Almoço de aproximação


Confesso que sempre achei natural o chamado “almoço de aproximação” – quando uma assessoria convida exclusivamente um jornalista para almoçar (sem custos) com o executivo de determinada empresa. Não só eu, mas muitos profissionais de redação participam desse tipo de ação, inclusive os de veículos grandes.

Descobri fontes boas e ruins nesses encontros. É interessante para bater papo mesmo, falar de mercado e não só da empresa, sentir o direcionamento que o executivo dá a assuntos específicos, entre outras coisas. E, desde que me entendo como jornalista, isso nunca significou a certeza da publicação de uma matéria na revista. A proposta nem é essa na maioria dos casos.

Hoje, porém, aconteceu algo que eu não presenciava faz tempo. Três semanas atrás almocei com executivos de uma companhia de tecnologia. E não é que a assessora me ligou meio que intimidando, se não vai sair nada, se o material que me levaram (press kit básico, com informações institucionais) seria aproveitado? Pela conversa até consigo tirar alguma coisa, mas não precisa forçar a barra. Alguém aí discorda, concorda, acha um absurdo essa minha colocação?

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12 comentários em “Almoço de aproximação

  1. Edu, vamos aos fatos…
    vc sabe que eu tb vivo marcando meus almoços e acho uma estratégia bem legal de aproximação entre fonte e imprensa. Tb sei que não é isso que vai render uma matéria, mas que, com certeza, se a fonte se mostrar segura qto a determinado assunto, as chances de sair uma materia é gde.
    mas não foi sempre assim…eu tb já fiz isso de ligar e cobrar matéria pq qdo a gente começa nessa profissão e tem toda a pressão do cliente é complicado. a gente nao consegue argumentar, ou nao sabe, sei la. depois, aprendemos.
    Mas a pergunta que fica é: vc orientou a assessora qto a isso? às vezes ouvir uma opinião de fora pode ajudar muito.
    Outra orientação que eu daria é: aproveite esses almoços para vender algum tipo de pauta exclusiva, ou encher o jornalista de dados interessantes. aí as chances de sair uma notinha aumentam. Em outras palavras: prepare seu porta-voz.
    Bjs!

  2. Fala Priscilla, tudo certo? Mais uma vez agradeço a participação no Pérolas. O lance já começou errado. Quem marcou o almoço foi o atendimento da assessoria, mas quem compareceu foi a dona. Já acho isso uma sacanagem. Dá a impressão que a dona da assessoria manda seus escravinhos marcar com jornalista pra ela almoçar de graça. Outro detalhe é que essa dona é bastante experiente, tem uma boa estrada já e deveria conhecer os meandros.
    Concordo que a fonte é quem vai definir a utilização ou não do material. E confesso que tenho material pelo menos para produzir uma nota para revista. Mas que é chato receber ligação “cobrando”… ah, isso é chato pacas.

  3. é complicado, mas se nao rola nada interessante eu sempre guardo minhas anotações pra eventuais matérias que possam entrar.

    a cobrança nunca é boa. Outro dia eu fiquei de verificar um release de um follow up. A pessoa me explicou X e realmente era um tema interessante para o site, mas quando eu peguei o release era Y, um produto. A gente nao dá produto. Não por teimosia minha, é simples, coisa de linha editorial.

    Pois bem, tive de tomar uma bronca porque eu disse que ia dar uma nota e nao dei. E a ligação começou algo como. “Oi, você falou que iria dar a nota na segunda e nós já estamos na quinta feira…”

    Acho que a peguei num dia ruim…

    Por fim, assim como uma coletiva, em encontros e almoços eu sempre procura dar uma notinha. Dá pra contar nos dedos de uma mãe as vezes em que isso nao ocorreu. E daí por vários motivos: tempo, assunto, etc… nao é uma questão de não tenho obrigação nenhuma de escrever, simplesmente, não deu por algum motivo…

  4. Bruno concordo. Mas continuo acreditando que não tenho a obrigação de escrever. Como disse, a utilização ou não do material vai depender muito da fonte. O que me incomoda é a cobrança.

  5. Numa boa: a função de esclarecer para a fonte que encontro não é sinônimo de matéria é da assessoria, não do jornalista. Meio chato, né? Chegar no almoço e dizer: olha, vou almoçar com vc, mas posso não escrever nada sobre isso…

    Agora, cobrar publicação é o cúmulo da cara de pau. Geralmente quando vai rolar alguma coisa, o próprio jornalista deixa claro no final do encontro: “olha, tal coisa foi legal, acho que vou aproveitar”, ou “me manda mais detalhes disso ou daquilo que eu vou usar numa matéria”. Se não teve isso, nem insiste…

    Agora, acho que a insistência vale uma ignorada básica. Cobrou, então não vai sair é nada!

  6. Olha Fabio, às vezes memso o jornalista dizendo que vai aproveitar e tal, eu deixo claro para meuc liente que garantia de matéria publicada é só qdo ela sai mesmo. pq não é dificil que uma pauta caia de uma hora para outra, né?

  7. Olá,
    Eu trabalho numa agência em Lisboa e promovemos muito esse tipo de encontros, porque acreditamos serem benéficos para ambas as partes, mesmo a simples troca de informação. Mas nunca, jamais, em tempo algum fariamos um telefonema dessa natureza. Não é esse o objectivo. Penso que esse tipo de comportamentos apenas revela falta de profissionalismo e falta de respeito para com os jornalistas.

  8. E ai pessoal,
    Concordo com o Edu, desde quando participar de um evento ou coletiva garante matéria?
    Estive recentemente em uma coletiva de TI, antes de entrar à assessora me pegou e perguntou “Voce manda a materia ainda hj para poder clipar ok”.
    Fiquei meio puto, nem entrei e a mulher faz uma “cobrança”
    Respondi educadamente dependendo do que rolar na coletiva ou na conversa com o executivo. Deu somente uma nota.
    Não é que a assessora ligou e reclamou pq a “nota” não foi o suficiente para “mostrar” todo o “potencial” do programa (existem outros 42 iguais, alguns superiores, a este no mercado).
    Resumindo, cobra sem conhecer o mercado, pq o produto apresentado e inferior e ainda reclama da nota.Quer o que a capa da alguma revista por um produto mediocre?
    Sem comentários.

  9. A cobrança só serve pra irritar. Sei que muitos assessores estão desesperados, querem agradar o cliente ou o diretor da agência onde trabalham, mas o que conseguem é a antipatia do jornalista. É duro essa vida de assessor que tem que agradar os 3 lados.
    Beijos Edu

  10. Almoços como esses são comuns. Eu já fiz dezenas, com clientes como Sony Ericsson, FedEx e Discovery Channel.

    É óbvio que não é feito para sair matérias. Se sair, é lucro. Mas um assessor jamais pode ligar e “cobrar” do jornalista…

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