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Uma amiga escreveu contando algo muito bizarro que aconteceu com ela na semana passada. Convidada para um evento de uma grande empresa a ser realizado no interior de São Paulo, com presença do chairman global da companhia, aquele auê todo com a “gringaiada”, foi para cobrir. Seguem os fatos:

Do lado jornalístico da história: os jornalistas tiveram que ficar por duas horas andando atrás do cidadão gringo. Na hora em que a sala especial equipada com produtos da empresa foi apresentada, somente o tal executivo teve acesso. Os jornalistas não ouviram necas do que foi mostrado.

O almoço começou a ser servido, porém, teve de ser interrompido no meio. Isto porque o Sr. Gringo decidiu que voltaria para São Paulo meia hora antes, de modo que ele teria tempo para apenas três perguntas dos jornalistas.

Neste ponto começa mais uma pérola. Essa amiga jornalista deixou a sala às pressas para a entrevista e, quando voltou, o casaco e o celular dela que estavam na cadeira simplesmente desapareceram. Ninguém sabe, ninguém viu. Para não atrasar o resto do pessoal ela decidiu vir embora junto com todo mundo, mas pediu que o pessoal da assessoria procurasse. Isso foi na quarta-feira passada.

Na quinta-feira, à tarde, a assessoria de imprensa entrou em contato para avisar que a pessoa que poderia saber onde estava (que cuida lá dos achados e perdidos do local da coletiva) só estaria lá na sexta-feira. No dia seguinte, então, ligaram para dizer que a tal pessoa que poderia resolver o problema não havia sido localizada ainda. Mais para o fim da tarde, minha amiga jornalista ligou para a assessoria para saber o que poderia ser feito. A resposta foi: “não sabemos o que dizer”.

Sem contar que quando essa amiga chegou ao escritório (redação) direto do evento, já havia um release que tinha sido enviado duas horas antes com todos os detalhes do evento – inclusive aqueles que ela não conseguiu ouvir na tal sala com o Gringo.

Recapitulando: ficou sem o casaco, sem o celular e sem a notícia, já que o pessoal que não topou o evento ficou na redação recebeu um release com mais informações do que as que foram obtidas por quem estava no evento. Ah, uma última informação: o celular ela ganhou de presente do marido cinco dias antes do fato.

Uma repórter aqui da editora está querendo falar com o responsável para fazer uma matéria sobre  evolução tecnológica de um sistema que o órgão utiliza. Teve de insistir muito e ser maltratada algumas vezes pela secretária do presidente desse órgão. Quando finalmente conseguiu um retorno do assessor de imprensa, ela ouve a seguinte frase:

- Mas você precisa mesmo fazer entrevista? As informações estão todas no site, se você olhar lá não vai ficar com nenhuma dúvida.

Percebem o nível dos assessores de imprensa em determinados órgãos públicos, pagos, aliás, com o nosso suado dinheirinho? Deixo no ar para comentários: qual seria a resposta ideal para esse indivíduo?

Colaboração de Patrícia Lisboa. A história é real, ok?

Estava tudo muito bem, tudo muito bom. Era apenas mais um almoço de fim de ano com o lançamento de mais produto que mudaria os rumos da humanidade. Fora o mega atraso dos porta-vozes, a coletiva parecia normal.

Infelizmente não havia muitos colegas presentes, então eu e mais dois jornalistas começamos a fazer as perguntas. Em uma sala pequena, com todos em volta de uma mesa, a entrevista se tornou, aparentemente, um bate-papo.

Eis que, em certo momento, percebe-se que o produto novo já havia sido lançado há algum tempo e que dali não sairiam muitas coisas boas. Naturalmente, questionamentos sobre números da empresa foram surgindo.Virado para nós três, o CEO da companhia respondia algumas coisas e se esquivava da maioria delas.

Foi então que um ser, até então não percebido (pelo menos por mim) na sala, se levanta, bate na mesa e grita: “Que sacanagem!!!!! O produto é mó bom, vocês ficam pressionando o executivo pra saber números que ele não dirá e no final acabarão saindo daqui e não escrevendo nada”.

Frente ao nervoso e descontrole do rapaz, tentamos argumentar que aquilo era uma coletiva de imprensa e que qualquer pessoa poderia fazer perguntas. A tentativa foi em vão e o rebelado não parava de nos acusar de coagir o CEO.

Nesse momento, não me contive e comecei a rir. Muito. Os colegas ao meu lado também. A assessora achou melhor encerrar o evento por ali e nos levar até o restaurante onde íamos almoçar.

