Perfis engraçadinhos

Não é de hoje que os perfis falsos no Twitter fazem sucesso. E o mercado de comunicação não poderia ficar de
fora dessa. Separei dois aqui que interessam diretamente ao pessoal que estuda e trabalha em agência de comunicação: @atendilento e @assessoranta.

Ah, se você quiser se divertir também com fakes de mídias sociais, seguem dois que valem a pena:  @socialmerda e @socialdepressao.

Se tiver mais algum pra indicar, manda bala nos comentários!

O outro lado

Eu já cansei de pedir que alguém escreva ou crie um blog  sobre o outro lado do balcão. Mostrar as asneiras que os jornalistas e veículos cometem seria essencial também para ajudar o pessoal que está se formando a não cometer os mesmos erros nas redações.

E a resposta é sempre a mesma: “se fizermos isso seremos boicotados pelos próprios jornalistas e veículos”. Sei não, talvez. Mas seria bem interessante contar as histórias absurdas que rolam do lado dos coleguinhas.

Vez ou outra aparece algo, como este aqui publicado no blog de Clarissa Antunes, da Em Voga Comunicação. É sensacional a resposta do editor do jornal ao receber uma pauta da empresa que a agência atende. A dica veio de um amigo que acompanha o blog dela.

Desencontro

Toca o telefone na redação. Como sempre, atendo com a paciência que me é peculiar. A assessora começa a falar de uma sugestão de pauta que me enviou, se eu estaria interessado em entrevistar a cliente dela e assim por diante. Lembrei de ter lido o e-mail, mas descartei. Sabem por qual razão? Simples, a cliente dela é colunista da revista que edito. Até aí, nada anormal. O fato de ser colunista não impede que eu entreviste a executiva para qualquer outro tema ou pauta que esteja tocando. O problema é que a assessora não sabia que a fonte era colunista e ficou tão sem graça que eu quase ofereci um café!

Assessor em órgão público

Uma repórter aqui da editora está querendo falar com o responsável para fazer uma matéria sobre  evolução tecnológica de um sistema que o órgão utiliza. Teve de insistir muito e ser maltratada algumas vezes pela secretária do presidente desse órgão. Quando finalmente conseguiu um retorno do assessor de imprensa, ela ouve a seguinte frase:

– Mas você precisa mesmo fazer entrevista? As informações estão todas no site, se você olhar lá não vai ficar com nenhuma dúvida.

Percebem o nível dos assessores de imprensa em determinados órgãos públicos, pagos, aliás, com o nosso suado dinheirinho? Deixo no ar para comentários: qual seria a resposta ideal para esse indivíduo?

Modelo, atriz, jornalista e aproveitadora

Segue a história do outro lado do balcão contada por Rodrigo Ferrari, fiel leitor do blog:

Bem, como você disse no comentário que eu poderia mandar sugestões de histórias da complicada relação mídia-assessorias, resolvi fazer o breve relato abaixo.
Foi lá no período paleozóico (no meu segundo estágio em assessoria), mas eu considero muito ilustrativo. Estava divulgando um evento beneficente, uma espécie de bazar de fim de ano, com várias marcas de roupas de grife. Aí, veio o pedido de uma jornalista, que não será identificada:

– Oi, aqui é a Fulana, da Chiquinha Magazine. Estou fazendo uma produção e vou precisar de três peças masculinas: uma calça tamanho 44, uma camisa M e um par de sapato nº 42.

Estranhei ela pedir a numeração específica, pois já conhecia a sessão de moda da revista e lembrava que o padrão era fotografar as peças isoladas, sem modelos. Perguntei:

– Você estão mudando o padrão da revista e vão fotografar um modelo vestindo as peças?

E aí veio a pérola, que eu jamais esqueci:

– Não, as fotos serão no mesmo padrão de sempre. É que está perto do aniversário do meu namorado e eu vou aproveitar as peças para depois dar de presente a ele.

Assessor também se mete em saia justa!

