Quanta dificuldade: briefing


Como é que algo que poderia e deveria ajudar atrapalha tanto? Sim, estou falando do briefing (muito comum nas agências de RP e de publicidade – em vários outros mercados também). É impressionante a incapacidade que as pessoas têm para preencher um simples questionário. Um negócio relativamente simples, que ajuda a traduzir a real intenção da empresa no processo de comunicação funciona (no geral) muito mal.

A lógica é muito semelhante ao do jornalista quando vai preparar uma pauta. Basta colocar-se no lugar de quem receberá esse material, reler, e fazer algumas perguntas simples: o direcionamento é exatamente este que passei? O conteúdo é suficiente para a produção das peças e veículos? As principais dúvidas foram sanadas e dão base para o redator/criação/assessor? O público atingido está bem detalhado? Os recursos (humanos ou não) para o desenvolvimento do trabalho são acessíveis e estão disponíveis?

Seria possível publicar mais diversas outras questões. Mas estas bastam para que o trabalho flua melhor.

Saber especificar e detalhar os objetivos de um projeto, campanha, release, seja lá o que for, é essencial para que os processos, prazos e estratégias sejam atendidos de maneira adequada. E isso pode trazer uma série de benefícios:

– dá suporte necessário para que a “produção” tenha foco;
– elimina a necessidade do “debriefing”, o que significa economizar tempo;
– quebra aquele “diz que me diz”;
– encurta o período de produção do material;
– elimina a quantidade de “vai e volta” no fluxo entre produção e aprovação de conteúdo;
– facilita e torna mais ágil o processo de aprovação;
– permite cobrar os resultados com coerência e embasamento no que foi proposto.

Infelizmente, isso tem se tornado um luxo para quem trabalha com comunicação. A velocidade dos fatos e a necessidade de trabalhar a informação de maneira ágil acabam jogando este conceito no lixo. Mas sempre que possível, vale planejar e estruturar isso. A economia nos custos de retrabalho acaba compensando. E tem mais: dinheiro pode ser recuperado, o tempo não.

P.S.: desculpem-me pelo sumiço das últimas semanas, mas o trabalho está me consumindo demais. Volto em breve para falar sobre comunicação interna.

4 thoughts on “Quanta dificuldade: briefing

  1. Genial como de costume…
    Para alguns é mais fácil dificultar as coisas… Só ainda estou em dúvida se é burrice mesmo ou total incompetência…
    O jeito é não desistir Eduardo….

    PS: Não comento mas leio sempre. Essa página é extremamente bem escrita e bem falada…
    Um abraço
    Ale

  2. Alessandra: agradeço os elogios. O que não entra na minha cabeça mesmo é o fato das pessoas continuarem persistindo mesmo sabendo que o final da história será distorcido porque o começo estava errado. Mas vamos lutando!

    Flavita: valeu… hahahaha, mas eu declino da proposta. Eu acho até que conseguimos estabelecer processos para o briefing, o problema mesmo é alguém conseguir entender a importância dele.

  3. E ai, Eduardo… Sempre que posso, espio seu blog e, mais uma vez, a discussão é boa. Acredito que quando bem feito, o briefing é um guia importante, mas quando mal formulado, é melhor nem ter. Aproveitei o tema e puxei uma discussão pro blog que mantenho com colegas de curso: http://www.rp-bahia.com.br/rp-acontece

    Dá um pulo lá, quando puder. Abraço

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