Mais do mesmo?


Apesar de alguns elogios, fiquei frustrado com o painel que mediei sobre RP Digital no Campus Party. Nem por conta dos participantes. Thiane (Edelman), Mario (Pólvora) e Edu (Ideal) mandaram muito bem com suas colocações sempre consistentes. O que me incomodou foi uma sensação de que estamos ficando repetitivos. E olha que nem caímos na discussão jornalistas X blogueiros, posts pagos e outras que já esgotaram e nem valem a pena.

Houve, nos últimos tempos, uma supervalorização das mídias sociais. Qualquer site que prestava um serviço simples começou a ganhar contornos de rede social. Não estou descartando a importância desses conglomerados digitais, longe disso. Mas é tudo tão experimental ainda que fica difícil vender ou praticar conceitos. Se o mercado mal sabe qual o trabalho de uma assessoria de imprensa pura, que dirá de RP. Quanto mais o digital.

Acredito que RP é RP e ponto. O que muda é o canal de interação ou comunicação com os públicos, a forma como se chega a cada um deles. São esses caminhos que ainda não conhecemos. Não há uma fórmula – em outros meios existem alguns padrões determinados pelo mercado – ou uma receita de bolo pronta para ser realizada. Duvido até que isso vá surgir. Cada caso tem e terá suas peculiaridades.

Por isso mesmo os questionamentos feitos por mim no Campus Party pareciam básicos. Mas não vejo muito como fugir daquele discurso adotado. O real valor do setor de RP nos meios digitais está longe de ser percebido.

É uma questão cultural? Não gosto de usar isso como desculpa. E se esse for o real motivo, ainda vamos perder bons anos para que o mercado aprenda a lidar com tudo isso. Cultura não se forma em um dois anos. A troca de gerações não acontece também nesse espaço curto de tempo. Como já ressaltei aqui diversas vezes, transparência também é algo que ainda não faz parte do vocabulário de negócios no Brasil.

A tal da evangelização – e surgiram tantos evangelizadores de mídias sociais nos últimos dois anos – vai acontecer mesmo na base da porrada, do erro e acerto, dos testes, do risco.
O fato é que as companhias ainda não estão muito interessadas em relacionamento. Os SACs (Serviço de Atendimento aos Clientes) estão aí faz mais de 10 anos e nem com uma regulamentação nova conseguem seguir as regras ou o mínimo de responsabilidade. E com a mídia social não será diferente.

Para ver mais sobre o debate:
Relações Públicas 2.0
Livestream Blogblogs

8 thoughts on “Mais do mesmo?

  1. Eu tive a mesma sensação que você. Aliás, acho que você conseguiu resumir muito bem em seu post o pensamento de alguns.
    Eu sinceramente gostei muito da sua mediação, acho que fez perguntas pertinentes e foi uma das melhores da Campus Party. Porém, depois do debate, eu tive uma sensação de mesmice. Pensei: “poxa, não vamos sair disso nunca”.
    Concordo com você, acho que esse trabalho de evangelização não acontecerá da noite para o dia. Mas acho que o problema vai mais além.
    Acho que esse segmento continua “terra de ninguém”, quero dizer, publicitários e jornalistas brigam por clientes e para o mercado não fica claro quem faz o quê e como faz.
    Outro ponto: formação. Você, como jornalista, sabe que as faculdades formam profissionais para atuar na grande mídia. Sou assessora de imprensa e estudei sobre isso 6 meses, de 4 anos!!! Também acho que o profissional de RP, que sai das universidades não tem essa base, tb.
    Tudo é muito novo: todos conhecem as ferramentas, sabem do potencial delas e querem usá-las, seja como for.
    O fato é que, enquanto o mercado não se conscientizar de que um planejamento integrado (RP + Publicidade) é necessário, as coisas continuaram meio no ar.

  2. É isso aí, Eduardo. RP é RP. E ponto. O serviço varia de acordo com a necessidade de cada um. Acho que o grande problema do mercado hoje é que tem muito “evangelizador” pra pouco “índio”.
    É gente vendendo fórmulas mágicas, que na verdade ainda não passam de experiências de laboratório. Vejo e leio cada coisa que me deixam um pouco apreensivo.
    No momento, considero a discussão jornalistas x blogueiros + posts pagos muito mais interessante.
    Abrs

