Bem-vindo ao dicionário do executivo moderno, um espaço dedicado exclusivamente a mostrar as asneiras que os executivos falam em toda e qualquer entrevista. Se você tem alguma sugestão, basta comentar ou então mande para evasques@gmail.com:
Agregar valor – aparece em todas as entrevistas, independente do setor de atuação da empresa. Está na hora de trocar, já deu o que tinha que dar. Se eu ganhasse R$ 1 pra cada vez que uma fonte disse isso eu já estaria bem na foto.
Alavancar – que coisa mais linda. Já pensou se você tivesse uma alavanca para que seu empreendimento crescesse? Era só empurrá-la e pronto, você ficou rico e venderá para tudo e todos. Não precisa impulsionar, fazer crescer nada… apenas empurrar a alavanca!! Aliás, pega mal falar que vai “alavancar o negócio do cliente”, duplo sentido não?
Commoditização – já vem na minha cabeça uma casa imensa, cheia de cômodos para dormir. Eita palavrinha ruim até de escrever.
Core – “resolvemos terceirizar porque não faz parte do core da companhia” é uma das mais ouvidas hoje em dia também. Ainda bem que não é cooler a palavra que designa a missão e objetivo de uma empresa. Já pensaram como ficariam as frases?
Demanda – todas as vezes que algum executivo usa esse termo eu lembro imediatamente de um terreiro de umbanda, várias baianas rodando e uma com a pomba gira dizendo que vai “tirá a demanda”. Comprem um marafo e para de usar essa joça de palavra.
DNA – “isso já está no nosso DNA”, “aquilo faz parte do DNA da companhia”… parece até que são cientistas. Que mané DNA? Deveria ser traduzido para De Nada Sei, mas digo que sei pra não amarelar na frente dos demais executivos e pra não ficar mal na rodinha.
Drivar o mercado – essa é simples, até boba. Mas o que significa “drivar o mercado”??? Será que alguém pode me explicar? Bem, para que todos entendam, esse termo é muito usado no sentido de “direcionar” por executivos. Eles e suas manias de “inglesarem” algumas palavras que temos na belíssima língua portuguesa. Eu diria que a segunda opção é sempre melhor.
Escalabilidade – mais uma da família “idade” (geralmente todas que têm essa terminação são ridículas). O que significa? Aumentar a escala de produção, de desenvolvimento, de recursos, de qualquer coisa.
Interoperabilidade – que maravilha. Não é mais fácil integração entre tecnologias, processos, ferramentas? Pra que usar esse negócio horrível. Parece aquele de ler a palavra complicada rapidamente como inconstitucionalmente.
Printar – eles querem dizer imprimir algo, mais um anglicismo tenebroso. Até que tenho ouvido com menor freqüência.
Relação ganha-ganha – putz, cada vez que ouço isso tenho vontade de dizer: “meu amigo, a única relação ganha-ganha que conheço é – o patrão ganha muito bem às minhas custas e eu ganho muito mal para dar muita grana pra ele”.
Sharear – essa é uma das minhas preferidas. Quando falam isso eu tenho vontade de perguntar se eles querem “sharear” a mulher deles com o Ricardão.
Tripé pessoas, processos e tecnologia – nossa minha mãe, isso causa até calafrios. Todo mundo diz, mas ninguém pratica esse treco aí, é só balela mesmo.
Um plus a mais - existe algo mais belo que uma frase como essa? Acho que vou até dispensar os comentários, quem quiser levar isso a sério que publique alguma coisa aí.





17 comments
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Maio 29, 2008 às 1:58 am
Marcia Ceschini
Nossa Edu, realmente esses chavões corporativos são de matar.. e o finado”quebrar paradigma”? não aguento mais ouvir essas balelas.
Boa. O dicionário está didático.. heheheh
Maio 29, 2008 às 12:04 pm
Jacqueline
muito bom.
Junho 3, 2008 às 7:14 pm
Vanessa
Amei seu dicionário Edu… muito bom. O difícil é convencer os executivos que “não pega bem” utilizar essas frases horríveis…rs.
Acho que vou “printar” o seu dicionário e colocar no elevador…rs.
