A sala de imprensa


Evento é sempre uma oportunidade para rever o pessoal, colocar o papo em dia, especialmente depois de muito tempo sem sair da redação. Mas, como já citei algumas vezes, enfrentar a sala de imprensa de congressos e feiras considerados grandes é tarefa para poucos. Primeiro porque você não tem um rosto, apenas um nome estampado no crachá. As pessoas olham primeiro para o seu peito, depois para sua cara. Alguns jornalistas já chegam à sala com o crachá virado, para evitar esse constrangimento.

Segundo, a abordagem é geral e irrestrita. Tem sempre aqueles que acham que são seus amigos de infância e, por conta disso, têm absoluta certeza de que você irá visitar o estande do cliente, fazer entrevistas até com a copeira do evento e dar uma matéria de capa.

Sem citar nomes, tem ainda alguns assessores que acham que o jornalista é um ser superior, que não pode oferecer uma conversa agradável e simplória. Por conta disso, o cara vem te cumprimentar tremendo, explica as novidades da empresa segurando o release, tremendo. Mas não deixa de oferecer as malditas pastinhas.

Nessa hora, nada melhor do que pedir para enviar os dados por e-mail, caso contrário, o jornalista terá sérias dores na coluna no final do dia ou então faz como um amigo meu: junta tudo num canto e, no final do dia, recolhe para aproveitar o material de base para fazer seus moldes de artesanato sem estragar a mesa da patroa.

O pior mesmo é a insistência para visitar o estande do “criente”. Ah, para fazer esse convite tem que ser muito cara de pau. Se eu estou interessado em falar com a empresa, tenho duas opções: ou vou até o assessor, ou vou direto ao local onde a empresa está instalada. Mas, por favor, não insistam para levar o jornalista até o cliente. Sem contar que, na maioria desses casos, quando o jornalista percebe que de lançamento não tem nada, que a plataforma/solução/serviço já estão no mercado há dois anos, a coisa pode ficar feia para o assessor. No mínimo, ficará queimado por alguns meses.

E isso é só um pedacinho do que acontece. O resto? Ah, deixo para os comentários de quem já participou de eventos!

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6 comentários em “A sala de imprensa

  1. Por essas e outras é que sempre detestei eventos, principalmente essa parte de abordar os colegas, forçando uma barra desnecessária.

    Só devo ter feito isso umas duas vezes e olhe lá, quando não tinha jeito e, certamente, tinha gente graúda me vigiando, quando não era o próprio cliente enchendo o saco e perguntando se a conversa com o jornalista ia dar matéria.

  2. Hahaha!! eu tb falei nesse mesmo assunto. E eu pedi sim pra minha amiga ir ao estande. Cometi esse pecado. Quem tá na redação não entende, mas o “sucesso da divulgação” do lado de cá do balcão é medido por coisas tão prosaicas quanto uma visita ao estande, uma troca de cartões. Só isso vale bastante em um evento como aquele. O resto do que eu penso sobre o assunto tá lá no Efeito Pimenta.

  3. Fala sério Edu, matou a pau…estávamos comentando exatamente isso, logo depois da feira. Por isso que só falo oi, e pra quem conheço! rss

    bj,

  4. Pastinhas malditas. É isso aí. Odeio pastinhas…

    Mas vc nao citou a pior das situações.

    Você acaba de acompanhar um painel ou coletiva e senta para começar a escrever uma nota pro online, que precisa ser rápida e enxuta. E nada melhor do que ter tudo fresquinho na cabeça para escrever logo e partir para a próxima pauta.

    Mas, num último evento gigante que participei, algumas pessoas ficavam me cutucando.. sim, cutucando para eu virar para trás. E perguntavam: “Posso falar com vc um minutinho?”. E juro, na maioria eram pautas que nao tinham absolutamente nada a ver com o veículo que eu trabalho hoje, mas sim, com os que eu trabalhei no passado. A gente tenta ser educado nessas horas, mas interromper uma linha de raciocínio é mortal pra mim. Eu fico puto, de mau humor. Perco o fio da meada mesmo.

    Fora isso, é um bom lugar pra rever muitos amigos e um péssimo, para passar o dia de aniversário.

    abs

  5. Estive no mesmo evento só que do ‘outro lado do balcão’, como assessora. Confesso que fiquei assustada com a falta de noção de alguns assessores, clientes e até repórteres (alguns ávidos por uma pauta exclusiva ou por brindes e tal). Tenho muito que agradecer por ter clientes que não ficam exigindo resultados imediatos, durante a feira. Prefiro estabelecer um bom relacionamento com o jornalista, não incomodá-lo à toa e nem criar uma falsa idéia de intimidade. Sempre achei que a função do assessor era sugerir a pauta, o que exige follow, e auxiliar o jornalista, direciona-lo para entrevista, fornecer imagens, estas coisas. Comigo tem funcionado até agora. Talvez porque tenho a sorte de sempre trabalhar com empresas, profissionais, produtos em que confio e sobre os quais entendo. Sei lá.

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