A maior das pérolas


Sinceramente, quando soube por vários colegas – inclusive por um que trabalha comigo – fiquei impressionado. Dessa vez vou ter de abrir o nome da empresa e a assessoria de imprensa dela fica fácil de descobrir, não tive escolha. Vejam a história contada pelo Marco Aurélio, que é o editor dos sites aqui onde trabalho. Como não fui testemunha, coloco aqui a história contada por quem presenciou esse absurdo:

Discriminação

Nos velhos tempos de minha juventude, costumavam dizer que o Brasil era um país tão desigual que poderia ser considerado como a junção de dois países diferentes: a Bélgica e a Índia, formando a tal Belgíndia que fez a delícia dos cientistas sociais por anos. O tempo passou, e acho que hoje lá na Índia os sociólogos dizem que seu país é um Belsil ou algo assim.
O negócio é que a desigualdade ocorre em todos os setores da vida nacional. No jornalismo de tecnologia, por exemplo, existem veículos grandes e chiques, veículos médios e legaizinhos, e veículos pequeninos e humildezinhos. É normal que as assessorias de imprensa convidem para uma determinada coletiva apenas representantes dos grandes. A visita dos fundadores do Google foi assim: os chiques falaram com os caras, e nós ficamos sabendo depois. É triste, mas é parte da realidade desigual em que vivemos. O que se vai fazer? Vamos tocando a vida e tentando vez por outra passar por cima dos grandes, como quando nós aqui furamos todo mundo com as informações financeiras do Google. Momentos raros de regozijo, mas muito bem aproveitados.
Eu ainda não tinha visto, porém, nada parecido com o que aconteceu hoje numa coletiva da Intel. Jornalistas de todo canto do Brasil estavam presentes para entrevistar o CEO da empresa e mais alguns executivos daqui de baixo. Ao término da coletiva, eu e mais dois colegas fomos tomar um café e falar bobagem. Quando saímos, encontramos alguns companheiros do alto clero (entendidos como Valor, Computerworld, etc)reunidos na calçada. Falavam de um tal almoço, perguntaram se íamos também.
— Almoço? Que almoço?
Mostraram-nos seu convite para a coletiva. Era diferente do nosso: trazia no último parágrafo a informação sobre um almoço com os executivos numa churrascaria de alto nível ali na zona Sul. Nosso convite não mencionava almoço algum.
Pois muito bem: não faço questão de ser convidado para todas as coletivas, nem de almoçar às custas das empresas. O que aconteceu, porém, é um pouco mais sério. Os jornalistas grandões (que estavam inocentes na história toda) foram almoçar com os executivos, conversaram com eles mais de perto, podem ter conseguido alguma informação exclusiva, ou no mínimo mais aprofundada. Quanto a nós, do baixo clero, ficamos apenas com as informações divulgadas durante a coletiva e nos releases de imprensa. Com esse tipo de tratamento, a Intel espera mesmo que divulguemos suas novidades? O WiMAX é muito legal, as novas tecnologias móveis idem. No entanto, se era para dar informação privilegiada a apenas um punhado de jornalistas, porque não convidaram só a estes? Todos nós, os outros, temos mais o que fazer nas redações.

Eu sei que esse assunto tem nada a ver com este blog; é mais a praia do Edu, no Pérolas das Assessorias de Imprensa. Acontece, porém, que isso não foi uma pérola. Cagada seria o termo mais adequado.

Pronto. De volta à nossa programação normal. Coleguinhas jornalistas, comentem. Leitores que têm nada a ver com isso, desculpem-me.

Amigos, não deixem de opinar!

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55 comentários em “A maior das pérolas

  1. É deprimente, mas não me surpreende.Essa atitude da assessoria da Intel retrata apenas o que é o jornalismo no Brasil. Hoje, e SEMPRE — cada vez mais acredito que SEMPRE FOI ASSIM, os bons jornalistas são aqueles que têm bons contatos.
    Lembro que quando tentava meu primeiro emprego escrevi no meu currículo que não era da classe média alta e minha ingênua mãe perguntou mas o que isso tem a ver? Respondi: ué, mãe quem a senhora conhece de jornalista?
    Naquela época nem imaginava o quanto essa minha colocação foi inteligente. Só agora depois de 10 anos tentando ser REPÓRTER descobri o quão sábio era classicar o status social como uma das características ideais para O JORNALISTA.

