Apertem os cintos: as pautas sumiram!


por Fabio Chiorino*

Vez ou outra surge alguma novidade no mundo das assessorias de imprensa. A abertura de uma nova agência de comunicação, a acirrada concorrência de uma grande conta, a passagem de jornalistas de redação para a comunicação empresarial. Mas quem poderia imaginar um grande veículo reclamando sobre a falta de sugestões de pauta em sua caixa de e-mails? Acredite se quiser, foi o que aconteceu recentemente. E não estamos falando de jornais de bairro que por preconceito ou desconhecimento são muitas vezes negligenciados por alguns assessores. O protesto veio de um editor de um site voltado ao público feminino, hospedado no Portal UOL e que recebe em média 2 milhões de acessos por mês.

Qual seria a explicação para esta escassez de pautas? Começo de ano? Preguiça dos assessores? Empresas sem produtos e serviços relevantes? Nada disso. O próprio jornalista sinaliza a resposta. “ (…) Quando eu trabalhava em revista, que tem bem menos espaço, minha caixa era lotada (até demais), e muita coisa eu não podia usar. Agora, que trabalho num portal, sem limite de espaço, não recebo quase nada ”.

Por maior que seja o crescimento dos canais de comunicação online (surgimento de novos veículos, blogs, interação em tempo real com leitores), os clientes e as próprias assessorias de imprensa ainda dão preferência aos resultados obtidos em veículos impressos, radiofônicos ou televisivos. Os porta-vozes se emocionam com uma nota publicada numa coluna econômica de renome ou com cinco segundos de entrevista numa conceituada emissora, mas praticamente ignoram a repercussão obtida com um artigo ou uma matéria de destaque publicados num canal online. O mesmo jornalista, no e-mail, ainda traz outro fator que não deve ser ignorado pelas assessorias: o espaço. Os sites e portais têm muito mais flexibilidade para lidar com os anúncios publicitários, desenvolvidos em formatos diversos e que não prejudicam nem limitam o espaço editorial. Desta forma, estes veículos possuem a liberdade em publicar notícias mais extensas, notas detalhadas, imagens ampliadas e até entrevistas ao invés de apenas algumas aspas para contextualizar uma matéria.

Pecam as assessorias de imprensa e os clientes que não enxergam a importância nem classificam como estratégicos alguns veículos de comunicação online. Levando-se em conta aspectos como tipo de informação divulgada, penetração regional, perfil do público a ser atingido e número de acessos, percebe-se que muitas pautas são mal aproveitadas e falta criatividade na hora do follow up. Para uma companhia de Recursos Humanos, por exemplo, talvez seja mais vantagem conquistar grande espaço editorial em sites especializados no assunto do que passar seis meses lutando por uma nota de quatro linhas no Valor Econômico. Ou melhor: pode-se trabalhar com as duas frentes simultaneamente. Uma idéia não inviabiliza outra.

Ignorando o mercado que atua, muitas empresas privilegiam um veículo de maior renome em detrimento a outro com menos pujança comercial. A assessoria de imprensa que compra esta idéia dá dois passos para trás. Perde a oportunidade de mostrar ao seu cliente todas as alternativas presentes na comunicação corporativa e se vê constantemente obrigada a emplacar notícias num seleto grupo de veículos, tornando seu trabalho previsível e até mesmo irritando alguns jornalistas que sempre gostam de promover um rodízio entre as empresas citadas ou usadas como fonte. Para o atendimento de conta, a ponta final de uma assessoria de imprensa, fica registrada a missão. Na próxima vez que ligar seu computador, não se preocupe apenas com seus e-mails ou com a velocidade de conexão de sua máquina. Saia em busca de espaços valiosos que, independente do formato, estejam diretamente atrelados ao conceito jornalístico que defendemos.

* Fabio Chiorino, 26, é jornalista e trabalha como assessor de imprensa na XPress – Assessoria em Comunicação

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4 comentários em “Apertem os cintos: as pautas sumiram!

  1. Eu sinceramente não entendo esses jornalistas que reclamam de escassez de pautas. Não recebo releases; aliás, até me recuso. No entanto, sempre tenho assunto pra cobrir. Pauta nunca me falta, se me perdoam a rima ruim. Acho até que minha distância crítica em relação às assessorias ajuda bastante nisso. A melhor fonte de pautas é uma cabeça em bom estado de uso. A menos, é claro, que faltem notícias sobre os novos produtos Sbrãbous. Aí, foge à minha definição de pauta…

  2. Fabio,
    bom material postado, mostrando o outro lado. Perde quem ignora sugestão de pauta enviado por uma agência de comunicação e perde a agência em não dar atenção a portais.

    Abs

    Paulo T.

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