O que aprendo ao trabalhar com as mídias sociais


Tenho passado por experiências interessantes nos últimos tempos, quando passei a lidar mais diretamente com mídias sociais no meu trabalho. Também venho estudando e tento acompanhar algumas das principais ações das empresas nesses novos canais. Não é muita surpresa, mas aprendi coisas interessantes nessas empreitadas.

Vale lembrar que isso não é uma opinião fechada e a lista não se encerra por aí. Afinal, estamos na internet, o melhor canal para conversação. Posso estar enganado, até porque não sou dono de verdade alguma, mas são algumas percepções:

1) Por mais bacana que seja uma ação, sempre haverá alguém para criticá-la. Algo, porém, chama a atenção. A impressão que tenho é que algumas pessoas nasceram apenas para descer o pau em tudo. Nunca acham nada bem feito, inovador. São os conhecidos “corneteiros de plantão”. Alguns chamam isso de inveja, outros afirmam que é porque os “críticos” acham que poderiam fazer um trabalho melhor. Realmente não sei o motivo, mas que isso é fato, ah é!

2) Algumas máximas das mídias tradicionais ou de massa, por mais contestáveis que sejam, continuam sendo importantes nas redes sociais. Em qualquer meio digital – mesmo os mais novos, como o Twitter – há sempre uma briga por quantidade de seguidores. Não interessa se a pessoa tem conteúdo ou não, o que vale é quantos simpatizantes ela consegue movimentar e trazer para debaixo de sua saia. Interessa quantidade, não qualidade. Claro que não devemos deixar de lado as velhas práticas totalmente, mas isso funciona nesses modelos novos?

3) Mesmo com o crescimento das mídias sociais como canais informativos, é muito difícil achar conteúdo relevante e interessante sobre diversos temas na internet. Na verdade não é conteúdo o que falta, mas sim leitores e gente disposta a comentar posts que simplesmente fujam de brincadeiras. Tente procurar blogs que tratem de estratégia e negócios de tecnologia que não sejam vinculados a revistas segmentadas. Os blogs e comunidades de maior sucesso nas redes sociais, em geral, tratam de futilidades e banalidades, piadas, humor. Seria um efeito do público que mais freqüenta a internet e utiliza com mais vontade as redes sociais, os mais jovens? Em determinados momentos sinto um deslumbramento em relação às mídias sociais. Estou totalmente errado?

4) Por ser um nicho muito novo, boa parte das iniciativas ainda são muito experimentais. Não estou negando as ações de sucesso desenhadas e colocadas em prática por diversas empresas no Brasil, muito menos dizendo que não há profissionalismo. Existem métricas, rastreamento dos visitantes, estratégias e apresentação de resultados. Mas a imaturidade e falta de padrões ainda deixam este mercado instável em relação aos objetivos alcançados.

5) A vivência dos jovens com as redes sociais é muito mais ampla e positiva do que a proporcionada pelos profissionais que atuam como tais no mercado. Mas isso inclui também riscos pela falta de experiência. Não sou contra o estágio, só acredito que a orientação para a criação e manutenção de perfis corporativos precisa ser profissional. Mais: será que estes jovens, alçados ao comando e poder de decisão dentro das companhias, vão tomar atitudes tão diferenciadas de seus antecessores? Será que vão assumir os riscos impostos pela liberdade da internet? Ou vão ser apenas um pouco mais abertos a novas idéias e vão seguir as tendências de negócios daqueles “mais velhos” que até outro dia ocupavam a gestão das companhias?

5 thoughts on “O que aprendo ao trabalhar com as mídias sociais

  1. Acho muito interessante suas pontuações aqui. Estou fazendo tcc sobre o uso estratégico das mídias sociais pelas relações públicas e uma das fichas sobre o trabalho caiu quando ainda buscávamos um “problema” a ser resolvido e li o texto sobre RP 2.0.

    O fato de muitas pessoas avaliarem a abrangência das mídias sociais de acordo com o número de seguidores/visitas e não pela qualidade/credibilidade do conteúdo me incomoda muito ainda, bem como essa dificuldade de encontrar conteúdos relevantes sobre algumas questões importantes. No Brasil, as pessoas ainda subestimam o poder das mídias sociais, mas não é só isso. Mesmo na mídia tradicional, os líderes de mercado são aquelas que tem informações sobre quase tudo, mas rasas o suficiente pra que qualquer um consiga ler e não por acaso, são os que tem mais anunciantes e ganham mais dinheiro com isso (mesmo não sendo exemplo de credibilidade quando falam de alguma coisa).

    Sobre o último tópico do texto, (ainda) sou jovem, vivi os últimos 10 anos intensamente na internet, consigo traçar paralelos da minha vida pelos computadores que tive em cada momento e claro, sou cheia de novas idéias pra pensar e discutir sobre o assunto. Mesmo assim acredito plenamente na importância de quem já passou por outras coisas, no poder da experiência associada a criatividade, e no direcionamento que isso pode dar a trabalhos para que não se percam os valores até então presentes. Não é possível construir uma coisa nova ou chamar algo de inovação sem se olhar para o passado e pensar no que foi feito de importante diante dele!

  2. É isso, Edu. O ambeinte digital está replicando as midias tradicionais, tal como era com as mesmas velhas discussões: quantidae x qualidade, relevânica, conteúdo, público alvo etc. A diferença é que no digital existe um “pseudo” relacionamento entre o “formador de opinião” ou “a marca” e o público. Como há a possibilidade de interação direta, é fácil achar que o relacionamento está estabelecido (quem, ao assistir o CQC não tem a estranha sensação de que “brother” do Taz?!). A questão é: ele NÃO é nosso brother (ressalva: isso não é uma crítica pessoal a ele e sim ao “pseudo” relacionamento q tanto se fala). É claro que a lógica agora é outra? Sim, o canal de comunicação exite, tá aí. A questão é se ele é tão eficaz e tão promissor como se tem discutido.

  3. Edu. Muito bom post. Concordo com tudo que escreveu, mas quero destacar o ponto 1. A tendência de muita gente é olhar o lado vazio do copo, super-dimensionar os riscos e ficar falando de falta de controle o tempo todo. Enfim, infelizmente, a maior parte das decisões nas empresas são tomadas sob esse prisma.
    Em relação ao ponto 3 eu acho que você está certo. Apesar de tudo que se fala, as redes sociais ainda carecem de conteúdo relevante e consistente.
    Abçs. Mauro Segura.

  4. Juliana – é bem por aí mesmo. Mas acho que quanto maior o debate, mais nos aproximamos da qualidade.

    Nayara – como eu disse, muitas métricas dos meios tradicionais foram levadas para o ambiente digital. Por essa razão as pessoas ainda pensam mais em números altos do que qualquer outra coisa. A experiência passada certamente colabora muito para acertos futuros.

    Mauro – é um prazer receber seu comentário aqui, já que sou grande admirador de seu trabalho. Acho que a discussão sobre o 3 item resume bastante a conversa. O que eu acho, entretanto, é que estão supervalorizando no mercado algo que ainda está em plena construção como se fosse o melhor dos mundos. E, no fundo, não temos padrões para garantir certeza alguma de consistência futura. Ainda mais na internet, em que a mutação é uma constante!

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