  2. Acho que não vale comentar a falta de competência. Isso a gente não coloca em público, pois muitas vezes também temos nossos momentos de incompetência. Agora o problema aí foi ética. Não estava lá, minha editora assistente estava e me contou. Fiquei perplexo.

    Não é a primeira vez que acontece coisa do gênero, mas desta vez eles exageraram. Deveriam pagar pelo menos o TAXI das editoras que gastaram tempo e dinheiro levando seus jornalistas para tal evento.

    O que as assessorias tem que lembrar é que hoje os colegas que estão nos veículos “menos pops”, constantemente mudam para outros do ‘alto escalão’.

    É falta de respeito. Somos todos profissionais. Sabemos que quando os grandões não querem falar com determinado executivo, as assessorias ligam para a gente. Sabemos tambem que nas viagens internacionais existe uma lista de veículos que são chamados primeiro.

    Do lado de cá, existe muita coisa errada também. Para quem chegou há no mercado há dois anos, como eu, acaba sendo uma desilusão com aquele jornalismo que a gente busca nos tempos de faculdade.

    No entanto, não se pode admitir atitudes descriminantes como estas.
    Não espero uma retratação, espero ações que terminem com isso. Neste espaço tão visitado pelas assessorias, que elas vejam aquilo que não se deve fazer.

    As grandes empresas colocam sim pressão nas ascom. Mas não se pode negar a origem do profissional de comunicação. Hoje vocês estão deste lado, mas muito de vocês já viveram o perrengue de correr atras de uma pauta.

    Meus sinceros lamentos e o apoio do meu blog à mensagem de Marco Aurélio.

  3. “Meninos, eu vi!!!”… Pois é… eu estava lá e presenciei tudo isso, in loco ! Eu era um dos dois amigos do Marco Aurélio que tomaram café com ele depois da coletiva. Não tô acreditando até agora! Discriminação grosseira e injustificável!!! Amadorismo, incompetência, arrogância, insolência e uma dose cavalar de inocência (por achar que um procedimento esdrúxulo como esse não iria “vazar”)! A atitude excludente da Burson/Intel foi tudo isso, pra dizer o mínimo!!! Caraca… nos meus poucos (porém intensos) 7 anos de profissão, nunca vi uma assessoria fazer uma besteira tão grande!!! Esses mesmos assessores, que, como nós, são jornalistas, tiveram uma atitude desrespeitosa com seus próprios colegas. Me senti ofendido, discriminado, maltratado! A questão não é ir ou não ir num restaurante 5 estrelas… pra falar a verdade, tô pouco me lixando pras estrelas do restaurante… o ponto é a discriminação! Selecionaram apenas alguns jornalistas para conversar com os executivos da Intel em uma condição privilegiada. Que baixaria!!! Espero que nos dêem, ao menos, uma boa justificativa! É o mínimo que se pode esperar, né?
    Abç… Daniel Machado

  4. pois é, colegas… atitudes como essas ocorrem nas coletivas, porém de maneira mais sutil e velada… vcs já devem ter observado assessores, após as coletivas de imprensa, conduzindo (discretamente e as vezes não muito) os porta-vozes para as mesas de almoço onde estão sentados os jornalistas dos veículos mais ‘pops’ (como diria o Bruno)… enquanto os jornalistas de veículos menos ‘pops’ ficam separados, numa espécie de apartheid jornalístico (hehe – viajei!) em outras mesas… qdo muito com um porta-voz de segundo escalão… normal… já até me acostumei com essa babaquice… mas, daí a “excluir geograficamente” os colegas… aí extrapolou!

  5. Olha, como assessora tenho que colocar um ponto. Primeiro quero deixar claro que não trabalho e nunca trabalhei com tecnologia (para ninguém achar que estou defendendo a atitude e/ou a empresa/assessoria). Não concordo com o que foi feito. Porém, olhem para si mesmos. Vocês estão taxando de discriminatória a atitude da Intel. Porém, vocês também discriminam, e muito. Da mesma maneira que os executivos só querem falar com os “grandes”, a imprensa também só quer falar com os “grandes”. Olho por olho, dente por dente.