  3. Bom, devo concordar com a Carol lá de cima. RP, realmente, é terra de ninguém. Porém, a comunicação já vem com um “defeito” de ser muito convergente e todos os profissionais querem abocanhar uma parte se apresentando como “jornalista”, “publicitário”, etc e tal.
    Eu acho que comunicação é comunicação e ponto. A gente se forma como “comunicólogo especializado em xpto”. No nosso caso, a comunicação é estratégica, planejada e depende das outras comunicações pra funcionar. Eu sou formada em RP, acredito que seja a melhor faculdade para atuação em comunicação estratégica. Mas trabalho com publicitários, designers e jornalistas extremamente competentes. Então, quem leva?
    Continuo achando que o problema é cultural, inclusive no sentido da falta de transparência. O mercado não entende muito bem o trabalho das agências (só sabe que todos devem ter uma) e para completar não entendem o que é a internet. O espaço é livre, cada um diz o que quer e todo mundo acaba sabendo de tudo. Não dá mais pra pensar comunicação em via única: eu falo bem de mim, você escuta e acredita. Na web, não dá pra corporativizar muito, porque as pessoas escapam. As empresas precisam ouvir, mas não estão com vontade, isso vem da cultura dos negócios brasileiros e vai perdurar por um tempo, como vc disse

    Enfim, que seja mais do mesmo! Mas vamos continuar a discussão, ela é importante, em uma dessas vai surgir uma luz…

    *eu adorei o debate!

  4. Toda ag de RP tem q ter esse braço 2.0. Já. Quem não tem ainda, já perdeu a oportunidade de diferenciação e está só correndo atrás. Bom, colocado isso, tem um outro lado. Tirando q é uma ótima segmentação ou agregação de valor (por enquanto, né. enquanto todo mundo não copia) na proposta de mkt das empresas….

    Qq coisa 2.0 na Internet tem a ver com a chinelização do meio. Qdo o povão de havaianas genéricas e nikes comprados em camelôs invade a rede que antes era utilizada por uma elite de técnicos, entusiastas e jovens (insira o adjetivo q quiser aqui).

    Não tem a ver com qq mudança na RP ou na comunicação, q abocanha toda essa segmentação por muitas vezes desnecessária já desde 2005. É puro cenário de mercado consumidor.

    Interatividade, retorno, participação… ora, já estudamos isso na faculdade. Só aumentou o volume, abrangência e a rapidez…. como tudo, enfim, desde 1995.

    As assessorias têm de ter o 2.0. Mas, os dptos de comunicação das empresas usuárias devem cadastrar fornecedores de RP 2.0 no mesmo lugar de fornecedor de mural, assessoria de imprensa ou de jornal corporativo . Eles só ajudam a compor a estratégia de comunicação integral. E têm de se submeter à estratégia definida. Não podem determiná-la.

    Eu tenho dito q, pelas definições de inovação do Christensen, tudo isso está mais para inovação agregadora do q disruptiva. Então, muda muito a percepção do hype. É pra ser engolido, não deixar que engulam.

  5. Não estive no debate, por pura decepção com a CParty. Muita badalação para pouca estrutura efetiva de geração de conhecimento. Traduzindo: não dava pra ouvir as palestras, e cá pra nós a gente tem muita coisa pra fazer na vida fora daquele pavilhão. Tenho certeza que vocês foram ótimos, porque os acompanho a tempo.

    Aproveito pra falar alguns dos meus receios no tema: este empoderamento, esta história de todo mundo ser protagonista, sujeito da sua história, participante ativo da produção e distribuição de conteúdo é muito instigante, muito legal no ponto-de-vista de dar voz a todos os interagentes.

    Na prática, contudo, a comunicação vira de fato terra de ninguém – não só RP. Ora, se todos sentem-se com capacidade de intervir, propor, mediar, resumir, propalar, os comunicadores “formais” servem pra que mesmo? Questão agora é ver o que se produz neste mundo digital, que cá pra nós está cheio de superficialidade. Como eu disse recentemente, estou cansado de gente surfando na rede, eu quero companhia pra mergulhar.

    E vejam: gerencio um portal, um boletim por email e uma lista de discussao desde 1997. E desde 2004 umacomunidade no Orkut. Tenho favoritos no Del.icio.us e Diigo, tenho canal no YouTube e no Slideshare, tenho Twitter. Estou longe de ser um dinossauro com medo da concorrência.

  6. Acredito que tem se falado muito de web 2.0, RP digital e afins, mas ainda pouco se faz de contundente. Sobra euforia e estardalhaço, mas falta know-how.
    Tem muita gente se aventurando nas possibilidades abertas neste universo sem ao menos uma análise mais apurada das coisas. Depois não sabem por que tantos blogs sem comentários, perfis no orkut às moscas e vídeos com acessos quase nulos. Ingressar na web 2.0 não é uma questão de tem que ter, mas de se precisa e por que.
    Vivemos, sim, em tempos que exige interatividade, do on/offline, do receptor que está atento e que não quer ser passivo no processo, mas daí a sair construindo instrumentos ou estratégias enviesadas, a torto e a direito, são outros quinhentos. Precisamos fazer melhor a lição de casa.

  7. é isso edu. rp é rp e sempre será. vc só precisa focar em públicos que darão retorno para determinado tema que vc quer divulgar. e a web, para muitos deles é fundamental. mas isso não significa uma super inovação, mudança de tudo. só é um novo canal a ser trabalhado!

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