Sugestão de pauta


Sempre que dou uma olhada nas estatísticas deste blog, as duas expressões que mais trouxeram leitores para cá são “exemplos de pauta” e “sugestões de pauta”. Por isso, estou conversando com alguns amigos que trabalham em redação e pegando algumas dicas com eles. O primeiro a mandar a sua visão sobre pauta foi André Borges, repórter do jornal Valor Econômico:

1.  Não tente vender peixe por lebre. Ligue para o repórter se você realmente tem uma pauta nas mãos. Se você já não acredita muito na pauta, imagine o repórter;
2.  Não produza um release clássico, cheio de nariz de cera e badulaques. O jornalista não tem tempo nem interesse em ler seu texto. Ele quer a pauta;
3.  Seja preciso, objetivo. Se for possível, apresente a pauta por meio de tópicos, mostre em poucas palavras por que ela é interessante;
4.  Se você não conhece o jornalista, não force uma intimidade que não existe. Aquela coisa “e aí, fulaaaano, tudo jóia mesmo?!” só pega mal e atrapalha;
5.  Se você tem uma pauta bacana, ligue para o jornalista antes de enviar o e-mail. Quando ele receber a mensagem, se lembrará de sua ligação. O contrário (o tradicional follow up) é uma enganação e uma perda de tempo.

9 thoughts on “Sugestão de pauta

  1. tá, mas quando as assessorias cheias de gente inexperiente no atendimento e chefes atolados de trabalho PENSAM nas pautas? taí um nicho a ser explorado, pq. hoje é quase tudo release empurrado telefone/email/msn/twitter abaixo…

  2. Concordo com o André e digo, com a experiência de quem tem mais experiência em assessoria do que em redação, que é possível vender pauta sem se queimar. A primeira regra é: se o cliente quer que você venda a pauta X e nem você se convenceu dela (partindo do pressuposto de que quem vai vender a pauta entende o que é uma pauta), brigue e procure algum ângulo que te convença. No final, o seu nome e a sua carreira não podem valer menos que uma pauta que nasceu errada. Eu sei que não é fácil, mas se fosse, que graça teria?

  3. não podemos generalizar. sempre procuro em pensar em pautas, com mais de um cliente, para que seja mais atrativo.

    segundo as “regras do andré” tô fazendo certinho – hahahahah.

    beijos

  4. Henrique – é aquele negócio que já falei por aqui, não adianta contratar vários estagiários para fazer trabalho de profissionais. depois não vai entender porque o cliente não sai na mídia. É um bom tema para próximos posts.

    Marina – também acho que isso é importante, mas convencer o cliente de que determinado assunto não é uma pauta que rende e não trará resultado também é algo muito difícil.

    Luisa – minha idéia é trazer a opinião de alguns jornalistas de diferentes veículos para que a visão não seja a mesma em todos os casos. A unificação de clientes é mesmo uma boa saída para criar algo mais elaborado e interessante para as redações.

  5. Eduardo, não é convencer o cliente de que o assunto não rende, é procurar um ângulo que faça sentido, é fazer boa parte da reportagem para entender e visualizar como o assunto poderia ser retratado por um jornalista. Normalmente tem alguma saída, mas exige muita criatividade. Acho que não dá para ser um assessor que só sabe pegar o briefing, escrever release e fazer aquele follow up que parece telemarketing. Até porque o mercado está cada vez mais concorrido.

    A solução da Luísa é uma das ferramentas que podem ser usadas quando se está em uma agência, mas achar assuntos semelhantes para vários clientes também pode ser difícil, ao menos que seja uma agência especializada.

  6. Marina, entendo perfeitamente que não podemos ser robôs que pegam briefing, escrevem, aprovam, fazem follow. Quanto falei em dificuldade, é que raramente uma empresa tem um profissional de comunicação que entenda como funciona esta área. Geralmente a comunicação está subordinada ao marketing, que não compreende os meandros de uma pauta, de um tema, de como isso é “vendido” a uma publicação. Acredito que há sim boa vontade em muitos assessores, mas boa parte deles desanima exatamente porque esbarram incansavelmente na barreira imposta pelo ambiente corporativo em não entender a comunicação como ela é.

  7. Relmente nem sempre o follow é bacana. Já cansei de tomar telefonada na cara! rarará. O mais legal mesmo é ir direto ao ponto e avisar antes que está mandando um e-mail. De todo modo, confirmar o recebimento é fundamental.

  8. “Seja preciso, objetivo. Se for possível, apresente a pauta por meio de tópicos, mostre em poucas palavras por que ela é interessante”

    Gostei disso. Às vezes, acho que existe um afã em produzir releases que o assessor nem se pergunta se é realmente essa a forma correta de abordagem para determinado assunto… Não quero, ao dizer isso, apregoar “morte do release” ou coisas que o valham, como podem imaginar alguns mais apocalípticos, mas pensar outras maneiras de sugestão da pauta também é válido, não? O que acham?

    Boa essa ideia, Vasquez. O blog está cada vez melhor.

  9. Fernanda – também acho que é essencial a confirmação, mas confesso que quando estava em redação eu tinha muita dificuldade de controlar esse volume de e-mails e responder a todos eles.

    Fernando – eu também acho que o release deveria passar por modificações drásticas. Novos modelos reduziriam, inclusive o famoso “copy and paste” de algumas redações.

    Obrigado pela visita e comentário de vocês.

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