Escoltado pelos executivos da empresa, o jornalista foi na frente de todo mundo, parecendo ser consolado. Chegando ao restaurante, era hora de pedir as bebidas. Eis que surge a piada infame e alguém diz: “Pede um suquinho de maracujá pro moço que está tenso”. Caí na risada de novo, o moço se estressou de novo e o almoço continuou. Em silêncio, mas continuou.

Recebi um release com o seguinte título:

Novidade Mussum Mocó*: Fone Piranha

O que dizer dessa maravilha? Tucanaram o “Disk Putas”? Isso sempre me lembra o “sugestão de puta”. E sabem o que é pior? Trata-se de um fone de ouvidos, não é nenhum spam do tipo “enlarge your penis”.

Parece surreal, mas aconteceu. Eu vi e ouvi aqui na redação. Depois tem gente que reclama do Pérolas. Como pode um negócio desses?

Toca o telefone:
(Fabiana) – Redação.
(Assessora) – Oi Fabiana, tudo bem? Eu sou a Chiquinha Gonzaga*, da assessoria de imprensa da Mussum Mocó*. Queria te convidar para uma coletiva sobre disfunção erétil.
(Fabiana) – Não dá, não tem o perfil de nossas publicações aqui. Escrevo sobre tecnologia da informação e relações de consumo.
(Assessora) – Mas posso te mandar o material?
(Fabiana) – Acho melhor não, não temos como aproveitar isso.

Comentário da Jéssica aqui na redação: “só faltou a assessora dizer que encontrar uma pesquisa dizendo que os executivos que trabalham com tecnologia da informação tem alta propensão a ficarem broxas.

Hoje, toca novamente o telefone:
(Fabiana) – Redação.
(Assessora) – Oi Fabiana, tudo bem? Eu sou a Chiquinha Gonzaga*, da assessoria de imprensa da Mussum Mocó*. Lembra que disse que não poderia ir à coletiva sobre disfunção erétil? Posso te mandar o material?
(Fabiana) – Olha, na boa, não rola. Não tem nada a ver com as nossas revistas e sites.
(Assessora) – Tem certeza? Não quer mesmo o material? Mas você não faz o online?
(Fabiana) – Sim, escrevo para o online e para o impresso, mas não tratamos esse tipo de tema nas publicações.

Não dá vontade de bater o telefone na cara? Custa dar uma olhadinha no site e na revista antes de fazer um follow desses?

Diálogo de follow ontem:

- Oi, aqui é a Chiquinha*, da assessoria Mussum Mocó*. Vc recebeu um release que a gente enviou?
Bruno diz: – Sobre o que é o release?
Chiquinha: – sobre tecnologia
Bruno diz: …

Bruno: Um dia eu ainda respondo, “ah, que pena, achei que era sobre antropologia”.

E sabem o que é pior? Isso aconteceu comigo também! A mesma figura me ligou poucos minutos antes de conversar com o Bruno e disse a mesma coisa. Agora, fala sério, como uma pessoa faz follow com duas revistas de tecnologia e me solta uma dessas?

Não… não vou comentar o filme. Assisti e achei duca. Mas hoje recebi um release de um assessor que deve ter visto esses dias.

1) Era uma errata de um texto já divulgado. E ainda assim, passou essa:

“No entanto, os serviços de telefonia móvel estão prestes a tomar a liderança do setor, a medida em que esse serviço ultrapassar a telefonia fixa em termos de tráfico e receita.”

2) Ao ver o filme pela segunda vez, estava acompanhado de uma turma de assessores de imprensa amigos. O treinamento para entrar no Bope, ilustrado no filme com tapas e bordões, foi rapidamente transferido para o segmento de comunicação. Um deles comentou:

“Isso aí é treinamento pra assessoria de imprensa. Gerentes enfiam a mão na cara e dizem: pede pra sair da conta, pede pra sair da conta, pede pra sair da conta.”

3) No blog do Michel Lent há um post ótimo que mostra o que aconteceria se o Capitão Nascimento fosse eleito.

Mais uma vez temos que ver nosso rico e suado dinheirinho mal aplicado pelo governo. Isso parece tão comum no Brasil. Mas a dica – do Alê Scaglia e do Felitti – é simplesmente sensacional. No mau sentido, claro. Concebem a idéia do MEC – sim, o Ministério da EDUCAÇÃO - simplesmente escrever “Acessoria” em vez de “Assessoria”. Duvidam? Pois visitem o portal do órgão e passem o mouse sobre a palavra Comunicação, no menu. Percebam o box que se abre. Se não conseguirem visualizar, o Felitti capturou a tela aqui. Segundo o Scaglia, em recado no Twitter, quem descobriu essa cagada foi a Luciana Cohen, que trabalha com ele!

Recados importantes!

* Os nomes de empresas e pessoas são sempre modificados para que não comprometam os profissionais e companhias citadas.

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