  6. Eu estava junto com o Marcão e o Daniel, NAÕ TENHO PALAVRAS …ABSURDO É POUCO..FAÇO MINHA AS PALAVRAS DO COLEGA DANIEL “Discriminação grosseira e injustificável!!! Amadorismo, incompetência, arrogância, insolência e uma dose cavalar de inocência (por achar que um procedimento esdrúxulo como esse não iria “vazar”)! A atitude excludente da Burson/Intel foi tudo isso, pra dizer o mínimo!!!”

    Só uma pergunta…Porque?!?!?!?!?!

    Não é o fato do restaurante, do almoço, e sim a discriminação..Porque???

    Presumo que o pessoal da assessoria tenha medo, que nos “sub-jornalistas” (acabei de criar agora)de algum tipo de vexame…do tipo não saber usar os talheres, ou o copo certo para o vinho e agua.

    Pela minha ingenuidade, prefiro acreditar que ocorreu UM ERRO GRAVISSIMO DA ASSESSORIA em não convidar todas presentes, ou talvez a Intel esteja passando por dificuldades e não possa pagar almoço para os jornalistas presentes.

    So rindo mesmo desta atitude.

  7. Ixe, Flávio, é verdade. Os caras devem ter nojo de nóis. Ou então ficaram com medo de você ir lá na churrascaria e levar a picanha pra vender, sei lá…

  8. Fiquei sabendo da história pelo Flávio Sartori, e acho isso deprimente. Me lembro da faculdade, quando o pessoal de jornalismo enchia o saco dos assessores, dizendo que eles só sabiam mesmo servir coxinha e café, que notícia quem faz é JO. Desse jeito, se depender de assessor que faz seleção natural, se achando Darwin, daqui a pouco até notícia vai ser racionada….

  9. Julia, peraí. Quem está numa redação quer falar com quem tem uma história legal para ser contada. Não adianta nada a história ser fraca –o que acontece muitas vezes quando tentam vender pauta, independentemente do tamanho da empresa. Até aí, normal, a assessoria não só pode como deve tentar vender a pauta, é o trabalho dela. E, normal para o jornalista recusar (depois de ouvir a sugestão, claro) uma pauta que não considerou boa. O que aconteceu nesse caso foi muito chato, sim. É ingenuidade acreditar em isonomia. Mas isso é uma bela baixaria. Que tal um boicote? Depois me perguntam porque quero trocar de profissão…
    abs

  10. Convide todos os jornalistas para o almoço….e trablho da assessoria colocar os “maiores jornalistas” ao lado dos “maiores da empresa”…isso é tão normal..muito comum.
    O que não pode acontecer é selecionar apenas alguns “veiculos” para o almoço.
    “Como sub-jornalistas, se fosse convidado, antes de aparecer teria comprado 3 tupperware e levará comida para almoço e janta.”
    REPITO – ABSURDO

  11. Respeito sua opinião, Julia. Mas acho que você não entendeu a nossa. Já que a Burson/Intel quer privilegiar alguns veículos, fazer o que… que façam! Mas convidem para a coletiva só os jornalistas que também participarão do almoço privativo. O fato é que eles chamaram vários jornalistas para a coletiva (estávamos lá desde as 9h da manhã!!) e depois convidaram só alguns para o almoço, o que criou um clima super constrangedor (vc precisava estar lá pra ver!!!). Na qualidade de assessora, você não acha isso, no mínimo, uma atitude amadora? Se vc estivesse entre os jornalistas, não se sentiria desrespeitada? E tem mais: não é inteligente incorrer em generalizações, Julia. Procure evitar expressões como essa de que ‘a imprensa só quer falar com os grandes’… talvez seja mais prudente dizer ‘parte da imprensa’… essa sua generalização não se aplica ao veículo em que trabalho e, tenho certeza, a vários outros veículos representados por colegas que estavam nessa coletiva e que foram excluídos.

  12. Flávio, chutou o balde!

    Julia. Não concordo.

    Primeiro coisa.
    “O código de Hamurabi é um dos mais antigos conjuntos de leis jamais encontrados, e um dos exemplos mais bem preservados deste tipo de documento da antiga Mesopotâmia. Segundo os cálculos, estima-se que tenha sido elaborado por volta de 1700 a.C.” Wikipedia

    Ele que prega o Olho por olho, dente por dente. Não podemos esquecer do “Se adotássemos olho por olho, dente por dente acabaríamos todos cegos e desdentados”

    Segundo

    Procure ler os veículos de tecnologia. Nós não queremos apenas os grandes. Queremos aqueles que sabemos que o leitor vai ler.

