Relato sobre o Congresso de Comunicação Corporativa


Uma amiga compareceu ao último dia do evento, promovido pela Mega Brasil na semana passada, e enviou esta colaboração ao Pérolas. Alguém mais esteve lá? Concordam, discordam?

Fui surpreendida, dia desses, por um “convite” da empresa onde trabalho, para participar do famigerado 10º Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa. Plena sexta-feira, cheia de coisas para resolver, assim mesmo fui, pensando que poderia ser uma oportunidade de rever amigos, fazer contatos, assistir boas apresentações…
Qual não foi minha surpresa, ao chegar, e me deparar com um ex-professor dos tempos de faculdade? Mestre, aliás, que abandonou o curso três meses após o início do ano letivo, por aceitar uma proposta de bolsa numa universidade européia, e depois de ter feito mais de 100 alunos comprarem seu livro.
Adivinhem só o tema da palestra? “O discurso moral dos profissionais de comunicação”. Brincadeirinhas à parte, me senti na sala da universidade, há 10 anos. E quando eu achei que já tinha visto tudo, veio então a parte “ombudsman” do congresso – quando os participantes opinam e assistem especialistas falarem sobre as atividades daqueles dias
em uma análise relâmpago, mostrada logo no início da última apresentação.
Os organizadores constataram que: 92% do público se interessou pelos temas abordados, 75% gostaram dos mediadores, 63% acharam o resultado inovador, 75% acharam os temas importantes para serem aplicados no trabalho, 68% que o aprendizado foi útil e 85% que o conteúdo foi bem desenvolvido. Ou seja, um sucesso, não? Pois é, até o microfone ser aberto aos 50 e poucos pingados que ali permaneciam – mas que fizeram barulho suficiente. O primeiro reclamou da presença do Nizan Guanaes num congresso composto basicamente por jornalistas e RPs: “quem é ele para julgar se somos criativos ou não em determinados setores?”, disse o espectador exaltado.
Em seguida, uma turma de mulheres reclamava o direito de participação numa palestra sobre o poder judiciário e o jornalismo. “Que tal mais discussão e menos exposição?”, conclamava a profissional. Recebeu palmas da platéia
Encantado com as manifestações do público, um dos participantes da mesa exagerou, e também recebeu palmas. “Alguns palestrantes tiveram temas excepcionais nas mãos, e não souberam aproveitar isso”. Ficou claro para mim: aqueles índices apresentados no início deviam ser de outra edição do evento…
E quando eu achava que o evento havia literalmente naufragado, veio mais: um assessor de imprensa, baiano, indignado, bradava ao microfone. “Vocês acham que só existe jornalismo no eixo RJ-SP? Porque aqui eu só vi isso. Não seria hora desta organização lembrar-se que podemos expor também nossa maneira de trabalhar e como obtemos sucesso em nossos Estados?”, dizia indignado.
Cruzes…deu-se a melódia…
Por fim, a conclusão fatal: no próximo, queremos psicólogos, juristas, políticos, pesquisadores, acadêmicos, e profissionais de outros setores que possam contribuir mais com as discussões, e não somente jornalistas falando para jornalistas. Como sempre foi. E sempre será.
Será que até o Bonner tem razão: somos escravos dos fatos?

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7 comentários em “Relato sobre o Congresso de Comunicação Corporativa

  1. Eu estive lá nos 3 dias e tenho algumas coisas para falar sobre a avaliação. Ela não era anônima, quer dizer, havia um incentivo grande para as pessoas porem os nomes. Então é bom considerar a pouca probabilidade da jaguarada detonar os panelistas.

    Teve muita coisa interessante, mas alguns painéis dão a nítida impressão de gente/agência que está querendo “mostrar seu trabalho”.

    Alguns palestrantes foram meio fracos e o baiano estava certo. Fora de SP/RJ só tinham os patrocinadores (como Alcoa).

    Ainda que eu sinta que tenha valido a pena, provavelmente foi a última edição que eu participo desse tipo de evento.

    Ainda acho uma boa oportunidade válida para quem quer ter uma noção do que o setor anda fazendo.

  2. O problema é que jornalista funciona muito bem sozinho, mas ainda não aprendeu (talvez nem vá) a funcionar em grupo. O coletivo de jornalista é “zona”, e estes congressos e a efetividade do nosso sindicato e da Fenaj estão aí prá comprovar isso.

  3. Tem gente que só reclama! Nunca consegue observar o lado produtivo, mas sim, realizar sátiras e dissiminar o trabalho alheio. Faz parte do DNA humano essas análises, porque nunca está bom!
    Acredito que, se essa pessoa tivesse participado nos três dias do evento, a opinião seria outra. Ou não seria dissertida dessa maneira.
    Ao participar APENAS da sexta-feira, último dia do evento, como se pode avaliar algo? Ah mas a própria organizadora do evento fez isso por mim. Isso não significa o tão importante foi o trabalho realizado.
    Estive nos três dias do evento, percebi que havia uma verdadeira feira livre, com peixes sendo comercializados nas palestras. Mas você acha que só havia isso, de fato? Não! Você não esteve lá para ver!!!!
    Enfim, mas reconheci a importância do evento, pois muitos profissionais, pensam que sabe tudo, mas não imaginam que o futuro mais próximo do que se imagina. Eu aceitaria essa opinião, se essa pessoa tivesse participado nos três dias, como isso não foi possível, acredito que esse texto está fora dos padrões ideológicos desse portal.

  4. A avaliação geral do pessoal aqui da assessoria ,que foi no congresso, foi de que ele deixou a desejar. Muitas palestras fugiram completamente do tema proposto, isso quando os palestrantes não estavam fazendo propaganda em causa própria. Acho que não entenderam a diferença entre patrocinar um painel e usá-lo como ferramenta de publicidade.
    Enfim, para elogiar e dar nome aos bois, muito boas as palestras da Edelman, e da Máquina, que souberam aproveitar o espaço para falar de assuntos relevantes ao mercado.

  5. Olha… eu não estive no evento e gostaria de comentar a defesa feita aí em cima… Mas ficou difícil: não encontrei no Aurélio o que significa dissiminar e nem dissertida. Como o entendimento ficou prejudicado, fiquei sem saber se deveria ficar a favor ou contra…

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