A nova fase do jornalismo colaborativo


Qual o impacto da popularização das novas tecnologias na produção de conteúdo jornalístico?

bruno-ferrari2.jpgPor Bruno Ferrari

Difícil é a missão de mensurar quando algo passa do estágio de tendência a uma realidade inquestionável. É assim – e sempre será – quando o assunto é a tecnologia. E é assim – e sempre será – quando o assunto é jornalismo. Talvez por razões diferentes. De um lado está a viabilidade do negócio tecnologia. Quanto mais gente usando, mais ela se torna acessível e pode ter como conseqüência a massificação, caso clássico dos telefones celulares. Já no jornalismo, o que impedia, durante muito tempo, as novidades se tornarem realidade, era o caráter conservador das empresas de mídia, o perigo do impacto causado na linha editorial, a reformulação de um modus operandi consolidado etc.

No caso do jornalismo, a internet veio para derrubar qualquer tentativa de conservadorismo. A explosão dos blogs estremeceu as principais redações do mundo e tem gente até hoje que patina na hora de aceitar a ferramenta que já se tornou realidade. Em seu livro Blog: entenda a revolução que vai mudar seu mundo, o blogueiro americano Hugh Hewitt descreve bem como foi a transição de grandes veículos como o New York Times. Um dos principais jornais do mundo demorou para lidar com a enxurrada de informações sobre as eleições para presidente com os canditados George W. Bush e John Kerry. Hoje, os blogs não são mais diferenciais, mas essenciais para qualquer veículo que tenha um pé na web.

Mais recentemente, a popularização de celulares e smartphones que trazem câmeras digitais, gravadores e filmadoras atuou como uma avalanche no conteúdo de jornais e revistas. Um dos casos mais emblemáticos foi o ataque ao Metrô de Londres, em julho de 2005. A rede estatal BBC teve boa parte de sua cobertura baseada nos materiais enviados por cidadãos que presenciaram as explosões. Não há dúvida de que, sem a ajuda dos leitores-repórteres, a cobertura seria muito mais superficial e burocrática, como ocorre de costume em situações semelhantes.

O advento da Web 2.0 é outro fator que vem sendo essencial para as recentes alterações na maneira de se fazer jornalismo. Wikis, Bookmarks, Blogs turbinados e o gigante Google tornaram-se fontes tão importantes quanto às clássicas do jornalismo praticado na época das Olivettis. E cada vez mais a adoção por parte das empresas de mídia tem sido automatizada. Hoje, é melhor pecar por apostar numa tecnologia que não vingue a ver seus principais concorrentes arrematando internautas para suas páginas com novos rococós tecnológicos. Comments, Blogue aí, Podcast, Videocast, del.icio.us e Diggs da vida começam a entrar nas reuniões do board das editoras.

As tecnologias estão aí, cada vez mais acessíveis. A receptividade dos antigos conservadores também vem aumentado consideravelmente. A pergunta é: como isso vai impactar na administração desse conteúdo? A resposta é o próprio futuro da profissão jornalismo, que deixa de ter o absolutismo da informação e passa a ser um grande editor do conteúdo enviado pelo mundo. Assustador? Então atenção, porque o jornalismo colaborativo já deixou de ser tendência faz um bom tempo. O desafio agora é encontrar um novo modus operandi para absorvê-lo da melhor forma possível.

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3 comentários em “A nova fase do jornalismo colaborativo

  1. MUITO bom, Bruno. É o tipo de artigo que eu recomendaria para meus alunos (se os tivesse, agora, chuinf!). Claríssimo sem ser óbvio e, sobretudo, atual. Vou chamar lá no Libellus ~.^

  2. Parabéns, Bruno!! Também penso assim. Bem legal o Edu ter dado espaço aqui no Pérolas p/ essas suas reflexões, tão sensatas e maduras (!) Aproveito tb p/ agradecer (comovida) o link pro Efeito Pimenta!!! de um post anterior.

  3. Este é um tema dos mais interessantes. Tanto queo adotei para o meu trabalho de conclusão do curso de especialização em Comunicação Social, Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias. Seu artigo está muito interessante e devo aproveitar algumas das suas considerações (com o devido crédito nas referências bibliográficas) dentro do meu texto.

    Abraço fraterno.

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