Sugestão de pauta 2


Ainda em busca de referências que ajudem os assessores a abordarem melhor os jornalistas, consegui mais algumas dicas sobre sugestões e exemplos de pauta. Quem dá a opinião agora é Fábio Barros, editor-executivo do Computerworld, veículo especializado em notícias sobre tecnologia da informação.

“Esse negócio de sugestão de pauta é enjoado, porque não tem receita pronta, mas eu acho que algumas coisas ajudam.

Por exemplo, se a pauta for quente mesmo, história boa, basta o assessor telefonar, falar do que se trata e já passar o telefone da fonte. Isso funciona para executivos recém-contratados, contratos recém-fechados, aquisições, coisas que geralmente exigem apuração rápida.

Quando é uma pauta atemporal, aí é legal o assessor tomar alguns cuidados:

1 – Checar a pertinência do assunto para o veículo. No caso do Computerworld, que é voltado para o usuário corporativo de TI, não é raro a gente receber sugestão de lançamento de produto para usuário final, por exemplo. Aí é perda de tempo.

2 – Uma boa sugestão de pauta não precisa ser um release. A gente não precisa da matéria pronta. Faz um briefing de duas ou três linhas explicando do que se trata, enumera alguns tópicos com dados que sustentem a história e manda por e-mail. Se quiser ligar antes para checar se o assunto interessa e já mandar a sugestão com certeza que será aproveitada, melhor.

Sobre o que é uma boa sugestão, a gente avalia sob o olhar do nosso leitor. Mais uma vez, no caso do CW, a pergunta é: este assunto é bacana para o usuário de TI que está dentro das empresas? Vai ajudá-lo a trabalhar melhor, a evoluir, a usar melhor as ferramentas de trabalho? Se sim, a pauta é legal. Se não, não.

Basicamente é isso. Você viu que eu não falei de follow, né? Pois é, melhor não falar e melhor ainda será se ele não for feito, a não ser que se trate de um assunto que foi oferecido com exclusividade (o assessor precisa saber se vai ser usado ou não) ou de confirmação em eventos, viagens, coletivas e almoços. Se bem que mesmo isso pode ser feito por e-mail, mas tudo bem. Fora desses casos, liga não.”

Veja também:
Sugestão de pauta – por André Borges, repórter do jornal Valor Econômico
Exemplo de sugestão de pauta
Exemplo de sugestão de pauta, ou não

10 thoughts on “Sugestão de pauta 2

  1. Parabéns pela iniciativa! As dicas são ótimas e as assessorias deveriam aproveitá-las internamente para evitar situações em que o nome da assessoria fica queimada pq o assessor não sabe lidar com essa questão.

  2. Olá Milena, tudo bem?
    Agradeço a visita e comentário. A idéia é exatamente essa, ajudar a melhorar a relação entre assessorias e redações. Espero que as dicas dos jornalistas ajudem!

  3. Achei bárbara a iniciativa, Eduardo. Maior problema que enfrentamos é pegar nas assessoreias gente despreparada, que não teve vivência em redação e nem tem idéia do tipo de linguagem e nem o tipo de notícia adequada a cada veículo. Aí temos aqueles problemas vergonhosos de mandar coisas inúteis para as redações e inundar os e-mails dos jornalístas com informações irrelevantes ao meio que atuam. Fabiana

  4. Edu, os comentários dos jornalistas são pertinentes, mas se fosse fácil assim não teríamos esse debate eterno. Tem uma penca de jornalistas que dizem que odeiam follow, mas que acaba sendo importante em alguns casos. Ligar antes só adianta se for pauta exclusiva ou mais segmentada. Se for varejão, por exemplo, e você PRECISA mandar para todo mundo não dá para não fazer follow uma vez que a gente sabe a quantidade de emails que chegam às redações. O fato de vários jornalistas terem me agradecido no follow e publicado matéria depois me obriga a manter essa maldita prática.

    Se tem alguém que odeia o follow mais do que o cara na redação essa pessoa é o assessor de imprensa. Aliás, porque na maioria das vezes, mesmo praticando o follow da maneira certa, vc sempre se depara com um cavalo do outro lado do telefone.

    É mais ou menos como eu ser grossa com o cara que me liga com uma pauta absurda porque ele me interrompeu no meio de um planejamento ou texto.

