O nervosinho na coletiva de imprensa


Colaboração de Patrícia Lisboa. A história é real, ok?

Estava tudo muito bem, tudo muito bom. Era apenas mais um almoço de fim de ano com o lançamento de mais produto que mudaria os rumos da humanidade. Fora o mega atraso dos porta-vozes, a coletiva parecia normal.

Infelizmente não havia muitos colegas presentes, então eu e mais dois jornalistas começamos a fazer as perguntas. Em uma sala pequena, com todos em volta de uma mesa, a entrevista se tornou, aparentemente, um bate-papo.

Eis que, em certo momento, percebe-se que o produto novo já havia sido lançado há algum tempo e que dali não sairiam muitas coisas boas. Naturalmente, questionamentos sobre números da empresa foram surgindo.Virado para nós três, o CEO da companhia respondia algumas coisas e se esquivava da maioria delas.

Foi então que um ser, até então não percebido (pelo menos por mim) na sala, se levanta, bate na mesa e grita: “Que sacanagem!!!!! O produto é mó bom, vocês ficam pressionando o executivo pra saber números que ele não dirá e no final acabarão saindo daqui e não escrevendo nada”.

Frente ao nervoso e descontrole do rapaz, tentamos argumentar que aquilo era uma coletiva de imprensa e que qualquer pessoa poderia fazer perguntas. A tentativa foi em vão e o rebelado não parava de nos acusar de coagir o CEO.

Nesse momento, não me contive e comecei a rir. Muito. Os colegas ao meu lado também. A assessora achou melhor encerrar o evento por ali e nos levar até o restaurante onde íamos almoçar.

Escoltado pelos executivos da empresa, o jornalista foi na frente de todo mundo, parecendo ser consolado. Chegando ao restaurante, era hora de pedir as bebidas. Eis que surge a piada infame e alguém diz: “Pede um suquinho de maracujá pro moço que está tenso”. Caí na risada de novo, o moço se estressou de novo e o almoço continuou. Em silêncio, mas continuou.

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8 comentários em “O nervosinho na coletiva de imprensa

  1. não dá pra confundir “pressão” com “falta de noção”, né? pelo menos o cara não agradeceu a empresa por ela simplesmente existir – o que tem sido uma mania recente em coletivas.

  2. Isso sem falar naqueles que agradecem a atenção dos recepcionistas, o tempo dispendido pelos executivos (isso em coletiva, não em entrevista solicitada), elogiam a comida servida, o bom funcionamento do produto… As coletivas estão ficando cada vez mais interessantes!!

  3. Estamos muito perto de ficarmos como nossos “hermanos”, que têm o triste hábito de aplaudir encerramento de coletiva… hehehe

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