O pior é saber que não era uma publicação de segunda linha, uma revista ‘fundo de quintal’. E tive que explicar que as peças deveriam ser devolvidas depois de utilizadas. Nem preciso dizer que imediatamente ela disse que não precisava mais.

Linha cruzada

Não é a primeira e não será a última. Veja a conversa da editora-assistente de uma das revistas aqui, a Tati Alcalde, com uma assessora:

—– Original Message —–
From: Fulana de Tal
To: Tatiana Alcalde
Sent: Wednesday, November 07, 2007 11:15 AM
Subject: Re: Mussum Mocó Comunicação lança novo site com plataforma de serviços personalizados na área de sustentabilidade

Olá Tatiana,
fico muito grata pela sua resposta. Desculpe a pressão, mas é que as vezes uma reposta franca como a sua resolve a questão muito mais rápido. Enfim, desabafos de uma assessora….
Quando tiver uma notinha com um perfil mais adequado para o Executivos Financeiros, farei contato.
Obrigada.
Um abraço,
Fulana de tal

A resposta:

—– Original Message —–
From: Tatiana Alcalde – Grupo Padrão
To: Fulana de tal
Sent: Wednesday, November 07, 2007 12:49 PM
Subject: Re: Mussum Mocó Comunicação lança novo site com plataforma de serviços personalizados na área de sustentabilidade

Desculpe Fulana de Tal, mas nós publicamos as revistas Consumidor Moderno (www.consumidormoderno.com.br) e B2B Magazine (www.b2bmagazine.com.br).
Obrigada
Tatiana

Mas tem certeza?

Parece surreal, mas aconteceu. Eu vi e ouvi aqui na redação. Depois tem gente que reclama do Pérolas. Como pode um negócio desses?

Toca o telefone:
(Fabiana) – Redação.
(Assessora) – Oi Fabiana, tudo bem? Eu sou a Chiquinha Gonzaga*, da assessoria de imprensa da Mussum Mocó*. Queria te convidar para uma coletiva sobre disfunção erétil.
(Fabiana) – Não dá, não tem o perfil de nossas publicações aqui. Escrevo sobre tecnologia da informação e relações de consumo.
(Assessora) – Mas posso te mandar o material?
(Fabiana) – Acho melhor não, não temos como aproveitar isso.

Comentário da Jéssica aqui na redação: “só faltou a assessora dizer que encontrar uma pesquisa dizendo que os executivos que trabalham com tecnologia da informação tem alta propensão a ficarem broxas.

Hoje, toca novamente o telefone:
(Fabiana) – Redação.
(Assessora) – Oi Fabiana, tudo bem? Eu sou a Chiquinha Gonzaga*, da assessoria de imprensa da Mussum Mocó*. Lembra que disse que não poderia ir à coletiva sobre disfunção erétil? Posso te mandar o material?
(Fabiana) – Olha, na boa, não rola. Não tem nada a ver com as nossas revistas e sites.
(Assessora) – Tem certeza? Não quer mesmo o material? Mas você não faz o online?
(Fabiana) – Sim, escrevo para o online e para o impresso, mas não tratamos esse tipo de tema nas publicações.

Não dá vontade de bater o telefone na cara? Custa dar uma olhadinha no site e na revista antes de fazer um follow desses?

Tecnologia?

Diálogo de follow ontem:

– Oi, aqui é a Chiquinha*, da assessoria Mussum Mocó*. Vc recebeu um release que a gente enviou?
Bruno diz: – Sobre o que é o release?
Chiquinha: – sobre tecnologia
Bruno diz: …

Bruno: Um dia eu ainda respondo, “ah, que pena, achei que era sobre antropologia”.

E sabem o que é pior? Isso aconteceu comigo também! A mesma figura me ligou poucos minutos antes de conversar com o Bruno e disse a mesma coisa. Agora, fala sério, como uma pessoa faz follow com duas revistas de tecnologia e me solta uma dessas?