    Também acho que é fácil a gente acertar com veículos mais conhecidos como é o caso do Valor e dar bola fora com veículos mais segmentados como a Computerworld. Infelizmente, assim como nas redações, nem sempre as pessoas conseguem se especializar ou apurar o perfil de cada veículo direitinho (embora eu ache a Computerworld suficientemente conhecida tenho certeza que alguém que entrou no mercado agora e está atendendo sua primeira conta de tecnologia pode dar uma bola fora). Eu já recebi incontáveis solicitações de pautas de produtos que não estavam no portfolio do meu cliente ou pautas da concorrência porque o jornalista “especializado” não é tão especializado assim.

    Estamos em um mercado com uma certa fluidez o que gera ruídos. Eu, apesar de não ter trabalhado em redações, acerto bem mais do que erro apostando no bom senso. Na prática nem sempre a gente pode aplicar o bom senso e isso só se descobre ao experimentar o outro lado do balcão.

    Posso estar sendo corporativista mas sempre tive a impressão de que os AIs sempre tiveram mais paciência com os colegas de redação do que o contrário. Evidentemente que temos uma quantidade ENORME de AIs incompetentes, assim como engenheiros, médicos, advogados etc.

    Quando a gente fala de comunicação dá mais margem para a discussão já que é tão simples e todo mundo pode fazer (só não tem tempo né?) ahahahaha (eu já escutei isso de cliente, morro de rir até hj).

    Enfim, adoro ouvir a opinião das redações, mas sempre fico com a impressão de que o problema é que não se faz o óbvio e não se usa o bom senso. E, para mim, esse é um problema sem solução. pelo menos até venderem bom senso em farmácia.

    Oh yes, eu sou prolixa!

    ps: eu prefiro fazer sugestão de pauta, mas os clientes têm necessidade de aprovar texto. Assim, eles acham que tem mais controle da informação. Chega uma hora que a gente cansa de discutir e faz o texto. Em alguns casos eu tiro a sugestão de pauta do texto aprovado e manda e daí…

    ps2: uma penca de jornalistas recebe a sugestão e fala: mas vem cá, você não tem um release não?

    E agora José?

    ps3: eu adoro o pérolas da AI. Me divirto horrores.

    =*

  5. Edu. Muito interessante o debate e espero realmente que o nosso trabalho melhore com ele. Concordo com meus amigos André e Fabio em diversos pontos, mas acredito que a questão de ligar antes serve para os casos em que não existe release. Se ele existir, em 95% dos casos, a assessoria vai mandar o material e, depois, ocorrerá o follow. Voto no e-mail com tópicos, como o Fabio mencionou, para ficar algo mais ligeiro.

    Flavia. Você foi precisa (e nao prolixa) em tudo o que disse. Mas passei a ser contra o follow depois que entrei na empresa que trabalho hoje. Sem brincadeira, preciso tirar o telefone do gancho para conseguir me concentrar. É um telefonema atrás do outro e acredite, porque ja fiz essa conta, 80% deles não interessam à publicação (e nao estou falando apenas à editoria que sou responsável). Um método que tem 80% de ineficiência não deve ser utilizado.

    Acredito sim que há assessorias que saibam fazer follow, mas nao podemos tratar de uma so, pq as ligações vem de várias. Poderia citar milhões de exemplos, mas acho que aqui no Pérolas todos já foram dados. Uma bela solução, por exemplo, é usar o msn, gtalk ou outro comunicador instantâneo. Para mim é muito mais eficiente. Seria mais ainda, se todos os releases e materiais subissem prontamente para a área de imprensa do site das empresas. Bastava a assessora entrar em contato e enviar o link pelo comunicador.