    Um empresa pequena com uma solução inovadora interessa e normalmente são as melhores pautas.

  13. Menu indigesto!

    Que algumas assessorias atrapalham a cobertura jornalística, colocando-se entre a fonte e o repórter, isso já se sabe. Alguns assessores de imprensa (minoria, diga-se de passagem), sem jamais terem pisado numa redação, não tiveram a chance de compreender o chamado fazer-jornalístico. Decidiamente, não são do ramo. A ignorância, com um pouco de compaixão, até se perdoa. Mas é inaceitável que uma assessoria de imprensa, que se diz de padrão internacional (sic), discrimine os colegas, escolhendo, após a coletiva, aqueles que merecem se sentar à mesa de almoço com os clientes.

    Falta de respeito, cafonice (como qualquer tipo de discriminação), mas, acima de tudo, burrice! Tremendo tiro no pé! Um dia é do assessor, outro dia do repórter. E somente não será assim se nós, jornalistas de redação, continuarmos aceitando representar o triste papel que nos impõem algumas assessorias de imprensa e seus assessorados (a BM não é a única a fazer isso!!! Tem uma que se especializou em convidar os pobres mortais, representantes de veículos de “segunda classe”, para viagens ao exterior somente quando um figurão lhe dá o cano na última hora. E, tolinha, pensa que ninguém saca a manobra canalha. Tome tento!).

    Em tempo: não fui cobrir a coletiva da Intel e, assim, fui poupada do vexame da discriminação — e da ira que, com certeza, isso despertaria em mim. Mas não posso me calar. Desta vez, dona BM e dona Intel, foi demais!

    É hora de reagir, moçada! Como? Que tal deixar a Burson e a Intel falando sozinhas!

    Quem prega a “geladeira” é a jornalista que, no último dia 9 de março, fez 35 anos de profissão e que, no final dos anos 70, em plena ditadura, liderou um movimento (parede) contra a Petrobras e o BNH (Banco Nacional da Habitação). Na época, os dois ícones do autoritarismo, no dia-a-dia do jornalismo setorial de economia, costumavam “convocar” a imprensa, tão-somente, para dizer o que lhes convinha e sairem da sala sem responderem a uma pergunta sequer.

    Deu certo, meninada! Petrobras e BNH passaram a nos respeitar. E isso em plena ditadura! Vamos dar o troco à Intel e à BM! Não se trata de retaliação descabida, conforme já estão dizendo por aí os ofensores.

    Na maior cara de pau, eles argumentam que a Intel tem o direito de almoçar com quem quiser… Certíssima a BM. Certíssima a Intel, que pensa que é dona do mercado mundial de placas e, também, das nossas consciências…

    Mas nós também temos o direito, legítimo, de escolher nossas fontes… E, com certeza, não serão aquelas que nos chamam para “anotar” o que lhes interessa ver publicado e, depois, escolhem para almoçar os “grandes executivos da comunicação” (sic). Aliás, a BM e a Intel agem dessa maneira porque há jornalistas que agem feito eles: sem espírito de classe, vendendo a alma ao diabo…

    Insisto: é hora de reagir e parar de engolir sapo! A menos que, antes da próxima coletiva, cada um de nós, meros mortais, tome um vidro inteiro de Hepatovis…

    Que baixaria, dona Intel! Que vergonha, dona BM!

    Lucia Helena Corrêa

    jornalista

  14. Vou fazer minhas as palavras de Oscar Clarke (Intel)…” Isso naõ te pertence!”..
    Referente a falta de bom senso da assessoria e da empresa.

  15. Não acho q boicote seja certo… nem de um lado, nem de outro! De qq forma, acho mesmo que assessores bons estão com clientes pequenos (por opção) ou estão ocupados (sem opção) em fazer planos e relatórios mil!

    Sei lá, nunca fiz isso – em coletiva no Brasil – e já atendi LG, Intel, Oracle, Olivetti, Suzuki, Sun, Comdex, Fenasoft etc etc etc… vai ver a assessoria tinha de pagar a conta e precisou economizar o budget – hehe!

    beijosssssss

  16. Calma lá, gente! Vamos primeiro ouvir a versão da assessoria e, depois disso, fazer nosso julgamento e tomar atitudes. Não só como jornalistas, mas também como cidadãos conscientes, precisamos sempre ouvir os dois lados! Um representante da assessoria disse pra mim que vai explicar tudo o que aconteceu aqui no “Pérolas”. Vamos esperar e, se for o caso, fazer as réplicas. Mas, por favor, sempre com muito respeito e civilidade. Se não, perderemos a razão também!

