Terceirização de blogs


Em conversa com o Marcão descobri que um blogueiro famoso está prestando seus serviços para três empresas. Ou seja, as companhias pagam para que ele seja o responsável por todo o conteúdo do blog que elas criaram. Boa alternativa no mundo corporativo, afinal, os diretores e presidentes já estão em reunião às 7h e não dispõem de tempo suficiente para escrever. Raras exceções, temos bons casos brasileiros como o da Tecnisa,Ikeda e Locaweb, com posts produzidos por diretores, gerentes, profissionais do help desk, entre outros.

Então eu gostaria de colocar um ponto aqui para discussão e contar com a opinião de vocês. Seria essa uma das alternativas – ou opções – para o cada vez mais parco mercado de jornalismo? Isto é, concordam que a “terceirização do blog” é uma boa solução para as companhias que desejam ter mais esse canal de comunicação com seu público mas não sabem como? Mais: as agências de comunicação poderiam criar um nicho específico sobre esse tema e passar a oferecer também esse serviço para seus clientes?

Especialmente com essa nova geração de pessoas, querendo ou não mais conectadas e dispostas a entender novas tecnologias, a tendência é que os blogs se transformem mesmo em um bom canal de comunicação, como já acontece com Jonathan Schwartz.

Posso estar enganado, mas é exatamente esse caso do presidente da Sun que me faz pensar no fracasso da terceirização do serviço. Cada post deve mostrar a identidade de quem escreve. Os textos precisam ser produzidos por alguém que tenha a cara e cultura da empresa. Essas são as características que tornaram famosos os blogs mais visitados da web.

Acho que há aí um campo para jornalistas, desde que sejam contratados pelas organizações exclusivamente para essa função e estejam ligados de forma intrínseca às estratégias de comunicação delas. Concordam? Então comentem.

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13 comentários em “Terceirização de blogs

  1. A idéia é boa, mas apesar de algumas empresas no Brasil já terem buscado seu espaço na blogosfera, acho que as coisas ainda vão demorar um bocado para “pegar” por aqui. Isso porque, mesmo com a popularização dos blogs, ainda há muita gente que torce o nariz para esta ferramenta, associando-a aos diários de adolescente.

  2. Edu, acho que realmente é uma alternativa. Mas principalmente para viabilizar o blog, mantê-lo ativo, incentivar as discussões, a troca de opinião, etc. Agora vai do perfil do blog… ainda acho que ter um diretor, presidente, CEO, como o blogueiro é muito mais interessante já que daí é o cara que emite diretamente suas opiniões, as nuances do discurso dele ficam mais claras, etc. Um jornalista intermediar isso, por causa do tempo do cara, pode parecer e soar falso, superficial. Como dissestes, o assessor deve estar muito alinhado em pensamento e no espírito da empresa para daí sim fazer um bom trabalho e aproveitar o potencial da ferramenta.

  3. Edu, participei na semana passada de um encontro de assessorias de imprensa, e num dos cases a InPress falou de blogs. Ressaltou a importância da ferramenta para clientes, inclusive nessa de “fale com o presidente”. Tem empresa que está fazendo isso, mas como o presidente não dá conta, tem uma equipe de jornalistas para isso. Acho, sim, que isso é um grande filão. Tenho uma amiga que virou blogueira profissional, trabalhando num projeto para uma multinacional. Dá pra investir pra caramba nessa área, mas tem muita gente que ainda não conhece o mercado.
    “fale com o presidente” deveria ter a cara dele, mas nem sempre isso é possível. Enquanto isso, é um jeito de funcionário falar com o chefe sem precisar se identificar. Dos que eu conheço, parece que funciona. Agora, a idéia é colocar JORNALISTA pra fazer isso, e não um zé mané do marketing, por exemplo. (sem denegrir a imagem de ninguém!)

    beijo, juliana.

  4. Bobagem. Deixar os blogs corporativos somente sob a responsabilidade de jornalistas não passa de puro corporativismo, palavra esta que, para mim, representa o câncer da nossa categoria.

  5. Lossio, concordo que seria ideal que o próprio executivo escrevesse. Afinal, ele tem acesso a informações não só da empresa, mas do mercado, que poucos jornalistas teriam. Mas, como eu disse, é muito difícil encontrar no Brasil um executivo que disponha de tempo e vontade para produzir textos. Outro ponto que vale a pena discutir é o caráter do blog. Gostei do produzido pelo pessoal da Ikeda (citado no post). Eles não ficam apenas vendendo seus produtos e serviços. Longe disso, dão dicas de como uma empresa pode entrar no comércio eletrônico, quais são os principais erros, dados de pesquisas, etc. Isso sim é interessante e cativa visitantes.

  6. Las opiniones en ‘blogs’ condicionan las compras de los internautas
    http://www.cincodias.com/articulo/empresas/opiniones/blogs/condicionan/compras/internautas/cdsemp/20061201cdscdiemp_27/Tes/

    Treinta y nueve millones de europeos no han adquirido un producto o servicio influidos por los comentarios vertidos por particulares en los blogs. Un estudio de Ipsos hecho público esta semana revela la influencia de estas páginas personales cada vez más populares.

  7. Sim…
    …e não!
    Estou envolvido com a Tecnisa. No BLOG, acho q vai bem a opinião aí do Alexandre. O mais importante no post é o dedo da pessoa que cuida da comunicação e mkt da empresa do que um jornalista.
    Isso não quer dizer q o BLOG não é importante. (vou colocar uma notícia em outro comentário)
    Mas…
    A Tecnisa tem um Podcast. Aí, o trabalho do jornalista ficou mais evidenciado. Por lá, a idéia é fazer uma entrevista coloquial. Então precisa ter alguém q entenda tanto de JORNALISMO como de COMUNICAÇÃO CORPORATIVA, PROPAGANDA e MKT.
    Um perfil muito raro…

  8. Oi, Edu. Não acho que a blogosfera seja um peixe só para jornalistas. Tendo bom senso e alinhamento com os objetivos de negócio, um blog pode ser tocado por um grupo multidisciplinar. O X da questão é, no fundo, a “alma” do blog. É tanto a maneira light de abordar assuntos quanto o burburinho e comentários que ele gera. Não pode ser algo frio ou superficial ou vira uma chatice. Abraço!

  9. Caro “Bicudo”, concordo com você. Não acho também que seja algo só para jornalistas. Mas como alguém nos comentário bem disse, não se pode largar o blog para qualquer um na empresa.
    Até porque se a empresa deixar o blog com a cara do jornalismo atual, certamente ele vai servir para pouca coisa.
    Obrigado pelo comentário.

  10. O blog é a menina dos olhos dos interneutas porque são feitos por pessoas que não têm um interesse comercial: retratam um cotidiano de alguém, transformando as pessoas em celebridades da blogosfera. Contratar alguém para escrever um blog parece ir contra a essência do próprio meio, porém, como se evita isso?

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