Os números e os releases


Muitas assessorias adoram oferecer informações e números de pesquisas, estudos, levantamentos, em releases que divulgam. Natural, já que os jornalistas – boa parte deles – adora dados de faturamento, participação, investimento, entre outros. O problema está nos riscos que a agência de comunicação corre ao fazer isso.

Além de conseguir a pesquisa mais atual sobre determinado tema, o que não é nada fácil, a assessoria precisa entender o contexto, saber usar somente as partes importantes sem comprometer ou distorcer o conteúdo. Erros em relação a iniciativas desse gênero têm acontecido com uma certa freqüência.

Tem assessoria inclusive que usa isso no título do release para chamar a atenção do jornalista. Por exemplo: Terceirização vai aumentar em 2008. Aí a agência pega uma pesquisa qualquer como lide e depois aproveita pra colocar os depoimentos de um cliente que é advogado e quer falar sobre o assunto.

O Bruno passou por uma saia justa na editora em que trabalha justamente porque uma empresa divulgou dados confusos e imprecisos de uma pesquisa. A chefe dele ligou para saber de onde tinham conseguido aqueles dados. A resposta: “foi o seu repórter Bruno que nos falou”. Para entender melhor, confira a história aqui.

Outro caso que recuperei de vários colaboradores do Pérolas, foi um e-mail enviado pela amiga Ana Cássia Siqueira, da Alternativa de Comunicação. De acordo com a Ana, uma assessoria além de adotar uma prática tradicional dela – de criar uma porção de pautas e distribuir pelos jornalistas anualmente – ainda pegou dados que ela usava anos atrás, ou seja, desatualizados, para divulgar um release de um concorrente do cliente de sua agência. Sem contar que no texto há uma série de dados confusos. Seguem alguns deles:

Em fevereiro de 2007, a XPTO e a Picachu Company uniram forças para formar a unidade de negócios e serviços para ambientes críticos (…) da Mussum Mocó, apresentando um faturamento de $ 3 bilhões (2.4? bilhões)
Comentário – sim, isso veio dessa forma no release, não estou inventando

Com 112.000 funcionários e operações em 190 países, a Mussum Mocó obteve um faturamento anual de US$ 18 bilhões (? 13,7 bilhões) em 2006.
Comentário – também veio assim, com essa bagunça de números em que não se sabe qual o valor real

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