fáceis e as agências criaram perfis nas redes. Só que o uso é ruim. Ainda é broadcast, ainda é comunicação de massa. Os perfis não interagem e só emitem notícias como se fossem um canal de TV. Ao criarem eventos, convidam os blogueiros mais famosos do mesmo jeito que fariam um evento com os principais veículos. Os meios aumentaram, mas a compreensão e atitude continuam as mesmas. Ou seja, mudou e não mudou nada.

Com as mídias sociais, há condições de montar uma notícia pronta ou dar novos formatos para a notícia. No primeiro caso, não há segredo. Com um release social, há condições de a PR mandar fato, fontes, contatos, fotos e material de pesquisa para o jornalista. Aí, não há segredo. Ou melhor, não há novidade. Isso já poderia ser feito pelo próprio jornalista e o release social só economiza tempo. Sem dúvida, essa economia é importante. Mas, não vejo grandes novidades aí. Talvez haja a necessidade de uma evolução num traquejo maior para incluir como fonte a network, os fãs, os virais, as trocas de interações e como a notícia foi apropriada por quem consome a notícia.

O que me chama a atenção é que poderia haver um uso do ambiente das ferramentas tecnológicas sociais para criar um novo sentido e formato para a notícia em um cenário de falta de atenção e de necessidade de jornalismo como entretenimento. Ler notícia como fazemos normalmente é OK e acho que isso ainda deva persistir porque agrada a muita gente. Porém, há quem goste de informar-se de outros modos. E isso está crescendo, especialmente entre os mais jovens. Seria muito uma PR sugerir uma pauta de notícia-game ou transmedia… ou mesmo sugerir as plataformas de mídias sociais como meio por onde se irá gerar a notícia? Ou mesmo mandar isso pronto? Dá pra pensar e noticiar o que ocorre no Foursquare? É consumo como mídia. Como vamos trabalhar isso?

A construção desse novo modelo deveria ser feito na redação. Mas, há um problema (especialmente no Brasil) de enxugamento da mão-de-obra. Não há tempo nem capacidade técnica de se fazer isso nas redações. As agências de PR podem ajudar nisso. Já vi discussões no GoogleBuzz que poderiam virar notícia. Há fatos que podem virar games (efêmeros como o da bolinha de papel no Serra ou complexos como os da produtora Persuasive Games, especializada em newsgames) . Dá pra transformar coletivas e webcasts em discussões ao vivo… etc. Qual o nosso mashup da notícia? Porque carregamos centenas de músicas no dispositivo móvel e não guardamos essas notícias em novos formatos revolucionários?

A meta (ou a métrica) para isso seria a interação, a criação de comunidades em torno da notícia e de seus agentes. O problema para tudo isso é que haveria uma transferência de poder. O jornalista perde poder, a PR perde poder, o cliente perde poder e o leitor ganha. Poderia, inclusive, criar-se um ativismo em torno da notícia que foge ao controle da estratégia de comunicação das empresas e pode se voltar contra. Outro problema, é que esses formatos revolucionários não podem substituir ao que existe, seria mais um. Mais trabalho aí. Talvez, prevendo esse nó, é que o treco não avance.

Produzir sentido num cenário de falta de atenção.

Veja também:
Exemplo de sugestão de pauta
Sugestão de pauta
Sugestão de pauta 2
Sugestão de pauta 3

E-book de RP Digital

Confesso que tive esta ideia faz algum tempo. Neste mesmo formato, inclusive, distribuído em PDF de forma gratuita, produzido de maneira colaborativa. Mas o pessoal já fez o trabalho e pelo pouco que li, parece bem interessante.

“Relações públicas digitais – O pensamento nacional sobre o processo de relações públicas interfaceado pelas tecnologias digitais”.

O conteúdo foi construído pelas professoras mestres Carolina Terra (USP), Daiana Stasiak (UFSM) e Judy Tavares (UFAM), do especialista Aurélio Favarin (UEL), dos relações-públicas Laís Bueno e Robson Ferreira, e do acadêmico de relações públicas Mateus Jesus Martins. Enquanto ainda não terminei de ler, #ficadica!

