A teimosa insistência


O amigo Alexandre Carvalho deu a dica de um artigo fantástico escrito por Ivan Lessa para a BBC Brasil. Trata da insistência de uma assessora em manter contato. O link está aqui.

Isso me fez lembrar de uma assessoria de São Paulo. Explico. Faz um tempinho, mudaram o sistema telefônico da editora onde trabalho. As ligações, então, passaram a cair direto na nossa mesa, sem passar pela secretária de redação ou recepção.

E não é que o pessoal dessa tal assessoria descobriu que atendo o telefone? Todos os dias – e estou falando sério, todos os dias – recebo ligação de pelo menos uma pessoa. Aí você pensa: “ah, mas o follow faz parte”. Concordo, desde que haja notícia, tenha informação, e não apenas a confirmação de recebimento de e-mail.

Um atendimento dessa assessoria chegou a me ligar três dias diferentes para perguntar sobre os mesmos dois releases que havia mandado e que, na primeira, eu disse que avaliaríamos e entraríamos em contato se necessário. O bom senso passou longe!

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12 comentários em “A teimosa insistência

  1. Sobre o artigo escrito, muito mal escrito por sinal, e sobre o seu comentário, só tenho uma coisa para dizer:

    Convido você, seu colega e todos os jornalistas que estão em redação online ou papel a trocar de lugar com os assessores de imprensa e ver se é tão fácil nosso trabalho. “Apenas arrumar umas linhas e dar um enter”

    O engraçado é que se nosso trabalho é tão fácil, simples e importuno, porque vocês na maioria das vezes publicam nossos textos na íntegra e ainda têm a coragem de colocar o nome de vocês? Acho que antes de criticar coloquem a mão na cabeça e agradeçam nosso trabalho, pois você e muitos outros sempre nos ligam também para saber se temos algo para mandar, pois vocês estão sem notícias, ou melhor, com a bunda na cadeira sem correr atrás de nada, porque é mais fácil pegar o texto do assessor e publicar na íntegra com o seu nome.

  2. Caros

    Já trabalhei em assessoria de imprensa e sei que o trabalho não é nada fácil. Ao contrário, eu diria que a luta – para convencer o cliente de que a idéia dele não é tão brilhante quanto imagina – é muito pior do que fazer seu editor comprar uma pauta.

    Um dos maiores problemas hoje está nos donos de assessorias que não vivem nesse mundo, fazem absolutamente tudo o que o cliente manda, prometem o que não vão cumprir (mas vão exigir que um atendimento cumpra até sob pena de demissão) e ainda não entenderam que o follow deve ser a coisa mais esporádica do mundo.

    E quem acaba pagando o papo são pessoas como a Francine que, a propósito, conheço pessoalmente. Acho que isso responde a colocação da Cecilia Amaral.

    Não conheço sequer um jornalista que goste de receber o chamado follow burro, aquele que pergunta se recebeu o e-mail. Jamais tratei mal um assessor, mesmo nos casos mais ridículos como alguns que coloco por aqui. Respondo normalmente, puto da vida em determinadas situações, mas nunca bati o telefone na cara de ninguém.

    Conto nos dedos de apenas uma das mãos quantas assessorias ou agências que dispensaram o follow e só usam esse recurso em eventos ou coletivas.

    Sei também que a redação perderia muito sem o apoio e suporte das assessorias de imprensa. Da mesma forma o que seriam delas sem o jornal, revista, site para publicar as notícias dos clientes?

    O que prego nesse blog nada mais é do que algumas dicas para o pessoal de assessoria entender como melhorar sua relação com a mídia. Em nenhum momento nesse blog você encontrará algum trecho que diga ser fácil o trabalho de um assessor de imprensa.
    É isso.

  3. As pessoas andam muito estressadas ultimamente, Eduardo.

    Para conhecimento do colega anônimo que não tem coragem de assinar o próprio nome: não trabalho em redação, pois também sou assessor de imprensa. No entanto, não sou burro e prepotente a ponto de achar que, por mais complicado que seja nosso trabalho, estamos imunes a erros e deslizes, como o que foi citado pelo Ivan Lessa no tal artigo. Não somos os reis da cocada preta, caro(a) colega anônimo(a). Podemos errar como qualquer outro profissional, e devemos aceitar as críticas, ainda que elas, a princípio, pareçam injustas.