Junho 10, 2008 às 3:53 pm
Patricia
Corporation Language at its best. Meu Deus, esse DRIVAR é inacreditável, a palavra chega a ser muito feia mesmo. Minha suspeita é que eles lêem esses livros mal traduzidos do inglês, desses caras que eram mega-executivos de hiper corporações americanas e que hoje são milionários aposentados cujas empresas faliram por conta de golpes aplicados pelos mesmos, sobre como ser um mega-executivo de sucesso. Esses livros são cheios desse tipo de linguagem com palavras agurpadas que juntas nada significam, e as traduções de expressões costumam ser literais. O site do Dilbert costumava ter um gerador aleatório de comunicados internos, com este tipo de linguagem. Eu ia colocar o link aqui mas eles retiraram. De qualquer forma, espero ver este dicionário crescer!
Junho 11, 2008 às 11:41 am
Godinho
Ficou bem legal mesmo.
E se vc trocar Drivar por Draivar? A palavra está em um texto em português e é falada com pronúncia aportuguesada.
Outra coisa: o último verbete tem uma palavra faltando uma letra.
“Acho que vou até dispensar os comentários, queM quiser levar isso a sério que publique alguma coisa aí.”
Julho 1, 2008 às 5:38 pm
josé fernandes sales
Executivos também gostam de falar que o tal produto que estão lançando, especialmente se for algum software, é o “Estado da arte”: é a última palavra naquele assunto, é o que há de mais moderno no mundo da tecnologia, enfim: você é uma besta humana porque não utiliza o nosso produto.
Julho 18, 2008 às 9:37 pm
Flavio Sartori
“pensar fora da caixa”
“capilaridade”
” campanha 360º”
Agosto 7, 2008 às 2:39 pm
Ana Claudia Proença
Edu, tem também tangibilizar, que é o ó, mas já ouvi várias vezes. Francamente…rs… Pior que isso, só implantar a tecnologia! Beijos, Ana
Setembro 30, 2008 às 6:03 pm
Eliene Costa
Ouvi um “agregar valor” hoje e lembrei de você na hora…rs
beijos
Outubro 8, 2008 às 8:35 pm
Tio Patinhas
“Não precisa impulsionar, FAZER CRESCER nada… apenas empurrar a alavanca!! Aliás, pega mal falar que vai “alavancar o negócio do cliente”, duplo sentido não?”
Blz. Então como você mesmo propôs, fale que vai “fazer crescer o negócio do cliente”.
Pérola é você kkk.
Outubro 30, 2008 às 6:48 pm
Vinícius Albuquerque
Pra mim não tem nada pior do que os caras que falam em tópicos: “primeiro, isso; segundo, aquilo”. É clássico de muitos empresários aqui em Natal. Outra coisa que não suporto é o uso das expressões americanizadas – como o famoso “mix” de produtos – que poderiam muito bem ser substituídas por outros termos em português.
Janeiro 23, 2009 às 3:41 pm
Tiago Lira
Você se esqueceu de uma expressão muito usada atualmente para expressar um problema, o tal “gargalo”… logo a solução será sempre um “funil”?
Fica aí a dica
Fevereiro 10, 2009 às 12:30 pm
AM
Não podemos esquecer do “a nível de”…
Fevereiro 14, 2009 às 2:57 pm
Sergio Amaral
Ótimo conhecer este blog.Foi através do Noblat.
Trabalho no ramo e visitarei com frequência.
Como isso é um elenco de besteiras e maltratos ao vernáculo, falta muita coisa. É uma “Obra em Processo”(ooops !!!) .
Palavras com os sufixos”mento”e”ante”( pertencimento/estruturante) são bem-vindos a ste Febeapá.
abraços
Março 9, 2009 às 6:38 pm
Crisley
Acho que estou interessada nessa alavanca para gerar um plus a mais para minha doçaria !!! hahaha
QUASE me deu saudades !!
Inté
Julho 6, 2009 às 12:07 pm
mateus
Muito bom. Printar tambem pode ser usado para copiar a tela. Dar um print screen e printar.
Abraços,
Mateus d’Ocappuccino
Setembro 22, 2009 às 10:47 pm
Eddieº
Ouço diariamente as seguintes pérolas:
bottleneck de processo (esta é tão forte que até escuto os hermanos falarem cuello de botella…)
ficar aware do tema
alinhar e a variante alinhavar
está no meu pipeline
balizar as atividades
ajustar o speech
dar um feedback
performance outstanding
mitigar oportunidades (e os riscos, como ficam?)
otimizar as oportunidades
maximizar a excelencia nas práticas
performar os testes
mexer os ponteiros
definir os next steps
interiorizar os lessons learned
fazer um tuning no processo
já invitou os stakeholders?
já schedulou aquela meeting?
já setou a call?
já disponibilizou o conference number?
chega, tá me dando azia