Ponto de vista: Julio Hungria



Nome: Julio Hungria
Breve histórico profissional – Publisher do Blue Bus, motorista, carioca, 64, Julio Hungria começou a carreira no inicio dos anos 60 como produtor de discos na Philips e na EMI Odeon. Chefiou o departamento de produção da Radio Jornal do Brasil por 14 anos. Foi subeditor do Jornal de Vanguarda nas TVs Excelsior e Rio e editor e crítico de música popular do Jornal do Brasil entre 1967 e 1974. Assinou coluna no Pasquim no início dos 70. Entre 1975 e 1978, chefiou o copy desk e foi editor do 2º Caderno da Última Hora. Em 1980, abriu a Rádio Atividade, produtora de jingles. Entre 1990 e 1994 editou o jornal do Clube de Criação do RJ. Em 1995, fundou o Blue Bus como um BBS para o mercado publicitário carioca. Em janeiro de 1997, inaugurou o site na internet.

1) Em um recente post no BlueBus, você comenta sobre a possível morte do jornalismo. Acredita mesmo que isso está acontecendo? Como vê o jornalismo no futuro?
O jornalismo no Brasil está indo pelo ralo pela má qualidade das universidades (do ensino) e pela má qualidade das empresas de comunicação, transformadas em indústria selvagem pelas famílias dominantes que as controlam (os Frias, os Mesquita, os Marinho, os
Civita, etc).

Considera a mídia completamente perdida com as novas tecnologias e modelos de negócios?
Não completamente mas quase, acredito que os veículos do futuro serão outros, os atuais estão em fase terminal (que ainda se prolonga, mas terminal).

Isso pode estar acontecendo por se tratar de um choque de gerações?
Isso não existe.

Os executivos que estão no poder da mídia ainda não conseguiram entender os benefícios do “digital” e entrar no modelo já dominado por jovens?
Eles têm medo de perder os lugares conquistados, acho que por isso vão perder.

Qual o formato que atrai mais a atenção dos leitores? Sei que é difícil definir isso, mas a cada dia o interesse pela informação de massa parece perder público. O consumidor de informação mudou muito nos últimos anos também. De que forma você caracteriza esse leitor hoje?
A mídia de massa, por manter-se manipuladora numa época de internet e blogs vai perdendo progressivamente seu público.

As fontes estão secando? Por alguns momentos, tenho a impressão de que todos os executivos autorizados a falarem com mídia hoje são muito bem treinados e dificilmente deixam escapar algo que não seja de seu interesse. Concorda com isso?
Não creio, nessa área também há muita incompetência, e eles são falhos e humanos como sempre foram. Além do que o universo das fontes se ampliou muito.

Já pratica há tempos o tal do “jornalismo cidadão ou colaborativo”, afinal, sempre que pode publica informações de pessoas que não são jornalistas. O iG recentemente lançou um canal de notícias produzias pelos leitores e atingiu 100 mil acessos. Como vê essa relação público-redação? Acha que é possível criar algo interessante a partir daí? Compararia o seu trabalho ao de um blogueiro? Aliás, o blog ainda vai se tornar um modelo comercialmente viável, mesmo no Brasil? Ou acredita que isso ainda está muito longe de acontecer?
Vamos por partes, o blog está muito próximo de se tornar um modelo de jornalismo viável
economicamente. Talvez o mais viável de todos na internet. O jornalismo colaborativo enriquece essa possibilidade.

Em recente passagem pelo Brasil, Thomas Friedman – autor de “O mundo é plano” –, disse que a função dos jornalistas no futuro não será informar. Ao contrário, as notícias estarão aí para qualquer um ver. O profissional de comunicação do futuro será o responsável por saber analisar e, principalmente, cruzar com maestria as informações diversas. Acha plausível?
Sim, a função seria a de organizador do noticiário e distribuidor. Acrescentado ‘opinião’. Em parte, Blue Bus já é isso.

Qual o principal motivo do BlueBus ter-se tornado o que é hoje? Ao ineditismo do formato com notas rápidas e objetivas, informação qualificada, furos freqüentes?
Tudo junto.

Pretende evoluir ou alterar esse modelo que se tornou referência, especialmente no mercado publicitário?
Não.

Pelo pouco que sei, quase não trabalha com informações fornecidas pelas assessorias de imprensa. Isso ocorre pela experiência de jornalismo e fontes conquistadas ou porque a qualidade dos dados está cada dia pior?

A qualidade das informações é terrível na maioria dos casos mas as assessorias são essenciais pra gente trabalhar, ter um contato com o assunto divulgado.

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4 comentários em “Ponto de vista: Julio Hungria

  1. Edu, obrigado pela visita e pelo comentário no blog. Sou um leitor anônimo quase diário aqui no Pérolas. Parabéns pelo blog. Em tempo: estais vindo a Florianópolis para o Futurecom? Abração!

  2. Fala cara, blz? Agradeço a visita constante e o comentário.
    Estarei sim no Futurecom, se não me engano, a partir de segunda. Qualquer coisa me procure por lá. Dia 05 temos um painel que vamos coordenar na sala Atlantico. Passa lá.
    Abraços

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