A falta de fonte


Eu já vinha falando disso faz muito tempo. Os executivos estão muito treinadinhos para dar entrevistas. Pessoas como o famoso Garganta Profunda já não existem mais. E isso tem seus dois lados.

É ruim porque as reportagens não conseguem sair da mesmice sem fontes interessantes e que falem abertamente. Por outro lado, mostra uma profissionalização do trabalho de comunicação e uma confiança cada vez maior das empresas nas agências.

E, sabemos, boa parte dos executivos continua a ter medo da imprensa e não gosta de atendê-la porque não quer comprometer especialmente sua escalada dentro da companhia por uma frase solta e bem aproveitada em uma publicação.

Talvez por isso a mídia esteja tão sem graça, como critica a Cristiane Correa neste post. Ela não é a primeira a reclamar, muito menos será a última.

3 thoughts on “A falta de fonte

  1. A mídia pode estar sem graça sim, mas isso não é culpa exclusiva dos media trainings que aplicamos não, como diz o artigo da Cristiane Correa. Em contrapartida à profissionalização das AIs está a preguiça da imprensa em checar uma informação além do Google, gente que não se motivou em um Kotscho (leitura obrigatória de todas as faculdades de Jornalismo) que diz que lugar de repórter é na rua. E no caso da imprensa do interior então (meu caso), que se diga!
    Minha fonte (presidente de Associação Comercial) é sempre solicitada para dar entrevistas, mas os veículos impressos e rádios não sabem nem onde estamos instalados! Todas as entrevistas são por telefone. E tem aqueles ainda que fazem a entrevista por telefone e manda o fotógrafo depois! TVs, que tem bastante espaço na região, se preocupam só com a mesmice, só em pegar aquela fala para ocupar uma matéria pré-moldada na redação.
    Preocupo sempre em como minha fonte vai se portar, sempre mando os encaminhamentos e nada é questionado além daquilo. É a imprensa que está cada vez mais previsível.

  2. Há uma crise complexa e com vários eixos para compor estes cenários. Se as fontes estão mais calejadas, assessoradas que estão por jornalistas com tempo de janela, as redações, enxutas, contratam jornalistas iniciantes e sem o senso crítico.

    O jeito do fazer jornalistico, apoiado por uma estrutura comercial e uma pressão por reportagens em escala industrial criaram uma nova modalidade de comunicação, que, no portal do Estadão, onde trabalhei, chamavamos não de jornalismo, mas de despachismo, já que pouco ou nada apuravamos in loco, fazendo copidesque de agencias internacionais, da concorrencia e de tudo o mais. Concordo com o leitor Heitor: a imprensa está previsível, homogênea, chata, tornando-se, volutariamente, cada vez mais dispensável, irrelevante.

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