Questão de prioridade


Queria entender uma coisa que me incomoda demais, especialmente depois de um caso sobre gerenciamento de crise. Entendo as prioridades e níveis de repercussão que grandes veículos de comunicação representam para as assessorias e seus clientes e, tenho certeza, seria obrigado a fazer o mesmo se estivesse trabalhando em uma. Mas algo não entra na minha cabeça e confesso que não consigo entender isso de forma alguma.

Porque os grandes jornais diários sempre merecem mais atenção na divulgação de um fato importante ou que vá causar movimentação no mercado? Os assessores continuam seguindo a trilha da mídia tradicional. Parece até que nunca leram aqueles artigos lembrando que o jornal circula um dia e depois vira depósito de merda de passarinho. Ah, isso sim gera discussão pacas, mas as brigas e reclamações podem acontecer nos comentários desse post.

Sem contar que, sabemos, só os velhacos andam lendo jornais ultimamente. Isso quando esses velhacos lêem. Lembro-me em um fórum que promovemos pela revista na qual trabalho. Diretores de grandes companhias de tecnologia da informação, experientes, estavam presentes.

Um dos mediadores fez uma piada em relação a um discurso do Lula em que o presidente afirmou que tinha duas orelhas, uma para ouvir vaias e outra para aplausos. Só o piadista e eu rimos do trocadilho. Mas não porque foi sem graça (ok, dou risada de qualquer besteira). Mas porque os executivos não tinham lido isso em lugar algum. E as frases foram estampadas nos principais jornais e telejornais brasileiros.

Por isso eu continuo perguntando: como definir a prioridade em relação a um ou outro veículo no momento de divulgar uma informação valiosa ou agendar uma entrevista com alguma figura importante. Alguém pode me explicar como as assessorias dividem isso?

9 thoughts on “Questão de prioridade

  1. Hum… Um chute… As matérias em jornal são mais valiosas em dólares e reais. O cliente arregala os olhos em cima do relatório e fica feliz como trabalho do assessor! Será?

  2. Edu. Fui um dos últimos a entrevistar o porta-voz. Acordei na quinta-feira de manhã e li a entrevista no Estadão. Cheguei na redação e vi a Folha e o Valor com a mesma pauta. Sites e etc. Cara, sinceramente, eu acho que a questão não é quem foi primeiro ou em segundo.

    Pensando na repercussão que a assessoria gostaria de ter. Se todos os sites dessem a notícia na internet durante o dia inteiro, o espaço da pauta nos diários seria bem menor. Talvez seja isso.

    Outra coisa. O fato de não fazer uma coletiva (se isso foi certo ou não, deixo para outra discussão), gerou uma limitação física e de tempo para que o executivo atendesse a todos num dia só.

    Na minha avaliação, a site da revista em que trabalho não foi prejudicado por um atraso de algumas horas na publicação da notícia. O único trabalho foi dar um foco diferente no lead para nao ficar repetindo o que saiu em outros lugares. Mas a informação tava toda ali.

    abs

  3. Bruno, a questão não é a ordem das entrevistas, mas a definição de quais veículos serão chamados. Fiquei sabendo que veículos importantes, renomados e conhecidos ficariam de fora e, assim como eu, ao descobrir o que estava rolando, entraram em contato para saber se teriam “direito” a fazer uma entrevista com o gringo. É isso… a definição de quem será selecionado. Quanto entrei em contato a resposta foi a seguinte (é sério): “ah, tentei falar com você de manhã, não te encontrei e agora não tenho mais agenda do cara”. Pode?

  4. O que faltou aqui foi coragem da assessoria de dizer: “desculpa cara, mas meu cliente quer aparecer neste e neste veículo”. Dia desses um cliente nosso cogitou organizar uma coletiva e, na viagem do que seria o evento, deixou claro que ele ia elaborar uma lista dos veículos que ele gostaria de convidar. Como a idéia não vingou, não tivemos o desgaste de ter que explicar o conceito de “coletiva”. Mas é certo que, se ele batesse o pé, teríamos que fazer do jeito dele. O ponto aqui é como dizer aos outros que eles ficaram de fora e acho que o assessor tem que ser sincero. Tem camisa que é apertada demais prá gente vestir…

  5. Fábio, concordo. Como disse no texto (e sempre aqui no Pérolas), entendo que a maioria das cagadas acontecem porque os clientes pouco conhecem dos processos e meandros da comunicação. O problema é que se ele decidiu, é simples, avise, diga que o cara quer assim e ponto. Além disso, se prestar atenção na repercussão das entrevistas individuais, verá que ele estava muito bem treinado. As matérias se repetiam, com as mesmas frases. Ou seja, ele disse o mesmo para todos. Então, o que impedia de fazer uma coletiva. Tomava menos tempo dele e resolvia o problema da seleção de veículos.

  6. Eduardo, é igual matar um leão por dia, mas tem dado certo. Sabendo que o veículo não é picaretão (e olha que há picaretões que querem vender uma materinha, por incrivel que pareça), a orientação é dar a mesma atenção a todos, respeitando o deadline e etc etc. Mas é claro que varia de cliente para cliente, e nossa experiência passa mais perto dos médios e que ainda calçam melhor as sandálias da humildade.

    ps: a capa da revista este mês está psicodélica, gostei.

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