  17. desculpe o vocabulário, mas achei isso uma escrotice. Empresas sérias pra cacete, hein? Vamos avacalhar agora e chamar isso de…. exclusão de bocas e entupimento de cerébros?

  18. Se demorou todo esse tempo para responder, é sinal de que estão tentando montar uma estratégia para a resposta, a mesma que não foi feita para o almoço. Tenho dito!

  19. Vamos aguardar um posicionamento da Assessoria, mesmo que tardia, vale uma explicação.

    Mesmo porque o estrago já foi feito e a imagem manchada. Alias esta é uma das funções da assessoria “gerenciamento de crises”

    No aguardo de um posicionamento.

  20. Sou editor-chefe da B2B e, antes q tirem conclusões, vou postar aqui a relação dos almoços q fiz com empresas… só prá não dizerem q a gente privilegia gdes companhias.

    Comprova.com
    Equifax
    Navita
    SAS
    Voitel

  21. Colegas, acho que a postura da BM demanda explicações sim, e não é a primeira vez que sei de histórias parecidas.
    Quando a Carly Fiorina, então CEO da HP, veio ao Brasil, já havia pedido uma entrevista à assessoria em Miami (lá é a Porter Novelli) e reforcei o pedido à BM Brasil. Bom, me disseram que havia um almoço-palestra promovido pelo Lide, “você está convidado”. Ok, mas depois descobri que foi armada uma reunião-almoço pré-palestra com 12 dos principais veículos de tecnologia escolhidos pela BM e pela direção da HP Latam (no México), e uma exclusiva nas páginas amarelas da Veja. Reclamei, claro e me disseram que a AméricaEconomia não foi convidada por ser considerada veículo estrangeiro e a estratégia traçada focar os veículos locais. Bom, fora a falta de inteligência da classificação (a revista é publicada no Brasil, em português, além do espanhol para toda a América Latina), me irritei com a arrogância dos responsáveis pela decisão, no México (HP) e no Brasil (BM), dizendo que ia ser assim e pronto. Óbvio, não fui à palestra. Me recusei a ficar como carneirinho sendo alimentado com comidinha de hotel, e sem direito a fazer perguntas. Aliás, no almoço, as perguntas foram servidas como prato adicional à Carly, que respondeu como quis, sem precisar escutar questões mais incômodas.
    Entendo que esse é justamente o objetivo das agências de RP/AI ao convidar a gente para almoçar ou viajar. É ingenuidade ou venalidade ignorar isso e fazer histórias favoráveis ou desprovidas de senso crítico, mas é o jogo –esse acesso direto e próximo é mais produtivo, pois as fontes acabam abrindo o jogo com mais liberdade, e a gente consegue informações de bastidor que normalmente não saem nas coletivas. Cabe à gente ser crítico, incômodo e chato mesmo nessas horas, sem medo de azedar o almoço.
    Por isso mesmo, quem sai chamuscado é a BM, que estou quase certo que vai se calar sobre o assunto (espero que me contrariem 😉 hehehe), e deixar o povo esquecer da bobagem.
    Bobagem sim, porque foram discriminatórios ao escolher os veículos, por mais que argumentem que esse lhes geram melhor resultado; foram (deixa eu ser elegante) imprevidentes ao armar um encontro privê que acabaria sendo descoberto pelos coleguinhas; e foram covardes se aceitaram o pedido do cliente de armar um encontro com poucos jornalistas (caso tenha sido o pedido), sem contestar ou argumentar que seria contraproducente tanto para BM como para a Intel. Se foi a própria BM que sugeriu isso, a palavra não é covardia, mas sim puxa-saquismo.
    Omitir o lançamento da Intel ou boicotar a MB também não é uma atitude inteligente, pois acaba prejudicando o público. Proponho escancarar essa política tolinha ao público, assim como a jabaculândia que grassa nas redações. Também recebo muito jabá, o que não quer dizer que a indústria me compra espaço ou simpatia no texto com isso.
    No fim das contas, foi mais uma lição de jornalismo-verdade. It’s fit to print!
    abs,
    Max