    Não cabe aqui analisar o fato de o Ivan ter divulgado ou não o nome da Francine e sim de que forma os colegas das redações estão vendo o trabalho dos assessores hoje em dia. Eu, por exemplo, li o artigo e o interpretei como um recado muito claro para nós, assessores: trabalhem direito.

    O fato de o texto ter sido bem ou mal escrito é irrelevante nesse contexto. Para mim, não passa de uma tentativa infantil de desmerecer o conteúdo do artigo por quem se sentiu ofendidinho com o recado que ele deu a todos nós (e que não foi nem um pouco injusto).

  4. Não entendi o comentário da Cecília ao conjugar o verbo “publicar” (referente ao nome da jornalista) no plural, sendo que a única pessoa que fez isso encontra-se em Londres e chama-se Ivan Lessa.

  5. Follow burro é imperdoável. O follow, em si, é necessário pra dar seqüência no trabalho, às vezes. O que falta é bom senso, e é isso que o Ivan Lessa quer passar na crônica (que não é mal escrita, por sinal) que escreveu em Londres. Qual a vantagem de ligar para alguém em Brasília, por exemplo, para um evento em SP que o repórter não vai vir cobrir? Isso também vira follow burro, na minha opinião. Nada pessoal contra a Francine, eu nem a conheço mas confio no bom senso do Edu.

  6. Eita.. pegou fogo! Olha, já trabalhei em assessoria, já trabalhei em redação e em assesoria de novo. Achei o artigo muito bom, pois retrata uma situação que, se não fosse real, seria cômica. Sobre o follow burro, acho que existe sim. O trabalho só tem continuidade quando se trata de convite prá coletiva, encontro, entrevista ou uso de material exclusivo. Fora disso é burro e perfeitamente substituível por softwares de monitoramento de e-mail e serviços de clipping bem feitos.

  7. O texto mostra muito bem, sim, o drama tragicômico das redações. Mas acho que ele poderia ter poupado o nome do profissional. Teria o mesmo efeito se fosse com um nome fictício e não a exporia. Não por corporativismo (aliás, nem a conheço), mas por respeito. É uma pratica comum,ainda que errada. Mas foi o nome daquela profissional que ficou exposto e alvo de piadinhas. Para resolver o problema específico, um email direto resolveria. Não precisava mandar um recado público.

  8. bom, sou jornalista e trabalho como assessora de imprensa. Odeio follows, só faço em caso de eventos ou quando ofereço esclusiva e o jornalista não me responde se vai usar o material.

    aliás, nestes casos, seria mais fácil falar logo que não vai usar, assim passamos o material para outra pessoa e não ficamos ligando e enchendo o saco. pior, pegando fama de chato.

  9. Gente, se não ligamos pra perguntar se recebeu tal e-mail, o jornalista não se dá sequer o trabalho de responder que não vai usar. O problema não é só esse. Na maioria dos casos, ele simplesmente não recebeu o e-mail ou não viu. Isso é fato! Faço follow toda semana, porque senão o cara NÂO VÊ!

    Sinto muito, mas follow é necessário sim, não só em coletivas ou eventos, mas quando são enviados presskits, que aliás se perdem muitas vezes na redação. E olha, já segui muitos conselhos, de jornalistas de redação, inclusive, (que se dizem incomodados com tantos e-mails, mas quando recebem produtos caríssimos, só faltam beijar nossos pés como agradecimento). Já tentei colocar um assunto bem chamativo, ou em caixa alta, ou tipo: NOTA BOA. e nada queridos! Só fazendo follow mesmo.

    E o assunto é bom. Interessa. Se não interessasse não venderia a pauta. E vendo somente para as editorias que realmente interessam, porque vender para as que não interessam ou para outro estado, como foi mencioando, ai sim é burrice.

    Abs,
    Andréa

  10. Além do follow burro, a questão passa pela elaboração de mailings sem critério. Por falta de tempo, desconhecimento ou má vontade mesmo, profissionais de assesoria de imprensa nem se dão ao trabalho de “limar” ou “limpar” do mailing nomes que não tenham nada a ver com a sugestão de pauta. Ou, também, nem substituem esse jornalista por outro que poderia se interessar pelo release. Fazer mailing bem feito e follow bem feito é fundamental para se obter bom resultado e para conservar o respeito do assessor junto aos jornalistas. É isso.
    Milton Rizzato.

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