Apenas um clique


Chavões à parte, é muito comum assessores de imprensa ligarem para fazer follow com online sem antes dar uma olhada no portal da publicação. E, claro, a nota já foi publicada! Vejam a peripécia pela qual passou o amigo Vinicius Cherobino:

Executivo norte-americano, da maior empresa de software como serviço do mundo, uma das que mais crescem em TI, etc, etc, etc. Exclusiva antes com veículo “de negócios”, palestra, exclusiva depois para veículo “de TI”. Apesar desse tipo de entrevista ser meio roleta-russa, por várias vezes volto para a redação com apenas o trânsito do caminho, lá vamos nós.

“Um pequeno probleminha de atraso. Tem problema?”. Não, nenhum, assisto a palestra feita em fast foward. “Olha, outro probleminha. Só pode falar 10 minutos ou ir no táxi. Você pode ir no táxi?”. (Já repararam como o diminutivo é usado para atenuar uma declaração? Notaram tbm que simplesmente não adianta?)

Opa, veja bem, não era bem isso o combinado… “Mil perdões. Acontece” e coisa e tal… Ah, ok, vamos. Não tenho mais nada para fazer mesmo, ia ficar dormindo sobre o teclado… E vai q tem algo interessante a dizer. Bastante simpático, o executivo me chama por um apelido e vai desfiando a ladainha da comunicação corporativa… Uma informaçãozinha aqui, outra acolá, e vamos conversando no trânsito parado da Pinheiros.

Pergunto sobre a dificuldade dessa companhia em adentrar o segmento de grandes corporações. Seus olhos brilham. Viu, no Brasil, um cliente grande, duas mil licenças, “Implementamos em sete dias!”. Teve alguma dificuldade em falar Camisa*, esse /a/ aberto antes de sílaba tônica é mortal para americanos.

Que legal, eu penso. Exatamente o caso de sucesso que eu pedi há semanas. Sou informado, pela assessora, que esse mesmo caso foi passado com exclusividade para o entrevistador anterior. Que legal, eu penso. Vocês poderiam ter avisado o executivo…

Não fica tão legal qdo eu penso q o case q me passaram – com exclusividade – tem 40 licenças e um suposto viés mais técnico. Que não existe o tal viés, o case é só muito menor. Ah, pra lembrar, é de 2005. Nada contra prioridades nas assessorias, ninguém é ingênuo, mas façamos o mínimo…

Volto pra redação, subo a nota, vou para um almoço com outra fonte. Meu celular toca algumas vezes, imagino q na redação já tenha recados. De fato, tinha mesmo. Post-it na tela, voice-mail, etc… Paciente, ligo.

“Ah, Vinícius, queríamos q vc falasse com o outro executivo antes de publicar qualquer coisa”. Que legal, eu penso. Não se deram ao trabalho nem de entrar no site. O site tem 200 mil visitantes únicos por mês e eles não se deram ao trabalho de olhar o site. Bacana.

“Outros mil perdões, sabe, vcs são muito importantes para nós”, etc, etc… Ah sim, claro, cheguei a notar. Só conseguia pensar como o discurso era parecido com gravação de call center.

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