Treinamento vai bem, não?


Ouvi hoje de manhã, na Rádio Bandeirantes, algumas declarações sobre os impactos da “crise mundial” no Brasil. Depois das besteiras tradicionalmente proferidas pelo presidente Lula, Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, Guido Mantega, ministro da Fazenda, Dilma Rouseff, ministra-chefe da Casa Civil, entre outros figurões do executivo se prontificaram a levar calma para o mercado.

Mas os pronunciamentos e entrevistas foram realmente medíocres. Mantega, por exemplo, chegou a dizer algo como: a crise continua grave, mas está começando a ficar mais amena e que não haverá recessão. “Só se as previsões falharem”, completou o ministro. Ah, que bonito, fiquei emocionado com tal declaração. Desde quando uma economia deve ser tratada a partir de “previsões”?

O que mais me impressiona, na verdade, é a falta de coesão, de unicidade no discurso das principais figuras do poder público. Cada um fala uma coisa, do jeito que quer,  como quer, quando quer.

Não há uma figura de comunicação para orientar o alto escalão do governo em casos como esse? Não há nenhum tipo de media training – mesmo que um simples – ou uma cartilha que deve ser seguida em situações de crise? Qual a explicação para tantos ministros falarem sobre o mesmo assunto, ou seja, não há a centralização das demandas para o tema em uma única fonte que saberá se expressar da melhor maneira?

Ok. Sei que o processo de comunicação dentro de órgãos públicos é conduzido por regras próprias e que pouca gente entenderia. Mas estamos falando dos ministros de maior representatividade da nação. Estou viajando? Falando muita besteira?

3 thoughts on “Treinamento vai bem, não?

  1. Eduardo. A resposta é não. Você não está viajando. É que existem algumas peculiaridades na área pública. A primeira, e talvez a mais forte, é que as autoridades são figuras criadas no meio poliítico, onde a grande qualidade é subir no palanque e botar a boca no trombone. Esse estilo de falar o que bem entende, a qualquer hora, é matador para qualquer assessoria de comunicação. A segunda característica é que os orgãos do governo não tem dono, não tem patrão, então cada fala o que pensa, diferente de uma empresa privada onde todos estão pendurados num dono e numa estratégia corporativa. E a terceira característica, é que os assessores de comunicação dos órgãos públicos já sabem dessa dificuldade de segurar as autoridades e relaxam um pouco. Enfim, eu acho que esses são os tres motivos principais dessa situação. Mas concordo com você, a impressão que eu tenho, também, é que ninguém faz media training. Parabéns pelo seu excelente blog. Abcs.

  2. Nossa vc falou tudo….cada um fala uma coisa acho que entre essas novas profições de personal isso personal auilo poderia haver um personal-noção pra eles.

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