O modelo de release que ainda incomoda


Por Rodrigo Capella*

Fui convidado por Gil Giardelli para ministrar palestra sobre PR Digital no curso “Ações Inovadoras em Comunicação Digital”, da ESPM. Durante a conversa com os alunos, comentei os avanços da comunicação brasileira e internacional, citei alguns cases de vídeo-release e sustentei, causando alguma estranheza, o fim do disparo de releases.

Na sequência, apresentei o Social Media Press Release (SMPR), desenvolvido pela SHIFT Communications. Neste momento, a reação da plateia foi ainda maior. No lugar de olhos arregalados e sinais de surpresa (marcantes na parte inicial da palestra); mãos esticadas e lábios aflitos para perguntar, comentar e questionar.

Desenvolvido para propiciar uma total interatividade com o jornalista, o SMPR é constituído por diversos espaços, contemplando as novas mídias e também a informação escrita.

Logo no início, o jornalista tem acesso aos contatos gerais do cliente, como telefone, e-mail e site, e informações também da assessoria de imprensa. Até aí, nada diferente. A reação da plateia veio, no entanto, quando mostrei que neste mesmo espaço há a necessidade de se colocar as informações do porta-voz da empresa. Sim, isso mesmo! Ao visualizar o SMPR, os profissionais de redação podem ter acesso direto à fonte, sem ligar para as agências.

“Isso nunca daria certo onde eu trabalho. As fontes nunca falariam direto com o jornalista”, disse um dos alunos. “Não concordo. E o nosso trabalho, como fica? Nós é quem demos agendar as entrevistas”, acrescentou outro.

Estas reações eram esperadas – talvez, não com tanta intensidade. O fato é que a comunicação conta, dia a dia, com novos elementos e o PR Tradicional tem de se adaptar. As rupturas, mesmo que em pequena escala, causam, naturalmente, um certo desconforto.

É lógico que colocar os contatos do porta-voz no SMPR exige um trabalho prévio e muito bem planejado, principalmente relacionado à consciência organizacional. Processos devem ser criados, rotinas precisam ser estabelecidas e o mais importante: as assessorias precisam entender que o seu trabalho não se limita somente ao agendamento de encontros e entrevistas.

Cada vez mais, os assessores de imprensa são consultores e devem agir estrategicamente, adquirindo a confiança do cliente. Este é um ponto importante! Com o fator confiança estabelecido, um porta-voz não dará entrevista a um veículo sem comunicar para a assessoria de imprensa e, desta forma, o assessor não será extinto do processo.

Em outros espaços do SMPR, há a possibilidade de se colocar declarações de executivos da empresa, fotos, MP3, podcast, vídeo-release e links para RSS, Digg e Delicious, entre outros ambientes virtuais. Além disso, é possível disponibilizar notícias do setor ao jornalista, oferecendo dados de mercado para os profissionais de redação contextualizarem com mais elementos a matéria final.

Ao disponibilizar estas mídias e recursos, o SMPR confirma a necessidade da política da transparência total. Os assessores de imprensa precisam oferecer um pacote de informações ao jornalista, facilitando o trabalho deste profissional e atuando como parceiro. Neste contexto, esconder ou ocultar informações, como contatos de porta-vozes, é um retrocesso!

Um brinde à evolução da comunicação; um brinde à quebra de paradigmas!

(*) Rodrigo Capella é assessor de imprensa desde 2002, formado em Jornalismo pela Umesp e pós-graduado em Jornalismo Institucional pela PUC-SP. Autor, entre outros, de “Assessor de Imprensa – fonte qualificada para uma boa notícia”. Edita o blog PR Interview e ministra os cursos Assessoria Digital – Evoluindo do Release para a Web 2.0 (Escola de Comunicação) e Engagement: dicas para um relacionamento diferenciado com imprensa e cliente (Abracom).

8 thoughts on “O modelo de release que ainda incomoda

  1. Olá Rodrigo, tudo bem?
    Seu texto está ótimo. muito claro e inovador.🙂
    Participei da sua palestra no curso Ações Inovadoras em Comunicação Digital, como ouvinte. Assim, gostaria de lhe dar o feedback.
    Eu, particularmente, gostei da sua capacidade de instigar, saber ouvir, argumetar e expor suas opiniões. Foi enriquecedora. Principalmente, quando cita: “alguém precisa inicar algo de alguma maneira, de algum ponto…” Enfim, parabéns pela sua capacidade!
    Muito agradecida.
    Cíntia.

  2. Rodrigo, parabéns pela ousadia! Onde eu trabalho nós já adotamos essa pratica há algum tempo, de deixar que o jornalista tenha acesso direto à fonte. Os resultados tem sido muito bons. Abs!

  3. Rodrigo,

    Desde quando publicou seu texto aqui buscava tempo com calma para lê-lo. Acredito realmente no que você defende embasado no SMPR. Já pude trabalhar em um grande banco em A.I. e tínhamos alguns executivos que se relacionavam livremente com a imprensa sempre nos avisando e nos envolvendo em cada passo “importante”, ou seja, que poderia gerar matérias.

    Acredito que se a empresa tem uma cultura bem desenvolvida/definida (como mencionou) e consegue trabalhar desta forma é um grande ganho em agilidade/tempo para os executivos, jornalistas e assessores.

    Abraços

    Pedro Prochno
    http://relacoes.wordpress.com

    1. Pedro,

      ctz, ganhamos agilidade e nos resta mais tempo para atuarmos como consultores de comunicação, orientando as melhores práticas e planejando mais.

      Obrigado por compartilhar a sua experiência.

      Abs, Rodrigo Capella.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s