  22. Acho que todas as considerações são válidas, mas não concordo com uma delas: nem sempre jornalistas bons estão com empresas pequenas! Conheço muitos que deram a sorte de trabalhar com/em empresas consideradas grandes, ralam muito e fazem de tudo para que episódios lamentáveis como este não se repitam nesse nosso mercado, que já é tão restrito…

  23. Pessoal… calma.
    Sei que muitos dos comentários aqui foram feitos por jornalistas que estavam na tal coletiva.

    Confesso que fiquei indignado quando fiquei sabendo do ocorrido – e isso foi antes mesmo do Marco Aurélio chegar na redação. Esperei que ele estivesse na minha frente, ao vivo, para me contar a história e confirmar os fatos. Por esse motivo também puxei o post dele lá do Jesus me chicoteia!

    Conversei com uma pessoa da Burson. Ela tentou se justificar, dizendo que a interpretação foi errônea, que não foi bem isso que aconteceu, que a proposta era outra, que alguns jornalistas supostamente convidados acabaram indo de bicos (o que não exclui o papelzinho feio da assessoria), etc. Sinceramente, ainda não me convenceu. Porém, avisei que o post estava aqui e que era complicado desconsiderar a mesma interpretação de cinco pessoas. Isto é, ao menos cinco dos jornalistas presentes na coletiva tiveram a mesma percepção… isso é, no mínimo, estranho.

    Aguardemos a “posição” (hein, essa é boa) da assessoria sobre o fato.

  24. Hey Edu, blz? é só pra comentar q achei teu blog genial, não o conhecia! (Obrigado Lygia!)
    Não fui à coletiva, porque estou muuuuito atarefado, e ainda bem q não fui porque convidado ou não, ia acabar sendo muito ácido diante da proposta do almoço privê. Aliás, sempre que me convidam pra um almoço exclusivo eu peço que convidem outro colega, quem quiserem, para que ele/a ajude a enriquecer a conversa e não me deixe na posição incômoda (sem piadinhas pls rs) de me “sentir obrigado” a publicar qualquer coisa desse almoço, sob pena de a assessoria tomar aquela carcada do cliente. Os clientes são mais cruéis do que a gente imagina…

  25. Alguns recados:

    1) Porra, bati os recordes de comentários nesse post hoje hein!!! Agradeço a colaboração e participação de todos;

    2) Desculpem-me por não comentar mais antes… tive de sair cedo por conta de uma consulta médica. Quando chego no consultório do gastro vejo um panfleto: “Você sabia que todos temos hemorróidas”??? Mais, um bottom na sala do médico: “Hemroid is fun”… hahahahhaa

    3) Estarei em Porto Alegre na quarta e quinta. Não sei se terei conexão para acompanhar o desenrolar da história. Enquanto isso, mandem bala.

    Valeu

  26. “Desculpem-me por não comentar mais antes… tive de sair cedo por conta de uma consulta médica. Quando chego no consultório do gastro vejo um panfleto: “Você sabia que todos temos hemorróidas”??? Mais, um bottom na sala do médico: “Hemroid is fun”… hahahahhaa”

    Sabe quando você quer perguntar para um amigo alguma coisa e não quer dizer que é você e daí fala “porque tem um amigo meu que você não conhece que tem o problema tal…”

    Du, você com Hemorróidas? Quer dizwer que Porto Alegre é a capital nacional da cura de Hemorroidas? Vc vai andar de bicicleta sem sentar no selim?