A dinâmica mudou

Vivo falando aqui de redes sociais, de convergência, mídias digitais. As mudanças estão acontecendo e muitas vezes de maneira sutil. Em muitos casos, o elo de transição no processo de comunicação ficou frágil ou está sendo descartado. O jornalismo tradicional tem de correr atrás do prejuízo.

Basta ver essa notícia, divulgada ontem no Jornal da Globo, sobre a contratação do técnico do Atlético Mineiro. Reparem as fontes usadas para confirmar a informação (tentei “embedar” o código do vídeo da Globo, mas não consegui).

Sugestão de pauta 2

Ainda em busca de referências que ajudem os assessores a abordarem melhor os jornalistas, consegui mais algumas dicas sobre sugestões e exemplos de pauta. Quem dá a opinião agora é Fábio Barros, editor-executivo do Computerworld, veículo especializado em notícias sobre tecnologia da informação.

“Esse negócio de sugestão de pauta é enjoado, porque não tem receita pronta, mas eu acho que algumas coisas ajudam.

Por exemplo, se a pauta for quente mesmo, história boa, basta o assessor telefonar, falar do que se trata e já passar o telefone da fonte. Isso funciona para executivos recém-contratados, contratos recém-fechados, aquisições, coisas que geralmente exigem apuração rápida.

Quando é uma pauta atemporal, aí é legal o assessor tomar alguns cuidados:

1 – Checar a pertinência do assunto para o veículo. No caso do Computerworld, que é voltado para o usuário corporativo de TI, não é raro a gente receber sugestão de lançamento de produto para usuário final, por exemplo. Aí é perda de tempo.

2 – Uma boa sugestão de pauta não precisa ser um release. A gente não precisa da matéria pronta. Faz um briefing de duas ou três linhas explicando do que se trata, enumera alguns tópicos com dados que sustentem a história e manda por e-mail. Se quiser ligar antes para checar se o assunto interessa e já mandar a sugestão com certeza que será aproveitada, melhor.

Sobre o que é uma boa sugestão, a gente avalia sob o olhar do nosso leitor. Mais uma vez, no caso do CW, a pergunta é: este assunto é bacana para o usuário de TI que está dentro das empresas? Vai ajudá-lo a trabalhar melhor, a evoluir, a usar melhor as ferramentas de trabalho? Se sim, a pauta é legal. Se não, não.

Basicamente é isso. Você viu que eu não falei de follow, né? Pois é, melhor não falar e melhor ainda será se ele não for feito, a não ser que se trate de um assunto que foi oferecido com exclusividade (o assessor precisa saber se vai ser usado ou não) ou de confirmação em eventos, viagens, coletivas e almoços. Se bem que mesmo isso pode ser feito por e-mail, mas tudo bem. Fora desses casos, liga não.”

Veja também:
Sugestão de pauta – por André Borges, repórter do jornal Valor Econômico
Exemplo de sugestão de pauta
Exemplo de sugestão de pauta, ou não

Sugestão de pauta

Sempre que dou uma olhada nas estatísticas deste blog, as duas expressões que mais trouxeram leitores para cá são “exemplos de pauta” e “sugestões de pauta”. Por isso, estou conversando com alguns amigos que trabalham em redação e pegando algumas dicas com eles. O primeiro a mandar a sua visão sobre pauta foi André Borges, repórter do jornal Valor Econômico:

1.  Não tente vender peixe por lebre. Ligue para o repórter se você realmente tem uma pauta nas mãos. Se você já não acredita muito na pauta, imagine o repórter;
2.  Não produza um release clássico, cheio de nariz de cera e badulaques. O jornalista não tem tempo nem interesse em ler seu texto. Ele quer a pauta;
3.  Seja preciso, objetivo. Se for possível, apresente a pauta por meio de tópicos, mostre em poucas palavras por que ela é interessante;
4.  Se você não conhece o jornalista, não force uma intimidade que não existe. Aquela coisa “e aí, fulaaaano, tudo jóia mesmo?!” só pega mal e atrapalha;
5.  Se você tem uma pauta bacana, ligue para o jornalista antes de enviar o e-mail. Quando ele receber a mensagem, se lembrará de sua ligação. O contrário (o tradicional follow up) é uma enganação e uma perda de tempo.