Jornalista = marca?


Vi essa nota outro dia no BlueBus e fiquei pensando. Na prática, esse modelo já acontece no Brasil com alguns jornalistas, principalmente com especializados que se tornaram colunistas ao longo do tempo. Não deixam de ser uma marca própria forte e levar seus leitores para qualquer canal ou veículo que trabalhem. Basta ver a nova propaganda da Folha de São Paulo:

Conheço muitos fãs do José Simão, por exemplo, que não começam o dia sem passar pela coluna dele. E fariam isso estando ele ou não na Folha. No atual cenário do jornalismo, acho que esse é um bom caminho para os profissionais que estão em redação.

Mas não é tão simples quanto parece. É um caminho longo e difícil. Construir uma marca de qualidade e confiança leva tempo – e porque não um pouco de sorte também. Conquistar leitores é uma tarefa árdua. Algo que alguns blogueiros têm feito com grande maestria.

Acho que há, porém, uma questão que torna essa tarefa muito mais difícil. Os jornalistas não estão habituados a interagir com leitores. Não são ensinados a lidar com isso. A “superioridade” da profissão, o conceito de quarto poder, enfiados goela abaixo dos consumidores de conteúdo por anos a fio ainda predomina em boa parte dos veículos de comunicação.

E de nada adianta abrir espaço para comentários, criar um perfil no Twitter só para dizer que interage. É preciso conversar mesmo com o público, responder aos comentários, usar as ferramentas digitais para relacionamento e não como meras replicadoras de conteúdo. O povo de redação ainda vai penar bastante para se adaptar aos novos tempos. Talvez por isso também a crise do jornalismo seja tão complexa.

One thought on “Jornalista = marca?

  1. “É preciso conversar mesmo com o público, responder aos comentários, usar as ferramentas digitais para relacionamento e não como meras replicadoras de conteúdo.”

    Edu, é realmente isso que percebo em alguns blogs que sigo, parece um diálogo de 1 pessoa só, um monólogo. Pois postam textos e quando há comentários não há respostas, não há interação, não há interesse. Se em blogs é assim não me admira que alguns jornalistas também não entendam esta necessidade.

    Abraços,
    Mateus d’Ocappuccino

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