    Não entendi…

  27. Edu,

    sou jornalista e talvez tenha um pouquinho mais de tempo de profissão que vc. Estou há 35 anos nesta atividade. Desse tempo todo, mais da metade, pelo menos – e para minha sorte – acabei indo para assessoria e aí larguei a redação. Fiquei pelo menos uns 28 anos dirigindo a área de comunicação da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina. Até que uma sacanagem durante o governo do Príncipe dos Sociólogos, que alterou a idade de aposentadoria dos fundos de pensão, fez com que desse uma adiantada. Um ano e meio depois, voltaram atrás! Ainda bem que não tive prejuízo significativo e o Fundo foi a minha sorte, a qual aludi acima.
    Mas o que interessa é essa sacanagem feita com os jornalistas de veículos menores. Durante toda a minha vida profissioanl na FIESC jamais fiz um coisa dessas contra os jornalistas. A Assessoria dessa empresa é incompetente. O cara ou a cara que dirige essa assessoria é incompetente, como também o Executivo que o escolheu. Mande o nome dele (do Jornalista) ou dela para que eu possa fazer um ótimo post no meu blog. Adoro esses pés de galinha para fazer uma canja. Meu e-mail: albam57@uol.com.br e o meu blog: http://oquepensaaluizio.zip.net .
    É que essas coisas me revoltam. Eu tenho certeza que o jornalista que assessora essa empresa é um trtemendo incompetente. E, provavelmente, sequer sabe escrever. Deve ser um puxa-saco.
    Abs
    Aluizio Amorim
    http://oquepensaaluizio.zip.net

    P.S.: Atualmente presto consultoria de comunicação e publicidade através da minha empresa a DEFINITIVA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL S/S, aqui em Florianópolis. E não costumo cometer esse tipo de amadorismo com os meus clientes.

  28. Pessoal, segue a resposta da assessoria:

    Olá, Eduardo,
    Segue nossa resposta, só para por os “pingos nos iis”:

    Não houve informação privilegiada. Todos os jornalistas de São Paulo e alguns de outros estados que aceitaram o convite participaram da coletiva.Todos receberam o mesmo press kit e as mesmas informações.

    Depois da coletiva, houve um almoço organizado pela Burson-Marsteller (agência de comunicação da Intel) para os jornalistas de fora de São Paulo, na churrascaria Jardineira Grill, por cortesia da Intel, por terem vindo de longe. Nenhum porta-voz da Intel esteve presente nesse almoço. Além dos jornalistas de fora, alguns de São Paulo (que estavam na sala de imprensa no momento da saída para o restaurante) foram convidados (pela Burson), como se convida um colega para um almoço informal, o que de fato era.

    Paul Otellini participou de um outro almoço, no próprio Hyatt, com alguns editores de publicações específicas, de interesse do executivo, apenas para relacionamento.

    Como estes dois almoços estão sendo confundidos e alguns jornalistas se manifestaram ofendidos e discriminados, queremos esclarecer que EM NENHUM DESSES ALMOÇOS — seja no de cortesia aos colegas de fora, seja no de relacionamento organizado pela Intel — HOUVE QUAISQUER INFORMAÇÕES PRIVILEGIADAS.

    Nós, da Burson-Martellers lamentamos o mal-entendido e garantimos a todos que não foi dada nenhuma informação diferente do que já havia sido dito na coletiva. O que poderá ser facilmente comprovado nas eventuais matérias publicadas sobre o evento.

    A equipe de atendimento da Intel, na Burson, está à disposição para esclarecer, aos colegas jornalistas, quaisquer dúvidas sobre os fatos. E pede desculpas por eventuais transtornos que estes fatos (até então não checados) tenham causado.

    A Burson-Marsteller, que há 50 anos (30 deles no Brasil) zela pelo profissionalismo e pelo bom relacionamento, jamais promoveria a discriminação em quaisquer segmentos.

    Gratos,

    Alessandra Neris
    Innovation &Technology
    Burson-Marsteller Brasil
    (55-11) 3094-2254
    alessandra_neris@br.bm.com

  29. Um dado interessante… como assessora percebi que o profissional de redação está com muito tempo ocioso. Afinal de contas, toda essa movimentação aconteceu durante o dia, momento em que as matérias deviam ser apuradas. Ou será que era o momento da fofoca? Desculpe… acho que me confundi…

    Além disso, tanto jornalista importante deu opinião… e nenhum se interessou no princípio BÁSICO do jornalismo… ir checar o outro lado. Alguém lembrou de ligar para a assessoria para tirar satisfação antes de começar a criar toda essa confusão? Pelo que entendi até agora só rolou fofoca de alguém que viu, que acha que viu… blábláblá…

    Lastimável todo esse julgamento sem nenhuma apuração.

  30. Não concordo com a assessora de imprensa.

    Emprimeiro lugar, teve veículo que derrubou a pauta por causa do ocorrido (ou seja, um dia de trabalho jogado fora); em segundo, como Max bem colocou no caso de Carly Fiorina, essa não é a primeira da Burson que parece ter essa como estratégia bem sucedida de comunicação; em terceiro vem a liberdade de expressão do jornalista que assim como qualquer outro cidadão tem o direito de dizer o que acha ou não certo.