    “Ah, mas aqui na minha assessoria de imprensa nao pode usar nenhum tipo de messenger”, poderia justificar uma assessora. Olha, nesse caso, é melhor trocar de assessoria de imprensa, porque empresa de comunicação que bloqueia qualquer – eu disse QUALQUER – ferramenta de comunicação, precisa rever urgentemente os seus conceitos.

    ps. às vezes nos tornamos sujeitos equinos por razões que não estão ligadas ao follow up. Mas o telefone toca bem naquela horinha maledeta. Ok, estou tentando justificar o injustificável.

    ps2.. desculpem qualquer problema de acentuação ou digitação

  6. Também sou contra o follow, raramente uso desse artifício, mas já trabalhei em assessorias que era obrigada a fazer. Solta o release pela manhã e depois do almoço…follow nos jornalistas! E como era uma assessoria especializada em determinado assunto, os atendimentos todos fazima follow com os mesmos jornalistas, eles recebiam ligações da agência todos os dias, era uma vergonha. O motivo para nos obrigarem a fazer isso éo que a Flavitasalvani contou, algumas vezes os releases são deletados sem ao menos serem lidos. Aí vc faz o follow e o que acontece? ouve do outro lado da linha: “manda de novo pra mim”…RETRABALHO. Por isso não faço o follow com frequencia, é um risco que eu corro de não ter o assunto divulgado, mas acho que se o jornalista deletou é porque não interessava mesmo. Uma dica importante para os assessores, principalmente os mais novos, colocar no campo assunto o nome do seu cliente ajuda muito, principalmente se for uma grande empresa. Esse negócio de colocar que “empresa de abobrinha cria sei lá o quê” é furada

  7. Bruno, se eu estivesse em redação eu ia odiar o follow tanto quanto eu odeio hj. Eu evito profundamente, só quando não tem jeito (minha cehfe que o diga). Minhas melhores pautas sempre foram na base da sugestão e não do follow de massa, mas enfim…nem sempre a gente consegue. Eu ainda estou tentando fazer os jornalistas me mandarem pautas por MSN – muito mais prático – para controlar melhor minha caixa de entrada do outlook. Sempre me orgulhei de mantê-la em ordem, com no máximo 40 emails de assuntos em andamento. Hoje em dia fico com mais de 300, todos em andamento. Quero morrer!=P

    Sobre o bloqueio de messenger e afins, fico de cara com proibições, mas muitas agências seguem o modelo de seus clientes (o que é ridículo) em termos de “política de uso de internet”. Paradoxo total né?

    Aliás, queridos leitores do Pérolas, me adicionem no MSN:

    flavita.valsani@lvba.com.br (para pautas e afins)

    peteleco.valsani@hotmail.com (pessoal)

    @flavita_v (twitter)

    e claro Gtalk: flavita.valsani@gmail.com

    (Edu, sorry pelo abuso, mas é uma ótima oportunidade de converter mais coleguinhas pra web 2.0 ahahahaha)

  8. Bacanas as sugestões do Fábio e os comentários de todos aqui. Aprendo muito com esse blog. Hehe! A Flavita tocou num ponto importante nessa questão de como fazer as sugestões de pauta às redações: o condicionamento do release. Pano pra manga, essa discussão.

    Que método é esse da Oracle, mencionado pela Sílvia? Hum…

  9. Muito bacana mesmo os posts sobre Sugestão de Pauta. Entretanto, concordo com a Flavita em relação ao follow. Se vocês, jornalistas de redação, acham que é um SACO fazê-lo, imagine nós, das assessorias. Ficamos nos sentindo no papel do “telemarketing ativo”…o que, convenhamos, é foda!

    Entretanto, existem pautas e pautas. E algumas delas somos forçados a enviar pra todos MESMO (lembrem-se: nós tb temos chefes!). E aí vem o maldito follow pra estragar nosso dia…é chato, sim, mas necessário, já que inúmeras vezes o jornalista sequer abre o email, pois não conhece o remetente…
    particularmente, se é pra mandar um varejão, prefiro ligar antes e ver com o jornalista se interessa…assim já mato dois coelhos de uma vez!

    A, antes que eu me esqueça: não cobrem dos assessores conhecer o perfil de todos os veículos/editorias/caderno/suplementos/jornalistas existentes no Brasil. Claro que com a prática em um segmento, vc cria a expertise e acaba identificando o perfil daqueles com os quais você mais trabalha. Mas não é possível conhecer tudo de todos, ainda mais nesse mercado altamente rotativo e que procura se renovar com certa constância.

    É isso, Abs!

    PS: Flavita – Você trabalha na LVBA? Bacana! Tive o apoio da Gisele Lorenzetti na finalização do meu TCC. Abs!

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