Tenho tanta coisa pra escrever sobre o evento mas não sei se vou conseguir colocar tudo por aqui. Isso porque eu participei apenas das discussões da parte da manhã, mas vou tentar sintetizar algumas considerações que acho essenciais para a continuação do debate. Engana-se quem achou que a conversa ficaria em cima daquela briga ridícula entre jornalistas e blogueiros. Isso nem foi citado. Acho que vale ressaltar o seguinte:

Grana – não adianta, sempre caímos nessa porque muita gente quer ganhar dinheiro e ponto. A monetização foi o que esquentou o debate logo no início do evento quando Francesco Cardi mostrou alguns exemplos de blogs em que os colaboradores recebem para escrever, dizendo inclusive que muitos vivem disso. Aí começou um grande embate quando houve contestação de que esse modelo não funcionaria, neste momento, no Brasil. Por aqui não há cultura digital nem mercado consumidor para mídias sociais. Caímos na questão do financiamento para projetos do gênero.

Concordo e ressalto que não há interesse de investidores nisso, por enquanto. Talvez no futuro, mas não agora. Isso para quem deseja viver de blogs e redes sociais. O Giba mesmo acredita que não necessariamente um blog precisa ser criado para dar dinheiro, mas no fundo é o que a maioria dos blogueiros quer, ou estou errado?

O problema é que o buraco é mais embaixo. A inclusão digital não existem sem inclusão social e nisso eu, Giba e Pedro Penido estamos de acordo. Não há também mercado de venture capital no Brasil e para perceber essa falta de interesse de quem está com o dinheiro nas mãos, basta ver quantos executivos com poder de decisão comparecem a eventos como Newscamp. Posso estar enganado, mas existe somente uma pessoa hoje no Brasil vivendo com renda única e exclusiva de blog. Não sei quanto ela ganha, mas se for “para pagar as contas”, é o suficiente? Não nego a evolução digital e das redes sociais, mas não consigo ver toda essa maravilha que pregam sobre o que ela é capaz de fazer. E não é puro ceticismo, mas realidade de mercado.

Isso é real, não é idealismo. Por força da profissão, tenho contato diário com muitos executivos dos mais variados níveis dentro de empresas brasileiras e multinacionais e percebo a total falta de interesse em temas como esse.

Universidades – não é à toa que o post mais visitado desse blog é o “Nível das universidades e dos alunos”. Apesar de ter ido embora por conta de um compromisso, descobri que a Newscamp foi preenchida por universitários e professores na parte da tarde. A maioria, se não todos, abandonaram as discussões e se retiraram por motivos que, confesso, até agora não entendi. Pelo que fui informado, deixaram o ambiente por causa da falta de organização do evento e pela formação de uma roda de discussão paralela sobre política. O que mostra que: 1) não sabem sequer o que é desconferência – um termo que está se tornando mainstream; 2) quase nenhum estudante presente mantinha um blog; 3) não só universitários, mas professores estão completamente perdidos em relação à mídia social e jornalismo digital.

Crítica – senti falta de muitos colegas de redação. Poucos jornalistas apareceram para discutir, aprender, ensinar e mostrar experiência. Dei falta principalmente das agências de comunicação. Posso estar enganado, mas havia alguma assessoria de imprensa presente no evento? Justo elas, que são o elo de ligação entre a comunicação de massa (ou de nicho) e as empresas, sequer deram as caras. Se um dos papéis dessas agências é ensinar o mercado a entender a comunicação, qual seria o motivo da ausência?

Abaixo, seguem os posts publicados sobre a Newscamp:
O colega mudou
O feijão-com-arroz e o espírito da Internet
As mentes fechadas do jornalismo
NewsCamp: desculpas e algumas impressões
Muitos canais online são viáveis?
NewsCamp – Hit do Momento: Mídias Sociais
Sobre como funciona uma desconferência
NewsCamp: algumas impressões
Blog da NewsCamp