    Continuo achando que a estratégia foi um erro e que a explicação não explicou. Não ia emitir opinião, mas li absurdos demais.

  31. “A Burson-Marsteller jamais promoveria a discriminação em quaisquer segmentos?” Hmm… sei não, hein! Há controvérsias! Ao aceitar, sem questionar, a solicitação do Paul Otellini (ou, ao menos, alertar as conseqüências catastróficas de uma atitude excludente como essa sobre a BM e a Intel) a Burson se tornou cúmplice dessa história toda, portanto, também é culpada!!!

  32. Ao tentar explicar o inexplicavel, o texto só acabou por confirmar a exclusão de alguns… foi mesmo um infeliz incidente. Se nao vale o respeito profissional, poderia-se pensar que quem é frila ou está num veiculo especializado pequeno hoje, amanhã pode estar num veiculo de grande imprensa, vide alguns bons exemplos que temos.

  33. Quer saber, vá trabalhar em assessoria de imprensa e veja como é bom: pressão dos dois lados! Um querendo “fazer notícia” (o cliente) e os outros sem qualquer interesse em publicar.
    Reação explosiva.

  34. Credo! O negócio aqui pegou fogo, hein! Tem até chantagem de currículo? vichiiiiiiiiiiiiiiiii, maria! Esse jornalismo tá cada vez pior MESMO! oh QUANDO MEU CURRÍCULO CAIR NA SUA MÃO, caro anônimo, nào esqueça que tenho uma filha para criar, hem. Ou, uns seis pimpolhos… ninguém sabe o dia do amanhã… vai ter coragem de me descartar só por isso?

  35. Ceila, vc. é uma profissional nota 10 (com seis filhos, seria nota 16? hahahahahahah).
    Manda aí, que a gente conversa, sua chance é 100%!!!!

  36. Olá amigos! Espero que estejam todos bem.
    Em relação ao ocorrido com o coleguinha, é realmente deprimente. Como assessora de imprensa, apaixonada pela profissão, sinto-me na obrigação de opinar.
    Sem dúvidas nenhuma, e isso não está em cogitação, a atitude foi lastimável. Como eu li num comentário, que agora não me recordo o autor, ao invés dessa discrimanação ridícula, a organização do evento poderia ter convidado para a coletiva apenas os “tops”. Assim, não ofenderiam tanto os demais. Mas, por outro lado, existe o fator cliente. Infelizmente, esse é o maior dentro das assessorias. Muitas vezes, as agências são “obrigadas” a agir como o “patrão” manda. Ou seja, ou é do jeito que eles querem, ou não é. Isso acaba acontecendo até mesmo por culpa das próprias assessorias, que para conseguir a conta da empresa fazem “qualquer negócio”.
    Sem dúvidas, no ocorrido, a assessoria de imprensa da empresa deveria ter “alertado” a (s) pessoa (s) que teve essa infeliz idéia sobre as conseqüências dessa atitude, pois é claro e evidente que o fato geraria a polêmica que está gerando. Até porque, embora “concorrentes” os jornalistas se falam e na grande maioria são amigos. Não existiria a menor possibilidade desse caso passar em branco.
    Mas, como já disse anteriormente, a maioria das assessorias não querem se indispor com os clientes, mesmo sabendo que estes estão errados. “Preferem perder o amigo do que a piada”, o que é uma pena, pois acabam se tornando a própria piada…
    Nessa história toda lamento pelos coleguinhas de redação que viveram um momento constrangedor de exclusão e, principalmente, pela colega de profissão, que está dando a cara para bater por uma empresa que, pelo que parece, não tem a ética pautada sobre seus serviços, pelo menos no Brasil.
    Boa sorte e sucesso a todos!

  37. Edu, achei seu blog por acaso… Mas com este último post, vou ficar visitante…
    Ah!! Levarei este texto para minha próxima aula de comunicação empresarial. Agradeça ao seu editor por mim!!!

    Saudações

  38. olha Edu, sabes o k falta mesmo? é juízo. Sem juízo, a educação nada vale. E é muito mais grave a falta do juízo num educador pk um único indivíduo pode ser altamente lesivo para toda uma geração. se tiveres a moleirinha fechada pensa nisto.

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